Falei, anteriormente, em fraudes de um modo geral no post intitulado precisamente Fraudes, cuja releitura, ou leitura, recomendo. Mais ainda, dado um caso recente em que um idoso foi atacado e roubado em casa depois de abrir a porta a uma pessoa que viria trocar notas caducadas, reitero aqui a regra de nunca se abrir a porta a ninguém que não se conheça.
E se usarem o atualmente muito popular truque de que estão com problemas ou foram assaltados e precisam de ajuda, proponha, muito simplesmente e sem abrir a porta, ligar para o 112 a fim de relatar a questão e pedir auxílio – verá que desaparecem em menos de nada.
Passemos, agora, ao tema da semana. Começo por dizer que o aumento de burlas eletrónicas contra idosos espelha, em grande parte, o aumento do seu uso da Internet nas suas várias vertentes. Mas são uma faixa etária mais vulnerável por variadas razões, sendo a principal terem tido um outro tipo de educação.
Basicamente, se recebem um email ou SMS de uma suposta organização, banco ou entidade importante, digamos, não lhes ocorre, sequer, que possa ser falsa. Carregam, pois, nos links incluídos, com as más consequências que todos sabemos – ou devíamos saber. Mais ainda, se o texto diz ser da Polícia Judiciária, Interpol ou algo similar, surge de imediato o medo com que cresceram de que se calhar fizeram algo errado sem darem por ela.
Pois bem, aqui fica o aviso sobejamente repetido mas que, pelos vistos, continua a ser ignorado por muitos: instituições a sério, sejam bancos, a polícia, segurança social ou outras, nunca, mesmo nunca enviam este tipo de mensagens – quanto muito, enviam um aviso de que tem uma mensagem na sua área de utente, como é o caso da Segurança Social. Mas se tiver dúvidas, aceda à respetiva página – NÃO pelo link enviado – e veja se há alguma mensagem na sua área pessoal ou algum alerta. E se mesmo assim continuar na dúvida, contacte essa instituição, por telefone ou email.
Aliás, a regra geral é nunca clicar em links ou abrir ficheiros que lhe sejam enviados por desconhecidos. É que um dos truques muito usados por este tipo de burlões é arranjarem endereços muito parecidos com os verdadeiros das instituições que dizem ser, levando, assim, as pessoas ao engano.
Passemos às redes sociais. Também aqui quem vai para novo tem a pequena desvantagem de não ter crescido com elas e mete-lhes alguma confusão a ideia de que “na Internet ninguém sabe quem és”. Sendo assim, tendem a tratar esses locais como se fossem o café da esquina que frequentam e partilham ali imensos dados pessoais. Mais ainda, por descuido ou desconhecimento, não ativam a privacidade das suas contas e tudo o que publicam fica para todos verem.
Sendo assim, é muito fácil a burlões profissionais recolherem dados suficientes para criarem uma relação de “amizade” ou até de “amor”, aproveitando-se da solidão e isolamento em que muitos vivem após uma certa idade. E daí é um passinho para um pedido de ajuda para um tratamento médico caro ou, até, para uma viagem para irem visitar o seu alvo.
Resumindo, verificar o nível de privacidade das suas contas online e nunca, mesmo nunca, acreditar nas histórias que lhe contam, por muito verídicas que lhe possam parecer. E, claro, ser parcimonioso com o que partilha, sobretudo dados pessoais, fotos facilmente identificáveis, ausências programadas...
Atenção, também, às mensagens pop-up ou emails a anunciar que ganhou isto ou aquilo. Só que, para receber o seu prémio, terá de fornecer uma série de dados pessoais ou, em muitos casos, fazer até um pagamento de taxas, custos de transferência ou outro pretexto qualquer. Isto para não falar nas “almas generosas” que querem dar-lhe uns milhares (ou milhões) de euros, desde que, claro está, lhes envie primeiro um determinado montante para cobrir despesas diversas.
Passemos, agora, às compras online. Repito o que disse no post acima citado, compre apenas em locais de boa reputação – acedendo-lhes diretamente e não através de links enviados – e use meios de pagamento seguros. E lembre-se, uma boa pechincha num site duvidoso pode vir a ficar bem cara!
Passemos agora ao telefone, seja fixo ou telemóvel. Uma fraude que já foi muito comum – e que voltará a sê-lo, certamente – envolve um telefonema supostamente da Microsoft ou similar a alertá-lo para um vírus no seu computador. Acontece que essas empresas nunca fazem isso, é apenas um pretexto para obterem acesso ao seu computador. Por isso, desligue de imediato.
Há, também, agora, inúmeras chamadas de empresas de eletricidade, seguros de saúde, planos médicos, internet, etc., com propostas fabulosas de mudança ou de melhoria de contratos. Não digo que desligue, pode ser algo realmente bom para si, mas não se comprometa pelo telefone – lembre-se, os contratos são redigidos por profissionais e há sempre a célebre “letra pequena”, ou seja, cláusulas que praticamente ninguém lê e que alteram muita coisa.
Por isso, se a oferta lhe parecer interessante, peça que lha enviem por email para a poder avaliar devidamente. Qualquer empresa credível o fará e terá, assim, tempo para ler tudo com calma ou, até, para consultar alguém.
Algo bastante recente é a célebre chamada supostamente de um filho ou filha em aflições a pedir urgentemente dinheiro para resolver uma situação. Como os burlões andam sempre a par da evolução da sociedade em que se inserem, em muitos países isso já se estende aos avós. Por isso, muito cuidado, sei bem que a primeira reação é ajudar um neto ou neta que está com problemas, mas não se precipite. E há sinais de alerta, por exemplo, pedirem um tipo de transferência que não pode ser rastreado ou não lhe darem um número para os contactar.
Há inúmeras modalidades de fraude, infelizmente, como disse os criminosos estão sempre na vanguarda quando se trata de usar novos modos de enganar as pessoas. Mesmo assim, os velhinhos e consagrados métodos nunca passam de moda – veja-se o caso das notas caducadas – por isso há que estar atento.
E lembre, se algo parece demasiado bom para ser verdade há boas probabilidades de o ser.
Para a semana: O AVC É altura de falarmos de algo que pode ter consequências muito graves