Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo".

90 . O que não fazer

Este post vai ser uma espécie de revisão da matéria dada, ou seja, irei destacar aspetos importantes a ter em conta quando se vai para novo ou, mais especificamente, o que devemos evitar fazer se quisermos ter uma melhor qualidade de vida.


NÃO olhar para a idade que se tem em termos de “estou velho, já poucos anos me restam”. Com a esperança média de vida a aumentar a passos de gigante, ninguém sabe quanto tempo ainda irá viver. E como referi anteriormente, o tempo passa à mesma, quer o aproveitemos ou não, por isso mais vale viver em pleno para evitar arrependimentos futuros.


Mais ainda, se aproveitarmos cada dia, cada momento, poderemos não viver mais tempo mas será, certamente, bem mais agradável do que deixarmo-nos ficar numa rotina cinzenta que torne os dias todos iguais. Ou seja, o tempo vivido poderá ser o mesmo, mas parecerá muito mais longo.


NÃO cair na tentação de passar o dia de pijama – ou camisa de noite – porque “não vale a pena arranjar-me”. Uma vez por outra, tudo bem, um dia de preguicite sabe sempre bem qualquer que seja a nossa idade, mas a maior parte do prazer que derivamos dele vem, precisamente, de ser a exceção e não a regra.


Isso não significa, claro, termos de nos arranjar a preceito como quando saíamos para o emprego ou outra ocupação, a menos que o desejemos, obviamente. Mas devemos, isso sim, fazer um esforço para começar bem o dia e isso implica cuidarmos de nós. E, acreditem, ao fim de algum tempo fazemo-lo quase de um modo automático. O que me leva ao ponto seguinte.


NÃO pôr a moda acima do conforto. Uma das grandes vantagens de “ir para novo” e do idadismo que impera no mundo atual é, precisamente, ninguém esperar que sejamos manequins. Façam uma revisão do vosso guarda-roupa em termos do que é adequado à alteração do vosso estilo de vida. Por exemplo, em vez de sapatinhos de saltos altos e finos, todos chiques, uns de salto mais baixo – ou nenhum – e, acima de tudo, de sola antiderrapante. E como se sente mais o frio e o calor, roupa que possa ser usada em camadas e, acima de tudo, que seja confortável e fácil de vestir.


NÃO abrir as portas à inércia, tipo, “está vento, não me apetece sair”. Se o tempo estiver mesmo mau, tudo bem, mas que isso não seja desculpa para passar o dia num sofá a ver programas de televisão que nem sequer interessam muito. Ou seja, fazer exercício diário, seja em casa, seja fora, nada de muito complicado, basta evitar passar muito tempo imóvel ou quase. É que, com a idade, quanto menos nos mexemos mais dificuldade temos em fazê-lo. Evitar, pois, esse mau hábito antes que seja tarde demais. E lembrem-se, uma simples volta ao quarteirão todos os dias já ajuda bastante a manter a mobilidade.


NÃO recusar certas coisas que facilitam a vida porque “isso é para velhos”. Como o uso de uma bengala. Com o estado em que estão muitos passeios e ruas por esse país fora, usá-la é, francamente, quase uma necessidade para todos nós... Ou usar fraldas de adultos, sobretudo de noite, mesmo que acabem “limpas” é um alívio saber que não precisamos de passar o tempo todo à procura de um quarto de banho quando saímos e permitem, além disso, uma noite mais repousada sem levantadelas a toda a hora.


NÃO a viver de chá e torradas porque “só para mim não vale a pena cozinhar”. À medida que os anos aumentam torna-se cada vez mais importante ter uma boa alimentação. E lembrem-se, comer muito não significa andar bem alimentado, é que, como tenho dito, alimentos e nutrientes não são sinónimo. Desenvolver, pois, estratégias para os dias em que não apetece mesmo cozinhar e técnicas para que valha a pena cozinhar para um sem muito esforço.


NÃO deixar a casa estática com o argumento de que está assim há anos. É que certas coisas podem tornar-se francamente perigosas para quem vai para novo. Como tapetes soltos, por exemplo, que são uma das grandes causas de quedas em casa. Ou manter uma verdadeira “corrida de obstáculos” nas várias divisões que obriguem a desvios constantes.


Mais ainda, pensar em pôr luzes ativadas por movimento em corredores e escadas e olhar, com olhos de ver, para o trajeto entre a cama e o quarto de banho tendo em conta deslocações noturnas. E por falar neste, é sempre boa ideia pensar em substituir a banheira por uma cabina de duche, mesmo que ainda estejam ágeis e cheios de genica. É muito mais prático, sobretudo neste país onde os banhos de imersão nunca foram muito populares.


NÃO ficar de braços cruzados perante a hipótese de uma diminuição das vossas capacidades mentais ou memória. Está mais do que provado que estímulos mentais podem atrasar até a progressão da doença de Alzheimer e que pessoas que se mantém intelectualmente ativas desfrutam de melhor saúde geral. E NÃO, nada de acreditarem no muito popular ditado “burro velho não aprende línguas”. Muito pelo contrário, está-se sempre a tempo de aprender algo e é uma área da vida humana em que não há idade da reforma.


NÃO adiar continuamente organizar as coisas ou até nem pensar nisso porque “dá azar”. Se têm desejos específicos para o que querem que vos aconteça caso fiquem incapazes ou pior, expressem-no enquanto ainda estão em plena posse das vossas faculdades. E ter sempre à mão uma cópia dos documentos mais importantes e também uma lista com os medicamentos que tomam.


Mais ainda, planear para pequenos azares. Por exemplo, de inverno ter sempre medicamentos, alimentos e outros bens indispensáveis que deem para uns dias, isto para o caso de o mau tempo impedir uma saída.


E pronto. Como disse, são tudo coisas que referi anteriormente, mas acho-as suficientemente importantes para merecerem este pequeno resumo.


Para a semana: 50 anos depois. Os mais idosos antes do 25 de abril e agora

0