Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo".

38 - Desfrutemos do ar livre

Publicitamo-nos como o país do sol e do bom tempo. E, a avaliar pela enorme quantidade de reformados do norte da Europa que para cá vêm, de férias invernais ou permanentemente, não é falsa publicidade.


Mas o que é que nós, meros portugueses aqui residentes, fazemos com um clima que faz inveja a muitos povos? Pois bem, nada. Ou quase nada, não nos podemos esquecer da obsessão por “trabalhar o bronze”, não exclusiva do nosso país, claro, mas que aqui pode ser praticada durante uma boa parte do ano.


Se calhar o problema é precisamente esse. Em países com pouquíssimos dias de sol, sempre que este se lembra de fazer uma visitinha todos os que podem aproveitam para desfrutar do ar livre, nem que seja por uns minutos. É ver todos os parques, ou antes, todos os pedacinhos de relva pejados de pessoas a tentarem absorver ao máximo essa tão rara benesse. Mais uma vez, muitos dos nossos estão  quase vazios, excluindo pais e avós com crianças pequenas e um ou outro idoso pura e simplesmente sentado num banco.


Como disse anteriormente, a partir de uma certa idade vamos perdendo a capacidade de criar vitamina D, mas isso não significa que apanhar sol não seja útil e desejável para manter a saúde e o bem estar. Ora como é difícil as pessoas mudarem de hábitos por si mesmas, a menos que haja um forte incentivo para o fazerem, aqui vão algumas sugestões para sair e aproveitar o ar livre antes que chegue o forte calor do verão.


Comecemos pelo mais simples, caminhar.


Basicamente, não há nada que impeça uma pessoa de ir dar um pequeno passeio na zona onde vive, para esticar as pernas e respirar livremente. Nada... exceto a falta de hábito. Já há exceções, felizmente, mas são isso mesmo, exceções. Não seria bom que centros paroquiais, juntas de freguesia e outras instituições viradas para quem “vai para novo” pensassem em organizar pequenos passeios a pé no próprio bairro ou noutros, incentivando por todos os meios a população local a participar?


Isto teria várias vantagens. Quem nunca pensou fazê-lo ou pensou mas tinha vergonha, ou receio, de andar só pelas ruas, pode muito bem decidir fazê-lo se for num grupinho que até incluirá, muito provavelmente, vizinhos e conhecidos, sendo, além disso, muito mais seguro. E, para além do exercício e contacto com o ar livre, seria também uma oportunidade para convívio social.


É claro que teria de haver um esforço, sobretudo no início, para convencer as pessoas a fazê-lo. Mas vivemos num país com muita história, será, certamente, relativamente fácil arranjar passeios temáticos, por exemplo.


Um pequeno detalhe, evitar grupos muito grandes. Se possível, seria bem preferível ter vários passeios a horas diferentes do que um único com uma multidão. O que me leva ao ponto final, há que ter em conta que nem todos os que participem estarão em boa forma física. Escolher, pois, um percurso e um ritmo que se adequem a essa situação. E ter também atenção às horas a que são feitos, para evitar as de maior calor.


A segunda proposta, a mais difícil de implementar sobretudo por não haver essa tradição entre nós, envolve sessões coletivas de exercício ao ar livre. Estou a pensar, nomeadamente, em sessões de Tai Chi que, como expliquei o post Exercitemo-nos, faz muito bem e é ideal para quem já tem uns bons aninhos em cima.


Já viram, certamente, em filmes ou séries passada no Oriente, dezenas de pessoas num parque a fazem exercício com movimentos lentos. Pois bem, é uma bem antiga tradição nesses países fazer-se exercício em locais públicos – até porque nas grandes cidades os apartamentos são mesmo muito pequenos.


Mais uma vez, a iniciativa deveria partir de juntas de freguesia, etc. Numa primeira fase poderiam anunciar demonstrações daquela técnica – e, acreditem, perante uma distração gratuita, bastantes idosos apareceriam para ver. E é aí que entrariam em ação elementos encarregues de levarem o público a passar de meros espectadores a participantes ativos e entusiastas.


Mas não é preciso ficarmos limitados a exercício. Podia-se, também, fazer um bom aproveitamento do nosso belo clima para muitíssimas atividades, de música a aulas diversas, como pintura, por exemplo. Não há praticamente limites, basta dar asas à imaginação.


O importante seria tirar as pessoas de casa, do sedentarismo em que muitas vivem, e levá-las a mexerem-se um pouco mais e respirarem ar fresco.


Já agora, nem tudo tem de ser gratuito. Ginásios e outras instituições poderiam muito bem organizar sessões ao ar livre destinadas a quem já vai avançado no ir para novo e nunca fez nada similar – já agora, com preços que pudessem atrair quem não tem uma reforma de luxo....


E estou convencida de que, uma vez passada uma certa massa crítica, as pessoas passariam a tomar a iniciativa de se mexerem para tirarem o máximo proveito do nosso maravilhoso clima – que, repito, não serve só para praia e bronzear...


Para a semana: Alimentos menos conhecidos 2. Continuemos a falar de alimentos bons, mas que não são muito usados

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