Vou abordar três assuntos de que pouco ou nada se fala em público, sobretudo o segundo: unhas encravadas, o chamado “cheiro a velho” e pelos faciais.
Começando pelas unhas encravadas, não são, certamente, um exclusivo dos longevos, mas estes tendem a sofrer frequentemente deste doloroso problema. E quando lerem as principais causas entenderão facilmente porquê.
Basicamente, temos uma unha encravada quando os seus cantos crescem dentro da pele das bordas do dedo em vez de para a frente, como o resto dessa unha. São quase sempre no dedo grande do pé, mas podem surgir nos outros dedos dos pés e até nos das mãos! Resultado, sentimos pressão no dedo, muitas vezes mesmo estando descalços, dor e alguma comichão. Em casos mais extremos em que a unha fura a pele – que lembro, é mais fina nos longevos – o resultado poderá muito bem ser uma infeção.
Há várias causas para este problema.
- Hereditariedade. Sim, há famílias em que geração após geração surgem membros com este problema. Se é esse o seu caso, esteja atenta para detetar o problema logo de início.
- Calçado. Sapatos muito apertados podem empurrar a unha para debaixo da pele, tornando-a encravada. É uma das razões de serem frequentes nos longevos, com a tendência para terem pés inchados os sapatos que sempre usaram podem deixar de ser adequados.
- Corte errado. Se as cortarmos demasiado curtas, sobretudo nas pontas, será mais fácil crescerem sob a pele. E com a diminuição da flexibilidade do corpo e mãos à medida que os anos aumentam, é bem mais fácil começar a cortá-las demasiado em viés.
- Trauma. Se o dedo sofre um traumatismo que o faça perder a unha ou parte dela, poderá vir a crescer encravada.
Pequeno detalhe, uma pedicure não resolve este problema, só um podólogo está habilitado a tratá-lo. Sendo assim, se sofre de unhas encravadas, “invista” numa ida a um, felizmente já começa a haver bastantes em Portugal.
E, acima de tudo, nunca se ponha a escarafunchar para tentar desencravar a unha, é uma das causas mais frequentes de infeções – neste caso, vá de imediato a um podólogo!
Passemos, agora, ao chamado “cheiro a velho”, que é, afinal, bem real e que nada tem a ver com falta de higiene, pessoal ou da roupa – isso é algo totalmente diferente. E tem origem numa substância química, a 2-nonenal, cuja concentração na pele aumenta à medida que envelhecemos – pequena curiosidade, também está presente na cerveja... Pensa-se que este aumento se deve à decomposição dos ácidos gordos da pele.
Um estudo recente analisou as camisas de 22 pessoas entre os 26 e os 75 anos e descobriu que as dos que tinham mais de 40 anos continham uma concentração duas vezes superior de 2-nonenal.
Já agora, não é um cheiro necessariamente desagradável em si, não estamos é habituados a ele. Num outro estudo, 44 voluntários foram divididos em três grupos: 20-30 anos, 45-55 anos, 75-95 ano. Usaram a mesma camisa de pijama cinco noites seguidas e foram depois convidados a dizer quais tinham um odor menos intenso e desagradável. Pois bem, foram as do terceiro grupo!
Pensa-se que não é um fenómeno exclusivo dos humanos (macacos, veados e ratos também o teriam) mas o seu propósito ainda não foi entendido, talvez seja um modo de apregoar, “tenho a vantagem genética de ser longevo”, qualidade muito apreciada na natureza sobretudo nos machos.
Repito, é algo natural, mas não se deve confundir com problemas causados por falta de higiene, roupa pouco (ou mal) lavada, casas bafientas...
Finalmente, os pelos faciais. Esta secção destina-se às mulheres, mas começo com uma pequena recomendação para os homens.
Se tem dificuldade em fazer a barba diariamente, por inércia ou problemas físicos, em vez de andar por aí de barba por fazer, o que dá um ar desleixado, que tal deixá-la crescer? Mas não de qualquer maneira, vá-a aparando, de preferência num barbeiro, claro, e tente mantê-la limpa e sedosa. A menos que tenha uma daquelas barbas que crescem com uma velocidade de Fórmula 1, poderá andar com bom aspeto sem ter de estar sempre a cuidar dela.
É muito frequente o aparecimento ou o aumento de pelos faciais em mulheres que já estão na menopausa. Em compensação, os do resto do corpo tendem a enfraquecer ou, até, a diminuir – aplica-se, também, infelizmente, ao cabelo, mas será tema para outro dia.
A razão principal está na grande diminuição na produção de estrogénio, a chamada hormona feminina, alterando-se assim o equilíbrio hormonal a favor da testosterona, a hormona masculina.
É claro que não acontece a toda a gente nem no mesmo grau, há vários fatores adicionais a ter em consideração.
- Hereditariedade. Mais uma vez, se as mulheres da sua família têm esta tendência, há fortes probabilidades de que lhe venha também a acontecer, talvez seja, por isso, boa ideia estar atenta e tomar medidas duradouras (ver abaixo) mal comece a notar alguns pelinhos.
- Medicamentos e certas patologias.
Quando ao tratamento, este pode ser temporário ou mais duradouro.
Não faltam à venda cremes depilatórios – atenção, usar apenas os que dizem que são para a cara – e tiras de cera para a remoção dos indesejáveis. O único problema é que têm de ser aplicados repetidamente, com mais ou menos frequência dependendo da pessoa.
Se são poucos, pode sempre usar uma pinça – escolha uma que ache fácil de usar, há-as de vários formatos. E, claro, um bom espelho de aumentar, de preferência iluminado, mesmo que tenha boa visão.
Para um método mais duradouro, opte pelo laser. Serão várias sessões, mais uma vez depende da pessoa e do que há para tirar. Escolha um sítio bom, mesmo se for um bocadinho mais caro. E não espere demasiado tempo, é que o laser não elimina os pelos brancos ou grisalhos. Estes não contêm melanina – pigmento que também é responsável por nos bronzearmos – e sem ela a energia do laser não é absorvida e não pode, pois, eliminar o folículo do pelo.
Para a semana: Entre absurdos e bons exemplos. Alguns casos que me chamaram a atenção recentemente