Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo".

55 - Voltemos à alimentação

Este tem sido um tema recorrente, já tratei dele, sob várias vertentes, nos seguintes posts: Comer bem vale a pena, Falemos de alimentação, Refeições para um, Alimentos menos conhecidos e Alimentos menos conhecidos 2. Sendo assim, porquê voltar ao assunto? É que muitos idosos sofrem de subnutrição e de desnutrição e nem sempre por razões financeiras. E mesmo neste caso há modos de se poderem alimentar melhor sem gastar mais, o problema é que não sabem como e acabam por viver à base de pão e outros hidratos de carbono.


Para além de questões que levantei anteriormente, como a diminuição do sentido do sabor, que faz com que tudo saiba ao mesmo, e da falta de vontade de cozinhar, sobretudo quando é só para uma pessoa, há também, para muitos, sérias dificuldades com a dentição.


Se fizermos fé nos anúncios, basta pôr uma boa dentadura e é como se voltássemos à juventude. Só que na prática nem sempre é assim e começa a haver cada vez mais alimentos, sobretudo carnes, que se deixam de comer “porque está duro” ou porque “é fibroso”. O problema é que muitos nessa situação acabam simplesmente por eliminá-los da sua dieta, sem terem em conta a necessidade de arranjar substitutos que fornecem o mesmo valor alimentar.


E, francamente, para quem sempre foi “carnívoro” e para quem peixe era algo a comer muito raramente, ver-se privado do seu alimento favorito pode ser devastador do ponto de vista psicológico. E há ainda a questão de que nem todos os peixes são adequados para quem já não é novo, a menos que tenham alguém que se encarregue de lhes tirar as espinhas...


Pois bem, que tal passar a usar tofu? Não é preciso ser vegetariano para o fazer, é um bom substituto da carne e já se encontra à venda em quase todo o lado e em várias versões, incluindo a fumada, o seitan, que é o que tem um sabor mais parecido com o da carne.


As duas grandes vantagens do tofu é absorver todos os sabores da cozedura e ser muito “tenrinho”. E se o cortarem em cubos irregulares, pois bem, guisado ou grelhado nem precisam de dizer o que é, caso vivam com alguém que não gosta de “modernices”. Já agora, se acham a embalagem grande, guardem o resto no frigorífico num frasco com água, aguenta-se uns 4 dias, sobretudo se lhe forem mudando a água.


É claro que há sempre a opção da carne picada. Mas aconselho a que não a comprem já preparada, é que se fizerem em casa podem controlar melhor o tipo de carne que usam e o seu teor em gordura. Podem, até, misturar vários tipos de carne ou picarem juntamente com ela um pouco de chouriço – neste caso, cortem-no previamente em cubinhos muito pequenos. E picar as carnes é fácil, basta usar o acessório picadora que muitas varinhas mágicas já trazem ou investir numa, caso a vossa seja simples, a sério, compensa.


Sabiam que o grão-de-bico é uma boa fonte de proteínas, mais ainda do que a soja? E é tão fácil de usar, sobretudo se usarem o de lata, que já está quase cozido – mas atenção, verifiquem sempre, é que há marcas mais “cruas” do que outras. Ou as favas, se comprarem das congeladas podem usar meia dúzia delas de cada vez – e são mais fáceis de descascar, ainda meias geladas. E em ambos os casos não precisam de se restringir ao seu uso tradicional, podem sempre incluí-los num arroz, por exemplo, ou usá-los num guisado em vez de carne – e se lhes juntarem um pouco de algas kombu, bom, ficam mais fáceis de digerir, para além de consumirem algum iodo.


Passemos aos temperos. Para além dos que mencionei nos posts anteriores, há ainda a curcuma ou açafrão-da-índia. Para além da cor amarela que dá aos pratos em que é incluída tem muitas propriedades benéficas. Por exemplo, inibe a absorção do chamado “colesterol mau”, ajuda a equilibrar os níveis de açúcar e minimiza os excesso de hidratos de carbono, para além das suas propriedades anti-inflamatórias, antivirais e antibacterianas. E uma pitadinha num arroz de grão-de-bico, por exemplo, dá um prato bonito e nutritivo.


Outro tempero já bastante usado atualmente é o gengibre. É rico em manganésio (bom para a memória) e facilita a digestão de gorduras, para além de ser antioxidante e anti-inflamatório. Umas pitadinhas no peixe, por exemplo, ficam mesmo a calhar...


Finalmente, e como estamos no verão, falemos de algo que acontece mais frequentemente nesta época do ano, as intoxicações alimentares, que podem ser particularmente graves em quem “vai para novo”. Os seus sintomas surgem, geralmente, de 4 a 36 horas após a ingestão dos alimentos contaminados e podem incluir diarreia, náuseas, vómitos, dores de estômago e até febre alta.


Os alimentos mais propícios e que, como tal, se devem evitar com temperaturas mais elevadas, incluem ovos, iogurtes, leite, marisco, carnes frias, queijos frescos e sandes de compra, sobretudo se sabemos – ou suspeitamos – que passaram algum tempo fora do frigorífico. Se os sintomas forem leves, bebam muitos líquidos, repousem e comam coisas leves – água de ferver arroz é uma boa hipótese. Mas se têm mais idade ou sintomas mais difíceis, comecem por tentar a Linha Saúde 24 (Telefone: 808 24 24 24) ou vão, até,  a um centro médico ou ao hospital caso se sintam mesmo muito mal.


Para a semana: Ir para novo a dois. Casais de longa data e novos casais.

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