Começo por relembrar posts anteriores em que tratei deste aspeto fundamental da vida de quem vai para novo, nomeadamente Manter ou melhorar a saúde, Doenças e Mezinhas caseiras.
Mas hoje irei debruçar-me mais sobre o que fazer perante o caos, sim, é o termo correto, que se instalou, mais uma vez, no nosso sistema hospitalar, sobretudo na sua vertente mais importante para muitos de nós, as Urgências.
Brada aos céus ouvir falar numa espera de 7 horas para utentes com pulseira amarela e de haver pessoas que chegam a esperar 15 horas ou mais para serem vistas. E com esse tempo todo passado numa sala de espera cheia, presume-se, de pessoas doentes, bom, o mais provável é sair de lá bastante pior do que quando se chegou!
Se houvesse sistemas funcionais a montante das Urgências, muita desta enorme afluência seria evitada. Mas há poucos Postos Médicos e destes, muitos partem do princípio que não se adoece durante a noite... E com a falta de médico de família para muitos portugueses e a dificuldade em conseguir consultas para quem os tem, bom, é a chamada tempestade perfeita.
O primeiro ponto que quero realçar é a necessidade de cuidarmos de nós e de tomar algumas precauções para evitar adoecer nesta época.
Se, por exemplo, é muito atreito a gripes e similares, evite locais com muita gente, para restringir ao máximo as possibilidades de contágio. Use, até, máscara quando sair, sempre é mais uma barreira de proteção. E ao menor sintoma, comece logo a tratar-se, não espere até estar mesmo muito mal para fazer alguma coisa.
Mas, sobretudo para quem já não é muito novo e vive sozinho, há o perigo acrescido de “deixar andar” coisas que deviam ser logo vistas ou, reação aparentemente oposta mas com a mesma origem, entrar em pânico ao menor problema.
Pois bem, se tem maleitas permanentes ou que aparecem regularmente, o ideal será informar-se muito bem dos sintomas e do que significam e, também, do que pode fazer para minorar o problema. Não espere até estar a sofrer, estude a situação com calma antes de acontecer.
Sim, não somos médicos, pelo menos na maioria, mas deixo aqui dois sites com uma boa descrição de várias doenças, dos seus sintomas e do que se pode fazer. Um é português, da CUF, chama-se Saúde A-Z. O outro é de um dos melhores hospitais privados do Brasil, Guia de doenças e sintomas.
Sem querer criar hipocondríacos, é interessante consultar estes guias e ficar com uma ideia do que são certas doenças de que até ouvimos falar sem sabermos bem o que são. E lembre-se, conhecimento é poder!
Antes de falar da Linha Saúde 24 vou referir o Avaliador de Sintomas Cuf, que, nas suas próprias palavras, “permite avaliar os seus sintomas antes de recorrer a uma consulta médica ou urgência.” Há também o da Médis. Sim, não substituem uma consulta a sério, mas podem ajudar bastante sobretudo em casos em que há grandes dúvidas sobre o que será que temos – não nos esqueçamos de que às vezes coisas bem simples apresentam sintomas que nos fazem temer logo o pior.
Falemos, agora da tão apregoada Linha Saúde 24 (80824242). Tem duas vertentes, a de Serviços Clínicos (24 horas por dia) e a de Serviços Não Clínicos e Administrativos (entre as 8h00 e as 22h00, sete dias por semana).
Também aqui talvez seja boa ideia familiarizar-se com este serviço antes de precisar dele, indo ao seu site e lendo as várias secções. Para além de, muito provavelmente, desconhecer alguns dos serviços que oferece, numa situação de aflição, estará, certamente, bem mais calmo para responder a perguntas e fazer, também as certas.
Pessoalmente, acho que este serviço, apesar de útil, poderia ter uma outra faceta, um site com as perguntas e dúvidas mais frequentes (e não só) e as respetivas respostas. Isto teria duas vantagens.
Por um lado, quem tivesse alguma dúvida, sobretudo em épocas de epidemias como a gripe (ou Covid) poderia, muito simplesmente, consultar a página e só ligar caso não tivesse encontrado o que procurava ou quisesse saber mais.
A segunda vantagem é óbvia, a diminuição do número de chamadas com as mesmas questões, libertando as linhas para casos mais graves ou para dúvidas menos usuais.
Seria um serviço muito útil e nada difícil de implementar, desde que houvesse vontade de o fazer por parte de quem manda.
Falemos agora do que fazer caso se sinta menos bem. Não estou a falar dos casos em que a pessoa precisa claramente de ir para o hospital e a única opção é ligar para o 112. Mas se os sintomas são mais vagos, talvez seja melhor usar um dos Avaliadores de Sintomas aqui indicados e / ou a Linha Saúde 24. Isto tem várias vantagens.
Como disse acima, sintomas que parecem graves poderão, afinal, não ser nada de muito sério, bastando as indicações dadas para se resolverem. E se for mesmo uma situação grave, um utente que tenha passado pela triagem da Linha Saúde 24 ou do INEM (via 112) tem prioridade nas Urgências, dentro do grau de gravidade que lhe foi atribuído.
Ou seja, está sempre melhor do que se tiver ido a correr para as Urgências por conta própria.
Para terminar, algumas pequenas dicas.
Se vive sozinho e vai bem avançado na “ida para novo”, é mesmo boa ideia criar uma rede de apoio para situações de emergência. Dei algumas sugestões em Rede de apoio, mas, no mínimo, ter alguém a quem possa ligar caso haja um problema grave ou, melhor ainda, com quem fale, nem que seja por mensagens, regularmente, tipo, “Ei, ainda aqui estou!”
E como uma emergência médica acontece quando menos se espera, é boa ideia imprimir uma lista da medicamentação usual que toma – com as doses e horas da toma – para manter junto dos seus documentos. Se tiver de ser levado para um hospital, isso evita ter de responder a perguntas sobre o assunto ou, se estiver inconsciente ou semiconsciente, essa informação será transmitida à mesma.
Finalmente, algo que poderá parecer anedota mas que, infelizmente, não o é. Se tiver mesmo de ir às Urgências, equipe-se! Uma mantinha, para o caso de ter frio – sim, as salas de espera tornam-se quentes com tanta gente, mas os seus sintomas poderão incluir uma sensação de frio. Uma almofadinha, é que estar as tais 7 horas sentado numa cadeira dura incomoda qualquer um. E uma garrafinha de água, ou mais, isso evita ter de se deslocar a uma máquina caso tenha sede, mais andar à procura de moedas, ver as instruções, etc...
Bom, só me resta desejar que não precise de ir a correr para um hospital, situação nunca desejável e agora menos do que nunca.
Para a semana: É tão bom já não ser novo! Em vez dos contras de ir para novo, pensemos nos prós