Ir para novo

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05 - Manter ou melhorar a saúde

Face ao envelhecimento da população nos chamados países desenvolvidos, a OMS passou a falar em envelhecimento ativo como um alvo desejável para melhorar a qualidade de vida de quem envelhece. Este conceito assenta em três bases, saúde, participação e segurança.


Mas para mim, está praticamente tudo englobado no termo saúde e já vão ver porquê.


É que saúde tem aqui uma conotação muito mais ampla do que a mera vertente física, engloba, também, a saúde mental e emocional. Com algumas variantes, a maior parte dos especialistas considera que os seus componentes básicos são os seguintes: alimentação e hidratação, exercício, dormir bem, vida social ativa, exercitar o cérebro e consultar regularmente um médico.


Neste post irei falar de um modo resumido de todos estes elementos, que virão a ser tratados mais detalhadamente em posts posteriores.


Comecemos pela alimentação.


À medida que envelhecemos, há mudanças físicas que vão muito para lá do visual. Por exemplo, vamos perdendo a capacidade de converter a luz solar em vitamina D, por muito sol que apanhemos – e lembro que uma exposição excessiva também não é desejável.


Há alimentos que ajudam a colmatar este deficit, nomeadamente peixe-espada, salmão, cavala, truta, sardinhas, cogumelos, ovos, fígado de vaca e ainda produtos fortificados com vitamina D, como leite, iogurte e cereais. Sem esquecer que há sempre a hipótese (desejável) de começar a tomar um suplemento.


Outro potencial problema é a anemia, bastante comum em idosos que não têm uma dieta variada, sobretudo a ligada à vitamina B12 e ferro. É definitivamente algo a que devemos estar atentos, valendo a pena apostar desde cedo em alimentos bons, como fígado e vegetais de folhas verdes.


Mas para ter uma alimentação propícia ao tal envelhecimento ativo não é preciso cortar “miminhos” ou entrar numa dieta rigorosa só com alimentos considerados “bons”. Basta tentar incluir bastante fruta e vegetais – sobretudo os de folhas verdes, como espinafres e grelos – evitar excesso de sal e de gorduras. E, mais importante do que nunca, tomar um bom pequeno-almoço, para colmatar o longo período noturno sem alimentação. Os frutos oleaginosos, como nozes, amêndoas e avelãs, também são aconselhados.


Como veem, nada de muito revolucionário ou extremo.


O problema é que, sobretudo em Portugal, há uma boa parte da população mais idosa que cresceu com hábitos alimentares pouco saudáveis e métodos de confeção que não são os melhores para manter a qualidade dos produtos. Por exemplo, as tradicionais sopas que fervem durante horas, acharem que leite é para crianças pequenas e que salada é comida de coelho, enfim, nada de muito perigoso mas que também não ajuda.


Aqui, como em muitas outras coisas, quanto mais cedo se começa a ter uma boa alimentação, melhor é a hipótese de se ser saudável até mais tarde.


A hidratação também é um problema para muitos idosos, pouco habituados a beberem sem terem sede. E é um bom hábito que se devia adquirir cedo, além do mais faz bem à pele...


E passamos agora ao exercício. Seria ótimo que houvesse mais do que um termo para este tipo de atividade. É que para muitos, a palavra significa uma ida a um ginásio, correr, andar longas distâncias apenas por andar, pedalar, enfim, um esforço deliberado que a maioria deixou para trás desde as tristemente famosas aulas de ginástica do liceu.


Há, claro, quem passe a vida a exercitar-se, no sentido acima expresso, às vezes até em excesso, o que não leva necessariamente a envelhecer bem.


A questão é que exercício não tem de ser isto. No contexto do envelhecimento ativo significa, muito simplesmente, mexermo-nos. É que se adquirirmos o hábito de passar horas a fio simplesmente sentados, os músculos vão-se atrofiando. Sim, todos nós sabemos isso, o problema é que à medida que os anos passam vai-se tornando cada vez mais difícil recuperar a tonicidade perdida e acabamos por desistir.


Por isso, não fique quieto, mova-se, ande um pouco, nem que seja em casa, em resumo, mexa-se!


O terceiro ponto, dormir bem, é fácil para uns, muito difícil para outros. Há todo o tipo de “truques” para dormir melhor, dedicarei um outro post a este tema, direi apenas que um dos primeiros elementos a ter em conta é o colchão usado. É que se vai tornando cada vez mais importante ter um que, dando a solidez e apoio necessários, seja também o mais confortável possível. E a nossa noção de conforto também vai mudando.


Vem, depois, vida social ativa. Poderão estar a pensar o que é que isto tem a ver com saúde. Mas tem e é cada vez mais vista como um fator importantíssimo. É que o isolamento a que por razões diversas nos vamos remetendo à medida que envelhecemos leva a depressões, stress, sentimentos de marginalização, perda de autoestima... Que acabam por afetar também a nossa saúde física.


Não digo que seja preciso andar sempre na rua, em saídas e convívios, basta apenas tentar manter pelo menos alguns dos contactos de quando éramos mais novos – ou arranjar outros. Mais ainda, fazer um esforço consciente para ter saídas e diversões periódicas que nos forcem a conviver um pouco, como uma visita guiada a um museu ou monumento, por exemplo.


A importância do quinto ponto, exercitar o cérebro, tem aumentado imenso nos últimos tempos. Estudos provam, até, que uma atividade mental regular pode atrasar imenso o aparecimento dos piores sintomas da doença de Alzheimer.


E não faltam maneiras de o podermos fazer, desde os livrinhos de palavras cruzadas e similares a todo o tipo de puzzles e jogos mentais. Para além da leitura, claro. Isto ajuda, também, a manter-nos focados e cientes do que nos rodeia, aumentando assim a nossa segurança – evitando quedas, por exemplo, por não prestarmos atenção quando andamos.


E chegamos ao sexto ponto, na minha opinião o mais difícil de cumprir em Portugal, e que é consultar regularmente um médico.


Sim, seria desejável fazer exames periódicos desde novos, aumentando-lhes, até, a periodicidade à medida que envelhecemos. É que assim, certos problemas, como a anemia, poderiam ser detetados e corrigidos cedo.


Mas, na falta deste cenário perfeito, não devemos ficar, necessariamente, de braços cruzados. Podemos sempre mantermo-nos atentos ao nosso corpo, registando alterações que não sejam meramente passageiras e informando-nos o mais possível sobre temas gerais de saúde (neste caso, saúde física).


Sentimo-nos fatigados, sem razões para tal? A tensão subiu bruscamente? Dores de cabeça crónicas? Urina de cor estranha? Enfim, há muitos pormenores a que podemos e devemos estar atentos, sem nos tornarmos, claro está, uns autênticos hipocondríacos.


E há a vantagem adicional de que, quando vem finalmente a tão aguardada consulta, podemos apresentar uma lista de pontos que nos preocupam, aproveitando assim, ao máximo, o pouco tempo de que dispomos.


Como referi no início, muitos destes pontos irão ser tratados muito mais pormenorizadamente em posts posteriores.


Para a semana: Rotinas, precisam-se! – A criação de rotinas pode ser muito limitadora mas também muito libertadora.

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