Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo".

147 - Preparar o ir para novo

Em A evolução do “ir para novo” falei do modo como o conceito de envelhecer, ou antes, o papel dos mais idosos na sociedade tem mudado ao longo do tempo. Referi, também, que está a dar-se atualmente uma nova evolução, mais ainda, uma autêntica revolução nessa área, estando alguns países bem mais avançados nesse percurso do que outros. Este post destina-se, pois, a quem ainda está a iniciar esta jornada para que tenha todas as hipóteses de participar plenamente nesse futuro “cinzento”, como lhe chamam.


Sim, bem sei que muitos com 40, 50 ou até 60 anos acham ser demasiado cedo para pensarem na reforma, ou antes, na vida após a reforma, seja a sua, a do seu companheiro de vida ou a de ambos. Mas a questão é que há certos hábitos que quanto mais cedo forem adquiridos melhor será, sobretudo num país como o nosso que só agora começa a despertar para certas atividades e ideias.


Exercício, por exemplo. Começa a ser cada vez mais comum as pessoas terem algum tipo de atividade física, mas ainda não é prática generalizada. E muitos jovens que até se dedicavam ao desporto, às vezes com grande vigor, acabam por largar tudo uns aninhos mais adiante, quando a vida e as obrigações se tornam mais complicadas.


Não digo que se faça exercício como obrigação, mas há uma coisa a ter em mente: se quisermos ter um “ir para novo” mais saudável e preenchido então é indispensável estar em boa forma ou, pelo menos, numa forma física razoável. E quanto mais adiarmos essa preparação, mais difícil ela será, acreditem, falo por experiência própria. Recordo, também, que durante a chamada vida ativa temos, também, alguma atividade diária, a começar pela ida e vinda do emprego, mas que tudo isso cessa quando nos reformamos.


Não tem de ser nada complicado, basta andar um pouco mais a pé, subir as escadas em vez de usar o elevador, basicamente, adquirir bons hábitos. Enfim, o importante é não ter uma vida muito sedentária fora do trabalho – é que com o andar dos anos, isso passa mais rapidamente do que desejaríamos a dificuldades em levantarmo-nos e a outros “emperramentos” que associamos à idade.


Ocupações, também elas separadas do trabalho, seja este fora ou em casa, são igualmente importantes. É o chamado equilíbrio entre vida laboral e vida pessoal / familiar, agora tão na moda. Mas há uma outra vantagem em tê-las, não nos esqueçamos de que no estado atual das coisas passamos, em 24 horas, de trabalho a tempo inteiro a desocupação total.


É claro que há sempre projetos de futuro, tipo, “quando me reformar farei isto ou aquilo”, mas acho que, bem no fundo, todos sabemos no que isso vai dar... ou não dar. Também nesta área é muito difícil, até impossível para muitos, passar do 0 aos 100, ou seja, arranjar um passatempo, uma ocupação quando já se está reformado.


O ideal é, pois, tentar ter algo durante uma boa parte da vida, nem que seja só durante umas horinhas mensais se o trabalho e a vida não deram para mais. Ou seja, “manter a mão na massa”, sendo depois muito mais fácil alargar o tempo que se lhe dedica quando a disponibilidade de tempo aumenta. Isto não quer dizer que não se arranjem coisas novas depois, a questão é que caso não se tenha nada durante a vida laboral há fortes probabilidades de não vir a acontecer quando chegar a reforma.


Amizades e vida social, todos sabemos a sua importância para o nosso bem-estar psicológico. E muitos têm, até, um grupo bastante alargado de amigos e conhecidos com quem convivem e saem regularmente. O problema é que muitas vezes essas pessoas são colegas de trabalho e, caso não se reformem ao mesmo tempo, é bastante difícil manter o mesmo nível de contacto. Sem contar que muitas pessoas mudam de terra após a reforma, por razões familiares, financeiras ou outras, dificultando ainda mais o convívio.


Faça, pois, questão de ter pelo menos alguns amigos que nada têm a ver com a sua vida laboral. Mais ainda, não limite a sua vida social a eles, olhe à sua volta e procure locais que lhe possa agradar frequentar, nem que seja esporadicamente, com vista a alargar o seu círculo social. Mais uma vez, isto poderá ser um pouco (ou muito) mais difícil passada uma determinada idade.


Finalmente, aprendizagem. No mundo atual, cheio de mudanças rápidas em tecnologia e não só, este é um hábito que devia estar enraizado em todos e desde muito novos: aprender durante toda a vida. Atenção, não me refiro apenas ao “saber dos livros”, há inúmeras coisas práticas e interessantes que podemos ir aprendendo ao longo da vida – sobretudo agora, com a Internet, é facílimo encontrar aulas de tudo e mais alguma coisa.


Se adquirirmos este hábito no início da jornada de “ir para novo”, será depois muito mais fácil mantê-lo e ampliá-lo. E não se esqueça de que há inúmeros estudos que comprovam que exercitar o cérebro ajuda a atrasar o aparecimento dos efeitos da doença de Alzheimer e outras similares. Mas não se limite a uma única coisa, vá variando o mais possível, isso estimula ainda mais as faculdades mentais. É claro que se encontrar algo que adora, bom, dedique-se mais a isso, claro, mas vá aprendendo outras coisinhas em paralelo.


É que não se esqueça, no plano físico e mental, a partir de uma certa idade parar é morrer – e quanto mais cedo se habituar a estar em movimento em todas as áreas da sua vida mais fácil será manter pelo menos uma parte disso quando os anos começarem a pesar.


Não nos esqueçamos de que a inércia é algo poderosíssimo, para o bem e para o mal.


Para a semana: Mais mezinhas caseiras. Mais umas coisinhas que podem ajudar a não tomar tantos medicamentos.

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