Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo".

32 - Seria bom...

Hoje vou revisitar algo que disse logo no primeiro post, Somos pioneiros, e que é o facto de haver cada vez mais pessoas da chamada terceira idade a cuidar de familiares ainda mais idosos e dos muitos problemas que isso acarreta numa sociedade que não nos prepara minimamente para tal.


Ora vejamos. Para quem está a constituir família, há inúmeras aulas, livros, artigos, revistas inteiras, até, dedicadas à gravidez, cuidados com bebés e educação de crianças. Pode-se mesmo dizer que a abundância é tal que gera confusão. Mas... e no outro extremo da vida? Onde estão os recursos que possamos consultar e usar, quer para nós quer para os tais familiares de quem cuidamos?


Da próxima vez que forem a uma grande livraria, tirem uns momentos para analisarem a secção de guias de bem-estar, etc. Há de tudo e para todos os gostos, exceto... pois, adivinharam, a chamada terceira idade. Não acham isso estranho numa sociedade que tanto fala do envelhecimento da população?


Como o tema de hoje é “coisas que seria bom haver onde aprender”, vou fazer uma pequenina lista das que considero mais urgentes para quem tem a seu cargo pessoas bem avançadas na viagem de “ir para novo”, mas também para quem está a iniciar essa jornada.


A primeira que vem logo à mente é como lidar com quem tem problemas de mobilidade. Refiro-me a ajudar essa pessoa a levantar-se, a deitar-se, etc., sem a magoar e, detalhe importantíssimo, sem nos magoarmos também. Há modos de pegar em alguém e de aplicar o nosso esforço que são altamente produtivos, mas onde aprendê-los? E não seria também útil irmos aprendendo modos de nos movermos, sobretudo quando nos levantamos de uma cadeira, por exemplo, ou pegamos nalguma coisa, que minimizem o risco de danos físicos futuros?


Com tanta conversa sobre medicina preventiva, ora aqui está uma área que daria frutos até a muito curto prazo. E se não acreditam, tentem ajudar uma pessoa de pouca mobilidade a levantar-se de uma cadeira ou da cama... pois, não é tão fácil como parece.


Outro aspeto prende-se com a higiene de pessoas acamadas ou, mais uma vez, com pouca mobilidade. Há aulas de puericultura – fora sites, revistas, livros, etc. – que ensinam a lavar e a mudar a fralda a um bebé. Porque não haver algo semelhante para pessoas de idade? Pouparia muito esforço e não só. É que mudar uma fralda a um idoso deitado não é nada fácil, garanto, nem para quem o faz nem para quem recebe. E o banho, bom, mesmo com um daqueles compartimentos de chuveiro onde podemos também entrar, cadeira ou banco, chuveiro manual, etc. pode ser uma verdadeira cena de luta livre...


Ou seja, aulas de “gerontocultura” para aprendermos a cuidar de um idoso sem lhe causar sofrimento e sem um esforço excessivo da nossa parte, esforço esse que terá, certamente, consequências nefastas a médio e a longo prazo.


Sem esquecer toda a problemática de vestir e calçar alguém que, ao contrário de um bebé, tem uma flexibilidade quase nula.


Outra área importante tem a ver com a necessidade quase generalizada de fazer pequenas massagens a idosos. Com o avançar dos anos, a circulação torna-se mais lenta e é, muitas vezes, preciso massajar pelo menos as pernas e pés para evitar problemas acrescidos com o andar. Ou aplicar um creme numa zona que fica mais dorida por excesso de tempo numa posição, por exemplo.


É claro que, para evitar males maiores, acabamos por improvisar. Mas o resultado não é certamente o mesmo de quando é feito por quem sabe o que está a fazer.


Também aqui, a prevenção poderia ser muito útil, ou seja, aprendermos ainda cedo a fazer auto massagens que ativem a circulação – é que nem todos temos quem o possa fazer por nós.


Há, ainda, a alimentação. Sim, muitos podem comer sem restrições, mas, e quem tem de ter certos cuidados? Com o sal, por exemplo. Ou com gorduras. Porque não há uma secção em revistas, livros, etc., dedicada à comida para idosos? Coisas apetitosas e variadas, que os tentem a comer mas sem causar transtornos à saúde – mais uma vez, investiguem a secção de culinária de uma grande livraria, há de tudo, exceto isto.


Sim, podemos pesquisar aqui e acolá, experimentar, etc., mas muitos de nós não têm nem tempo nem paciência para isso e uma ajudinha seria, certamente, muito bem vinda.


E passamos à saúde em si. Não seria bom haver um portal da saúde dedicado apenas a maiores de 65 anos, por exemplo? Com o estado atual do nosso sistema de saúde, temos duas hipóteses: ou deixamos a pessoa a fazer todo o tipo de “macaquinhos no sótão” com os sintomas que tem ou passamos horas numa urgência...


E porquê um portal a partir de uma certa idade? É que há muitos sintomas e valores que são diferentes consoante a idade. Veja-se, por exemplo, a tensão. Um jovem de 20 anos que tenha 10 como tensão máxima, é terrível. Mas se tiver 80 anos, bom, é normal. Mais ainda, há causas de certos sintomas que deixam de fazer sentido a partir de uma certa idade. Mas temos de ler tudo para depois, por nós, tentar chegar a uma certa conclusão.


E como muitos que “vão para novos” pensam mais em doenças, até por falta de outra ocupação, seria bem útil haver uma linha de apoio não urgente para onde pudessem ligar e tirar as suas dúvidas com calma – francamente, a componente psicológica aqui seria bem importante, talvez ainda mais do que a física.


Quanto a conhecimentos, atendendo à fragilidade de muitos idosos, um pequeno curso de primeiros socorros e curativos para essa faixa etária que os seus familiares pudessem frequentar viria bem a calhar...


Resumindo, seria realmente bom que esta faixa etária tivesse a mesma atenção e abundância de recursos da fase inicial da vida. Isso traria uma tremenda melhoria na qualidade de vida dessas pessoas e de quem cuida delas.


Para a semana: Alimentos menos conhecidos. Alguns são até bem antigos, mas deixaram de ser usados.

0