Ir para novo

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78 - Voltemos à memória

Este é o quarto post dedicado a este tão importante tema – e não será o último... Caso não os tenham lido, ou queiram reler, os anteriores foram Memória, quem te viu e quem te vê, Tratar a memória como um músculo e Perda de memória e Alzheimer.


Como disse anteriormente, o menor problema de memória torna-se preocupante a partir de uma certa idade porque paira, sempre, sobre nós o espetro de ser um prenúncio de Alzheimer. Voltarei a esta doença noutra altura, limitar-me-ei a repetir aqui que, ao contrário do que acontecia até há bem pouco tempo, já há como diagnosticá-la em vida e, apesar de ainda não ter cura, existem medicamentos que atrasam bastante a rapidez da sua evolução.


Para além de Alzheimer e de outros tipos de demências, fora do âmbito deste post, temos, ainda, dois outros tipos de problemas de memória, esquecimento benigno e insuficiências cognitivas, que nos podem afetar quando os anos começam a pesar.


A primeira é a mais comum e, apesar de irritante, não é grave. Basicamente, são pequenos esquecimentos, onde deixámos o carro ou as chaves, o nome de uma pessoa, etc. Sim, tudo isto pode acontecer em qualquer altura da vida, mas torna-se mais frequente à medida que se vai para novo.


A boa notícia é que basta um pouco de concentração e esforço para a ultrapassar. Por exemplo, deixar as coisas sempre no mesmo sítio, anotar onde se deixou o carro ou escrever uma lista de compras. Acima de tudo, nada de pânico, é apenas inconveniente, chato, para falar depressa e bem, mas não é grave e, melhor ainda, não tem tendência para ir piorando.


A insuficiência cognitiva é um pouco mais grave, implica esquecer um determinado evento. Por exemplo, ter ido a uma festa e depois afirmar que não se esteve presente, por não haver a menor recordação disso. Deve ser diagnosticada por um médico, melhora com certos medicamentos, mas pode também ser a primeira fase de Alzheimer.


Atenção, se só for uma vez, tudo bem, pode haver outras razões para esse esquecimento – bebida, por exemplo... Mas a repetição pode indiciar algo mais grave.


Mas falemos agora de como tentar adiar o mais possível problemas de memória. Isso implica exercitar o cérebro, alimentar o cérebro e proteger o cérebro.


Vamos por partes.


Sobre exercitar o cérebro pouco direi, já tratei deste assunto anteriormente, por exemplo, em Tratar a mente como um músculo. Lembrarei, apenas, que, ao contrário do velho ditado “burro velho não aprende línguas”, um cérebro idoso beneficia, e de que maneira, de novas aprendizagens, sejam elas de que tipo forem. Como exemplos, ler, aprender uma língua ou algo como o uso da internet, aprender a dançar algo novo, escolher um novo passatempo, etc.


Pequeno detalhe, fazer palavras cruzadas, apesar de útil, pode não ser uma atividade ideal se forem do tipo que só usam termos que já conhecemos... Ou seja, há que aumentar o grau de dificuldade para sermos forçados a fazer um pouco de pesquisa.


Passemos, agora, a alimentar o cérebro. Pois bem, para o seu funcionamento normal, o cérebro precisa de glucose e de oxigénio – pensem nas muitas séries televisivas em que alguém entra em morte cerebral por ter estado sem oxigénio demasiado tempo, ou seja, o corpo recupera, a atividade do cérebro não.


Como seria de esperar, ambos, glucose e oxigénio, são levados até ao cérebro pelo sangue. Ou seja, vemos, de imediato, que tudo o que diminua o fluxo de sangue é mau para a atividade cerebral, logo, para a memória. Coisas como bloqueios em artérias, pressão arterial demasiado alta ou baixa e também o colesterol, pelo risco acrescido de um AVC, por exemplo. Para quem tem diabetes, tentar manter esta doença sob controlo, entra outras coisas pode também afetar o funcionamento do cérebro pelo decrescimento de glucose no sangue.


Também como referi anteriormente, estudos provam que uma atividade física regular ajuda a manter a memória a funcionar devidamente. Atenção, não se trata de “suar até mais não poder” um dia e depois parar duas semanas, pouco e todos os dias deve ser o nosso objetivo. Para algumas dicas, Exercitemo-nos e Exercício no inverno.


E repousar, dormir como deve ser – dei alguns conselhos em Dormir bem é preciso.


Há, também, a alimentação, acima de tudo, garantir que estamos a receber um fornecimento adequado de vitaminas e minerais. Fiz vários posts sobre este assunto tão importante, nomeadamente Falemos de alimentação e Voltemos à alimentação, mas há outros. E como há a tendência de “carregar” em suplementos de todos os tipo, será esse o tema do próximo post.


E temos, finalmente, proteger o cérebro.


Bom, em primeiro lugar, tentar evitar quedas – ver, entre outros, Quedas. É que há sempre o perigo de batermos com a cabeça e isso nunca é bom, sobretudo para quem vai para novo. Temos de nos lembrar que a memória é uma das funções do nosso cérebro, por isso tudo o que afeta este pode muito bem afetá-la.


Depois, evitar excessos de álcool. Como muitos de nós bem sabemos, por experiência própria ou de pessoas chegadas, a tolerância ao álcool vai diminuindo e o que nos deixava meramente “alegres” aos 20 anos pode ter consequências más aos 70. Atenção, sobretudo, à mistura de álcool e medicamentos. É que, muito francamente, acham mesmo que bebedeiras frequentes são boas para a memória?


Por último, recordo que há certas doenças que provocam confusão cerebral e que nada têm a ver com Alzheimer e outras demências. Por exemplo, uma infeção urinária – custa a crer, mas sei por experiência própria que é bem verdade, a pessoa afetada confunde tudo, parece mesmo estar a sofrer de uma perturbação mental grave!


Por isso, e apesar de na situação atual do nosso país não ser fácil, tentar obter o mais depressa possível o diagnóstico e tratamento de qualquer doença que dure mais do que um ou dois dias ou que tenha sintomas graves. Para além de isso ser sempre aconselhável, em termos de saúde geral, evita muitos pânicos desnecessários, tipo, “É Alzheimer, de certeza”.


Uma última nota, tem havido posts – e este é um deles – em que cito outros posts meus. A razão é simples, há temas de que há muito a dizer, como memória, alimentação e outros, e eu tento limitar cada texto a cerca de mil palavras. Sendo assim, o mesmo assunto é tratado diversas vezes e com enfoques variados, mas os respetivos textos complementam-se.


Para a semana: Suplementos alimentares Há usar e abusar...

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