Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo".

47 - Viajar é preciso...

Se costuma viajar ou tirar férias fora apesar de estar bem avançado na “ida para novo”, parabéns, continue. Só um pequeno conselho, a menos que o tenha de fazer por razões familiares, evite os meses de verão. Durante uns anos tirei duas semanas em outubro / novembro  para viajar e fiquei freguesa. Se vamos para locais do Hemisfério Norte, o verão já acabou e as temperaturas estão bem mais amenas – nem imagino como teria sido o Egito e Israel em agosto! E no Hemisfério Sul, o verão ainda não começou a sério. Além disso, para quem viaja com grupos organizados há muito menos gente e é bem mais agradável.


Mas isto será assunto para um post futuro.


O de hoje tem mais a ver com pequenas dicas para quem viaja ou faz férias e está a ir para novo ou tem algum familiar que está nessa jornada. É que, tomadas as devidas precauções, nada impede que se possa desfrutar de um tempinho agradável, só ou em família.


A primeira dica tem a ver com o destino escolhido, tanto em termos de local como de instalações. Passo a explicar.


Se está de perfeita saúde e é uma pessoa ativa e em boa forma física, bom, poderá ignorar tudo o que aqui digo. Mas para muitos, os anos trazem consigo pequenas (ou grandes) maleitas e menos agilidade, digamos. Sendo assim, talvez não seja muito boa ideia ir para um destino exótico em que a assistência médica é má ou está, no mínimo, distante.


Já agora, se for para fora e houver a hipótese de incluir nos custos da viagem um seguro de saúde, faça-o: nalguns países poderá ser a diferença entre ir para um bom hospital caso haja algum problema ou arriscar a sua sorte num menos bom, para não dizer até mau.


Analise também o hotel, estância ou o que for onde vai ficar. Se tem problemas de mobilidade ou não está muito habituado a exercício físico, pode não ser a melhor ideia escolher um local com casinhas muito “estéticas” e privadas, mas em que é preciso fazer uma boa caminhada para ter acesso à zona de refeições ou de convívio comum.


Se lhe custa subir escadas, veja se há um elevador – mesmo que seja um edifício de dois pisos, subir e descer várias vezes por dia pode acabar por se tornar penoso e ainda dá por si a usar o serviço de quartos só para não o fazer, perdendo assim boas oportunidades de convívio.


Resumindo, veja se o local e instalações que tem em mente se adequam ao seu estado de saúde e forma física. Isso mesmo para férias em Portugal, é que o local habitual pode já não ser o ideal...


Só um pequeno detalhe, se tenciona dedicar-se a atividades um pouco mais extremas, como mergulho ou um passeio num glaciar, informe-se previamente do que exigem a partir de uma certa idade – é que há locais em que, para se poderem precaver, só o permitem se a pessoa levar um atestado médico que diga que está apta a fazê-lo.


Passamos agora à bagagem, no seu sentido lato. Em termos de roupa e calçado, bom, leve peças confortáveis e adequadas ao clima local. E lembre-se do que escrevi num post anterior sobre camadas: é o modo ideal de nos vestirmos, quer de verão quer de inverno. Sem esquecer um chapéu – um de abas largas protege a cara toda – e uns bons óculos do sol.


Mas há elementos bem mais importantes a ter em conta. Se toma medicamentos diariamente, não se esqueça de arrumar as doses certas – bom, com uns pequenos extra, pode haver atrasos e não seria nada bom acabarem antes do seu regresso. Já agora, a menos que sejam líquidos e vá viajar de avião, não os meta no fundo de uma mala, tenha-os mais à mão.


E para além do habitual, ponha também uns extras que podem vir a dar jeito, como pensos rápidos, comprimidos para dores de cabeça e de estômago – poderá estranhar a comida – pastilhas para a garganta... enfim, não estou a sugerir que leve uma farmácia inteira mas, dependendo do local para onde vai, poderá não ser muito fácil comprar essas coisas quando mais delas precisar.


Leve protetor solar, mesmo que não vá para uma praia. Poderá apanhar mais sol do que costuma e convém proteger-se. Escolha um adequado ao seu tipo de pele e habituação ao sol. Mas leve também um creme nutritivo. É que mais exposta ao sol a pele tende a secar e convém contrariar isso.


Bom, vamos finalmente à viagem em si. Quer vá de avião ou de carro (ou outro veículo de quatro rodas), lembre-se de que passar muitas horas sentado não é ideal em nenhuma idade, muito menos para quem vai para novo. Num avião pouco poderá fazer quanto a isso, mas se sofre de má circulação, uma viagem longa talvez não seja muito boa ideia. De carro há sempre a opção de fazer algumas paragens “técnicas”. Mesmo que não precise delas nesse sentido, saia e ande de um lado para o outro o mais energicamente que puder.


E em ambos os casos, avião ou carro, experimente “andar sentado”: é muito simples, vai erguendo as pernas à vez sobre a ponta do respetivo pé. Tento fazê-lo durante uns bons 5 minutos de cada vez, pelo menos duas vezes por hora. Já agora, é também um bom exercício para quando está em casa.


Mesmo que a viagem de carro seja curta, leve consigo água e um petisco, umas bolachas, por exemplo. Mas sobretudo água – lembre-se do perigo grave da desidratação nesta época do ano que afeta quem já tem alguma idade. Mas não se limite a agarrar numa garrafa, se não gosta ou não se adapta a beber por ela, então de nada lhe serve. As palhinhas de plástico estão em extinção, mas há metálicas e outras que até são bem mais resistentes. Um pequeno truque, meta-a dentro da garrafa com água e faça um furo na tampa com o diâmetro à justa para deixar sair a ponta. E pronto! Está sempre pronta a usar.


E, como referi no post sobre dormir bem, também aqui uma fralda ou cueca-fralda pode permitir-lhe ter uma viagem muito mais relaxada. É que nem sempre há um local de paragem quando dele precisamos ou, quando o há, as condições podem não ser as melhores...


E pronto, se pensar nas suas férias em termos da pessoa que é atualmente poderá gozá-las plenamente. E lembre-se, há cada vez mais gente da “quarta idade” (acima dos 70, no mínimo) a fazer belas viagens – acreditem, encontrei muitas e com mais genica do que eu, apesar de terem uns bons 20 ou 30 anos a mais!


Para a semana: Haja equidade Porquê benesses cegas para todos acima de uma certa idade?

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