Ir para novo

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40 - Avós e netos

Sei que hoje foi o Dia da Mãe, mas, atendendo ao tema geral deste blogue, decidi falar antes de avós (de ambos os sexos) e dos respetivos netos. Há, claro, bastantes mães a “irem para novas”, mas isso seria, quando muito, um assunto para um outro post.


Começo por dizer que também nesta área as coisas são bem diferentes sob muitos aspetos. Sim, a relação avó / netos ou avô / netos é quase um cliché, mas até bem recentemente era de um outro tipo. Passo a explicar.


A chamada família alargada foi a norma durante séculos e a relação entre gerações era um dado adquirido. Os avós cuidavam dos netos consoante as suas capacidades e ajudavam a educá-los, mas sempre no seio do resto da família ou de uma boa parte dela. Já mais recentemente, era bastante usual um casal ficar na casa do pai ou da mãe viúvos ou estes virem para a sua casa, ajudando, claro, a cuidar dos netos sempre que isso lhes fosse possível.


Mas a situação atual é totalmente diferente. Temos casais ou pessoas a “irem para novas”, com a sua própria casa e ocupações, que se veem “forçadas” a ficar com os netos uma boa parte do tempo por razões diversas, nomeadamente a falta de infantários do Estado ou a bom preço em quantidade suficiente para a procura, horários escolares que não se coadunam minimamente com ambos os pais a trabalharem, férias bem maiores e frequentes do que as dos progenitores, isto sem falar nas inúmeras greves...


Ou seja, não temos avós a cuidarem dos netos no seio familiar, como antigamente, mas sim avós a serem quase os seus principais cuidadores. E, como sempre, a sociedade anda atrasada em relação a este fenómeno, não reconhecendo o papel importantíssimo que esses avós desempenham e nada fazendo para lhes simplificar a vida.


Pior ainda, não há sequer aconselhamento para as inúmeras ocasiões de embate, digamos, entre métodos educativos, uma vez que também estes mudaram imenso. E muito menos artigos abundantes, livros, etc. sobre o assunto. É que os que existem parecem presos ao papel antigo dos avós, ou seja, pessoas que se veem ocasionalmente e não com quem se passa uma boa parte do tempo.


Há, claro, o outro lado da moeda, avós com filhos dispersos mundo fora e que, com sorte, veem os netos uma vez por ano – mencionarei novamente isto um pouco adiante.


Penso que era mais do que altura de se criarem atividades que pudessem ser frequentadas por avós e netos, à semelhança de algumas que já existem para pais e filhos – e sim, há uma diferença, é que, sobretudo com crianças pequenas, o nível de energia entre um pai / mãe e um avô / avó podem ser bem diferentes e o que serve para uns pode ser totalmente desajustado para outros.


Haveria uma vantagem adicional, a ocupação dos tempos livres de muitos “não novos”, digamos, evitando, ao mesmo tempo, que os netos se aborrecessem e que a casa dos avós seja apenas uma espécie de garagem onde são estacionados até os pais os poderem ir buscar.


É que as brincadeiras e jogos das crianças atuais são “chinês” para uma geração bem mais anterior, que apreciaria, por isso, algumas dicas, digamos, sobre como agir e como organizar as coisas para que todos passem alguns bons momentos. Ora com tanto especialista em tudo e mais alguma coisa neste nosso país, será que não se arranja nada sobre este tema, nem que seja nos programas televisivos que enchem as manhãs e tardes dos nossos canais? Acreditem, seria bom para todos.


E depois, há as férias, sobretudo as do verão, bem mais longas do que o mês que os pais têm, isto se não tiverem tirado uns dias entretanto. Para os mais novos, é um tremendo tédio, a menos que os pais (ou avós) lhes paguem atividades diversas. E para os mais velhos... bom, ou andam à deriva, sem controlo de pais ou avós, ou odeiam o tempo passado em casa sem grandes diversões para lá do telemóvel, jogos e Internet.


Pois bem, não tem de ser assim. Para além do que disse acima, que tal férias feitas a pensar em avós e netos de várias idades?


Em 1990, li na Newsweek um artigo que mencionava novas agências de viagem ou secções das já existentes que tratavam precisamente disso. As ofertas iam desde uns dias a semanas ou mesmo um mês e incluíam coisas simples como caminhadas e acampar, mas também viagens mais sofisticadas, incluindo idas ao estrangeiro, E sim, era tudo planeado a pensar na diferença de energia e capacidades físicas entre os adultos e os menores em questão, havendo uma grande gama de atividades comuns mas também outras especificamente para permitirem aos netos descarregarem a “eletricidade”.


É uma oferta especialmente tentadora para quem vive longe dos netos – como disse acima – e que assim podem ter um contacto mais direto com eles e, ao mesmo tempo, ocupar-lhes uma parte das férias que não podem ter com os pais por estes estarem a trabalhar.


Resumindo, está mais do que na altura de reconhecer o tremendo papel que os avós desempenham na sociedade atual e dar-lhes as ferramentas necessárias para que o tempo que passam com os netos possa ser o melhor possível para todos os envolvidos. E lembremo-nos de que há casos em que uma criança está mais tempo com os avós do que com os próprios pais, criando toda uma nova dinâmica familiar pouco ou nada estudada e acompanhada.


Para a semana: Aproveitemos esta época. Sim, antes que chegue o calor a sério e os turistas...

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