Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo".

49 - Cuidados de beleza

Já falei anteriormente neste assunto, sob dois aspetos diferentes.


Em Como os idosos se veem dei ênfase ao problema que constitui para muitos verem a sua imagem física mudar com o passar dos anos. Mencionei também que há até quem se torne mais interessante com a idade (como Eunice Muñoz ou Angela Lansbury, a atriz de Crime, disse ela). E como há também quem estrague tudo ao perseguir a “juventude” a todo o custo, como Meg Ryan.


Mais tarde, em Cuidemos de nós, dei alguns conselhos para que não se desleixe quando cessa a obrigação de se arranjar para ir trabalhar.


A sociedade em que vivemos tem um verdadeiro culto da juventude, tratando quase como uma tragédia o facto de se envelhecer. Não se percebe bem porquê, uma vez que acontece a todos nós – bom, há sempre a alternativa... mas penso que perante a escolha ser velho / morrer novo muitos escolheriam a primeira opção.


Só que este culto tem um custo, a perda ou, no mínimo, a diminuição da autoestima por parte de quem “vai para novo”. A primeira ruga, imaginária ou real, o primeiro cabelo branco são vistos com autêntico pavor. Mas não tem de ser assim.


As principais alterações sofridas pelo nosso corpo com o passar dos anos afetam particularmente a pele, o cabelo e as unhas.


Comecemos por estas. A velocidade de crescimento diminui, tornam-se mais finas e ressequidas e, por isso, mais quebradiças. Às vezes aparecem até estrias, finas ou grossas. Pense, pois, em hidratar mãos e unhas enquanto dorme. No século XIX – e não só – as senhoras das camadas sociais mais altas aplicavam uma grossa camada de creme nas mãos antes de se deitarem e enfiavam, depois, luvas para hidratar a pele e as unhas e não a roupa de cama.


Já as unhas dos pés têm a tendência oposta, podem engrossar e entortar, sobretudo se a pessoa usou ao longo da vida calçado pouco adequado. Neste caso, em vez de uma simples pedicure, pense em ir a um especialista de pés – já começa a havê-los em Portugal. Não sairá de lá com as unhas pintadas, mas ficará, certamente, muito mais confortável. E poderá sempre tratar depois da parte estética, digamos.


Passemos ao cabelo. Também ele muda com a idade, a velocidade de crescimento e o diâmetros dos cabelos individuais diminuem e ficam mais secos e quebradiços.


Perante tudo isto, talvez não seja muito boa ideia manter o mesmo penteado e tamanho dos 30 anos, sobretudo se era muito complicado e exigia muitos tratamentos a quente e muita laca. Que tal experimentar algo que vá bem com o seu visual de agora? Muitos cabeleireiros estão mais do que habilitados a dar uma opinião sobre o assunto – o que não quer dizer que a acate cegamente, daí eu ter dito “experimentar”.


E não tema os cabelos brancos, pinte-os, se quiser e gostar, mas não o faça apenas para tentar esconder a idade. Para além de haver muito boa gente que os começa a ter muito cedo, há até quem fique bem melhor com eles do que tentando manter o seu tom original. E se a opção for um produto baratucho mal aplicado, que se vê à distância que é artificial, então, bom, esqueça! A menos que seja esse o visual que pretende...


Trate-o, isso sim, muito bem, com lavagens frequentes com um bom champô e com a aplicação de um hidratante ou até de uma máscara. E se não tem paciência para esperar que esta atue durante meia hora, já há alguns produtos de aplicação muito rápida.


Acima de tudo, adapte o corte de cabelo e penteado ao seu estilo de vida. Se não pode ir ao cabeleireiro a toda a hora, opte por algo simples de que possa cuidar em casa, tendo, assim, sempre um ar arranjado.


E chegamos à pele, que é onde é usual detetarmos os primeiros sinais de que os anos foram passando. Há muitos fatores que contribuem para o aparecimento de rugas, alguns deles até genéticos. Uma má alimentação e, sobretudo, uma excessiva exposição ao sol também contribuem e muito.


Se segue as indicações usuais de ter uma alimentação saudável e uma boa hidratação, sem fumar e sem grandes abusos de álcool, pois bem, está no bom caminho. Evite, também, o sol excessivo e use sempre um forte protetor solar, mesmo que no passado, ou seja, numa idade mais tenra, nunca tivesse necessidade de o usar. É que não se trata de se bronzear mais ou menos mas sim de impedir que a pele seque.


Um bom creme hidratante pode ser o seu melhor amigo. Mas nada de exageros, não gaste uma fortuna nem se deixe embalar por tudo o que vê e ouve na publicidade. Mas também não compre uma porcaria qualquer só porque é baratinho. E, mais uma vez, escolha um adequado à sua idade, contém – ou deve conter – alguns compostos que ajudam a manter a pele mais hidratada. Sim, sei que dizem que “combatem as rugas”, mas não espere milagres, o principal é ter a sua pele bem alimentada e hidratada.


Já agora, hidrate também o corpo, sobretudo as partes mais expostas ao ar e ao sol, como braços, pernas e decote, com um bom creme, de preferência ainda no quarto de banho logo ao sair do duche – é que o vapor na atmosfera e o calor da água do banho ajudam a dilatar os poros, fazendo o creme penetrar melhor.


Voltando à cara, veja se sabe aplicar bem o creme: esta página inclui esquemas para as várias partes, testa, olhos, faces e pescoço.


E. já agora, que tal aprender a fazer uma massagem facial? Uma das suas vantagens é ativar a circulação, o que ajuda a manter a pele elástica. Este vídeo – é do Brasil, mas entende-se muito bem – mostra como fazê-lo a partir dos 5 minutos.


E pronto. Se cuidar de si diariamente verá que se sente muito melhor consigo e que rugas e quejandos deixam de ser o bicho papão e passam a ser, muito simplesmente, o que nunca deviam ter deixado de ser: um sinal de maturidade, com a sua própria beleza.


Para a semana: Maus tratos Ainda é um assunto quase tabu, infelizmente.

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