Ir para novo

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71 - Rede de apoio

Sei bem que o ideal é irmos para novos rodeados de entes queridos, prontos a ajudarem-nos e a acorrerem prontamente sempre que há um problema, grave ou não. Esse é o ideal com que todos sonham. Só que, infelizmente, a realidade é quase sempre bem diferente.


O que menciono neste post é aplicável a todas as idades e situações sociais, claro, mas é particularmente importante para quem já avançou bastante na jornada da vida e não tem muitos familiares ou amigos chegados. Isto para além do hábito muito português de deixar tudo para a última hora e de só nos “lembrarmos de Santa Bárbara quando troveja”.


Basicamente, resume-se a criar uma rede de contactos para quando as coisas correm mal, mas fazê-lo enquanto está tudo bem para evitar andar depois a correr, tipo barata tonta, sem fazer a menor ideia do que fazer quando algo acontece.


Comecemos pelos transportes.


Nem sempre é viável usar autocarros ou outros transportes públicos, sobretudo se é uma situação de alguma emergência. Recomendo, pois, ter à mão o contacto Rádio Táxi da sua zona para não ter de andar à procura do número quando precisa mesmo dele.


É claro que se tem um telemóvel mais moderno e sabe usar aplicações, então é boa ideia instalar a Uber. Há, também, a aplicação Táxi-Link, que funciona 24 horas por dia e 365 dias por ano, nas principais cidades de Portugal.


O importante aqui é ter esses contactos bem à mão, sejam num cartão, lista ou telemóvel.


Passemos à saúde. Não vou sequer referir o 112, é sobejamente conhecido. Mas relembro que há a Linha Saúde 24 (808 24 24 24) para quando acha que é capaz de haver algum problema mas não a ponto de ligar para o serviço de emergências.


Mais uma vez, o importante é ter o número à mão, apesar de ser fácil de fixar o nervosismo pode dar “uma branca”. E se contratou algum serviço médico privado, como os Anjos da Noite (passe a publicidade) tenha também à mão o número de telefone e os seus dados de cliente.


Só um pequeno comentário, sei que o normal é ter tudo isto no telemóvel, mas suponhamos que o deixou descarregar e precisa de ajuda – é por isso que recomendo que tenha também todos estes dados em “forma física” e à mão, já agora imprima-os com uma letra que consiga ler mesmo que não saiba onde pôs os óculos...


Se vive sozinho e não conhece os vizinhos, então o ideal é investir num sistema de alerta móvel – em caso de emergência é só carregar num botão e o sistema liga para o 112 ou para alguém que o possa socorrer.


E, última recomendação, se toma medicamentação regular, imprima uma lista com nomes, dosagens e modo de toma e ponha uma cópia também no seu telemóvel. É que se tiver de chamar o 112, o pessoal que vier fica logo a saber o que costuma tomar, sobretudo se houver contraindicações em relação a possíveis tratamentos antes de uma ida para o hospital. E se tem alergias, invista numa medalha de uso permanente!


Passemos agora à casa.


Podemos passar anos sem ter qualquer problema e, de repente, precisar de um eletricista ou de um canalizador ou de alguém que lhe faça uns pequenos arranjos. Só que é cada vez mais difícil encontrar alguém de confiança – e uso este termo no seu sentido mais lato, ou seja, alguém capaz de fazer o trabalho como deve ser e que não use a entrada em casa para outros fins.


Também nesta área é boa ideia ir “colecionando” contactos antes de precisar de alguém. E como? Bom, os seus vizinhos ou conhecidos fizeram algumas obras? Mesmo que não conheça bem as pessoas, tente meter conversa e descobrir quem fez o trabalho e se ficaram satisfeitos. Ou seja, vá colecionando contactos com antecedência para ter a quem recorrer se realmente precisar. Pode, até, falar diretamente com quem está a fazer esses arranjos, há fortes probabilidades de lhe darem um cartão ou número de telefone.


O importante aqui é não estar à espera de precisar para ir então à procura de alguém que possa ajudar, isso raras vezes resulta.


Passemos agora à documentação, também aqui no seu sentido mais lato. O ideal será ter dois níveis, um mais genérico e o outro mais restrito, acessível apenas por alguém de muita confiança.


Na parte genérica incluo fotocópias dos seus documentos – Cartão de Cidadão, Carta de Condução, Passaporte, se o tiver e similares. Mas também dados do carro (se o tiver), dados dos seguros de que é detentor, sejam da casa, automóvel ou médicos, a tal lista de medicamentos, enfim, os dados gerais da sua vida. O melhor será tê-los em forma eletrónica, numa pen, por exemplo, de que poderá fazer várias cópias, uma para ter consigo e outra para entregar a um familiar ou amigo.


Numa outra pen, de preferência com palavra-passe, pôr dados “mais delicados”, como números de cartões de crédito e de débito – com o número a contactar caso sejam roubados ou perdidos – e outros dados similares. A ideia, mais uma vez, é ter tudo isso disponível caso aconteça um problema grave.


Como último ponto irei referir algo muito comum em alguns países, a chamada “árvore telefónica”. Basicamente, as pessoas incluídas seguem a ordem programada de contactos quando há algum problema, assim cada uma faz apenas uma chamada mas são todas avisadas.


Esta seria uma outra versão, destinada a quem vive sozinho. Se tem família com quem contacta regularmente, tudo bem. Mas se não tem, tente criar uma rede de três ou quatro pessoas para uma chamada diária. Ou seja, A liga a B que liga a C que liga a D que liga a A.


Nem precisam de falar, basta decidirem uma hora para o contacto e o número de toques que deixarão passar antes de desligarem. Ou, em vez de chamadas, podem ser mensagens. A ideia aqui é haver um contacto diário para garantir que está tudo bem.


Num mundo ideal, seriam as juntas de freguesia a organizar isto, mas, muito francamente, bem podemos esperar sentados, por isso mais vale ir organizando a nossa própria rede de apoio.


E pronto, é só o básico das precauções a tomar para o caso de vir a precisar.


Para a semana: Voltemos ao idadismo Neste período pré-eleitoral, aqui ficam alguns “queixumes”

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