Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo".

97 - Viajar.... sem sair de casa

Um dos inconvenientes de ir adiando certas coisas, como viajar, para “um dia” é que, quando esse dia chega podemos não estar fisicamente em estado de o fazer. Felizmente, os seres humanos têm algo extremamente importante, a imaginação, que nos permite “viver” situações sem passarmos por elas. E viajar é uma delas, não faltam modos de o fazer sem sair do conforto do nosso lar. É claro que tudo o que aqui digo também pode servir para preparar uma viagem a sério ou, no mínimo, para ter uma ideia do seu nível de dificuldade... e dos deleites que nos pode trazer.


Sei bem que não há nada que se compare a uma experiência real mas, à falta de melhor, pode-se sempre ir virtualmente a inúmeros locais desde que se tenha um computador. Pequena nota, não falarei da chamada realidade virtual, apesar de estar já estar a ser usada, com bastante êxito, para “levar” idosos a locais que desconhecem ou que lhes trazer boas recordações.


Não, aqui virtual refere-se apenas a imagens 360º ou a poder-se visitar um local sentado à frente de um ecrã. Pequena nota, falei um pouco sobre isto em Distrações, mas, como acontece frequentemente no mundo da Internet, alguns dos links que então forneci já não funcionam. Irei, pois, indicar novamente os que ainda estão ativos. Já agora, alguns dos sites são em inglês mas, como se trata de ver coisas, funcionam razoavelmente bem para quem não conhece este idioma.


À cabeça, temos Santiago Ribas – 360 Portugal. Basta ir até ao fundo da página para abrir várias experiências 360 graus e vídeos.


Seguem-se 25 museus de Lisboa com visitas virtuais, Museus do Centro de Portugal e Palácios de Portugal.


Há ainda um site em inglês, mas com legendas em português, com “passeios” pelo Vale do Douro, Porto, Braga e Guimarães, Lisboa.


O Tiqets Blog remete para sites em inglês, mas como há a explicação prévia em português torna-se mais fácil entender o que se está a ver.


Finalmente, este site remete para o Arts & Culture Google, mas tem uma listagem de monumentos e locais portugueses, facilitando a procura.


Há, certamente, muitos mais, sobretudo em inglês, e a oferta está sempre a mudar, com novas entradas e saídas.


Mas não se vive só de Internet, passemos, pois, à televisão.


Quem tem televisão por cabo sabe, certamente, que existe o Travel Channel que, como o nome indica, fala sobretudo de viagens e de experiências diversas. Mas outros canais incluem, também, documentários deste género, convém, pois, estar atento, até porque falam, muitas vezes, de locais a que só muito dificilmente iríamos.


Temos, ainda, o canal pago Casa e Cozinha que inclui a série Experiências.pt, totalmente dedicado a Portugal. E em canal aberto, a RTP 2 tem, por exemplo, o programa Visitas Guiadas, muito interessante pela muita informação que dá.


Continuando nos audiovisuais, não faltam filmes em que a ênfase está em viagens, a começar pelo icónico A Volta ao Mundo em 80 dias – atenção, a versão original com David Niven está bastante datada.


Dos mais recentes, vou destacar apenas três.


Primeiro, temos o muito badalado Comer, Orar, Amar. Baseado no livro de Elizabeth Gilbert, retrata as suas experiências quando, após o divórcio, decide dar a volta ao mundo.


Depois, um dos meus filmes favoritos, O Exótico Hotel Marigold – muito francamente, se não o viu tente arranjar uma cópia, para além de se passar na Índia muitos dos personagens são, precisamente, pessoas muito avançadas em “irem para novas” que decidem ir para a Índia após a reforma por a vida lá ser muito mais barata.


Por fim, um outro filme de que também gostei muito, Nunca É Tarde de Mais. Jack Nicholson, um multimilionário, e Morgan Frieman, um mecânico, sujeitos a um tratamento experimental para cancro, decidem realizar todos os seus sonhos e partem numa viagem mundo fora.


Finalmente, mas não menos importante, passemos a livros. E repito aqui uma indicação que já dei anteriormente, investigue as bibliotecas da sua zona – ou, caso não se possa deslocar, peça a alguém que o faça por si. E lembre-se, graças à rede nacional de bibliotecas, se tiver interesse num livro e a dita não o tiver, pede-o, simplesmente, emprestado a uma outra biblioteca que o tenha.


Confesso que adoro ler guias turísticos e há-os para todos os gostos. Não aprecio aqueles minúsculos, tipo As 10 coisas a ver em..., prefiro de longe os que contém histórias, descrições pormenorizadas, enfim, “miolo” a sério. Mas cada um é como é, vá experimentando até encontrar o tipo que lhe agrada. Mas não se fique apenas pelos referentes a países que espera vir a visitar ou que sempre sonhou ver, alargue o seu âmbito e escolha lugares mais exóticos onde nunca se lembraria de ir.


Se é grande fã de viagens de comboio, os livros de Paul Theroux são indispensáveis. Alguns estão um pouco datados, claro, foram viagens já com uns bons aninhos em cima, embora ele às vezes as repita se houve, entretanto, grandes mudanças no país em causa, como foi o caso da China.


Gosto, também, muito dos livros de Gonçalo Cadilhe, nomeadamente O Esplendor do Mundo. Os percursos que descreve são sempre muito interessantes, sobretudo por serem, precisamente, o tipo de aventura que nós, “comuns mortais”, só muito dificilmente faríamos.


Se tem interesse especial por África, Pedro Rosa Mendes descreve no seu livro Baía dos Tigres a sua viagem entre o Sul de Angola e Quelimane, em Moçambique, cruzando todo esse vasto continente na senda de Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens.


Finalmente, Bornfree, o mundo é uma aventura, de Rui Barbosa Batista, que nos leva a viajar por mais de 50 países e experiências.


E há cada vez mais guias especializados com passeios a pé por várias cidades e regiões, nomeadamente Lisboa, que são, em geral, bastante interessantes.


Com tudo isto verá que, apesar de não ser bem a mesma coisa, viajará um pouco por todo o lado, sobretudo se der rédea solta à sua imaginação.


Para a semana: Não há woke para idosos? Livros e filmes são alterados para não “ofender” estes e aqueles... exceto idosos, claro está!

0