Passada a Páscoa e a renovação que ela representa, passemos à primeira etapa de dar a volta à nossa vida e que devia ser pôr ordem na antiga.
Antes de começar, uma pequena confissão. Apesar de acreditar piamente no que aqui digo, esta é a única área, até agora, em que ainda não cumpri as minhas próprias indicações. Planeio sempre fazê-lo, mas o trabalho ou outra coisa qualquer acabam por interferir. Talvez este ano...
Como primeiro passo nesta “organização”, pensem nos inúmeros documentos importantes que temos, pessoais e não só. Já antes dei a indicação de que é boa ideia fazer cópias deles, para facilitar a nossa vida caso se percam ou sejam roubados. Refiro-me, claro, ao Cartão do Cidadão, Carta de Condução, caso ainda a tenham, passaporte, etc. Referi, até, que era boa ideia ter notação dos números de cartões de crédito e outros, juntamente com os números a contactar caso desapareçam.
No caso destes últimos, é conveniente ter esses contactos à mão (no telemóvel, por exemplo). Mas não com os números dos respetivos cartões! Estes devem ser postos noutro lado, um caderninho de notas, por exemplo, “à molhada” com muitas outras coisas e sem uma identificação clara. Assim, se forem roubados, poderá cancelá-los imediatamente.
Isto cobre a parte pessoal. Já agora, é boa ideia ter os números de telefone mais importantes também nesse tal caderninho, é que se o telemóvel ficar sem carga, avariar ou for roubado, se for como eu e depender totalmente de “tocar” na identificação de quem quer contactar para lhe ligar, bom, ficará à nora. E ter junto com o telemóvel uma nota com o seu contacto de emergência, assim, se tiver um acidente na rua, por exemplo, e o seu telemóvel estiver bloqueado – ou danificado – quem o socorrer saberá a quem ligar.
O que indico a seguir não é exclusivo de quem vai para novo, aplica-se, muito francamente, a todas as camadas etárias e é, muito simplesmente, facilitar a nossa vida e a dos outros caso nos aconteça alguma coisa. E até é muito simples, resume-se a fazer cópias de outros documentos importantes sobre a casa, o carro, apólices de seguro, etc. Pode ser em papel, para uma consulta rápida, mas, neste caso, devem ser postos numa pasta devidamente identificada e guardada num local lógico e bem visível. E é boa ideia incluir, também os documentos de identificação pessoal, assim fica tudo junto.
O ideal será fazer também uma cópia eletrónica, numa pen, por exemplo, que poderá guardar no mesmo sítio ou noutro, para ser mais portátil.
Passemos agora a um outro assunto, que tem precisamente a ver com “se algo acontecer” ou se vier a perder as suas faculdades mentais. Se for como a maioria das pessoas, nunca discutiu o que fazer nessas circunstâncias. Tratei um pouco deste assunto num post do meu outro blogue, Luísa Opina, em Viver bem para morrer bem. Nele cobri, essencialmente, o chamado Testamento Vital, que já existe em Portugal desde 2012 e é gratuito. Mas como só são válidos por 5 anos, têm sido feitos muito poucos. Se quiser conhecer o formulário, visite esta página do SNS.
Mas porque não criar o seu, feito à sua medida e cobrindo todos os aspetos que desejar? Ou seja, para além de questões meramente físicas – estar em coma, etc. – pode cobrir muito mais situações, como o que acontece caso fique incapaz de cuidar de si por razões mentais. Pode, até, incluir os seus desejos para o caso de morrer, ou seja, se é ferozmente contra a cremação, indique-o, claramente. E vice-versa, claro.
Não será um documento oficial, no estrito sentido da palavra, mas pode, até, fazê-lo ler aos seus familiares diretos, pedindo-lhes que o assinem como sinal de que o viram e leram. E dar-lhes uma cópia, claro. Não é uma garantia de que o irão cumprir, claro, mas pode facilitar muito a vida a quem tem de tomar essas decisões se houver uma indicação clara do que se pretende.
E porque não fazer o mesmo para os seus bens? Se tem coisas valiosas e vários herdeiros legais, então o ideal será fazer um testamento a sério, num notário, sobretudo se tem um destino em mente para a parte “livre” da sua herança. Não é muito caro e assim fica tudo esclarecido. É que sempre me meteu confusão os inúmeros casos de milionários e ricaços mundo fora que morrem sem deixar testamento, deixando os herdeiros à luta – bom, a menos que seja essa a intenção...
Mas se quer apenas deixar pequenas lembranças a certas pessoas específicas, tudo bem, poderá, muito simplesmente, pôr os seus desejos por escrito. Mais uma vez, não há garantias de que os seus herdeiros irão cumprir, uma vez que não é um documento legal, mas, pelo menos, não poderão dizer que não sabiam de nada...
Um último ponto e que tem a ver com precauções para uma emergência. Já todos temos visto na TV prédios que têm de ser evacuados porque houve um incêndio ou outros casos em que as pessoas têm de sair de casa à pressa e sem saberem quando poderão voltar. Pois bem, o que aqui proponho é algo muito comum em alguns países, nomeadamente nos EUA em zonas muito atreitas a sismos e tornados: um saco de emergência.
Ao contrário do que se passa ali, não se trata de meter-lhe água e comida para uns dias, essa parte está coberta no nosso caso. Não, terá, simplesmente, coisas bem pessoais.
Como medicamentos. O meu conselho é que, se toma muitos todos os dias, arranje duas daquelas caixinhas com divisórias e encha ambas. Todas as semanas põe a uso a que está no saco e mete ali a que encheu de novo. Assim, caso tenha de sair de repente, não fica sem a sua medicamentação usual, estará coberto durante uma semana. Já agora, incluir no saco a lista dos medicamentos – que tenho indicado em vários posts – e as cópias dos documentos, pelo menos os pessoais.
Pode, também, meter-lhe uma muda de roupa, para cobrir as primeiras necessidades. Ou mais, mas o meu conselho é que crie um saco pequeno, só com o básico, para ser mais fácil de levar consigo, sobretudo se tem problemas de mobilidade.
Já agora, que tal criar – ou pedir que lhe criem – cópias digitais das suas fotos preferidas? É que muitas vezes, se há uma catástrofe, o que mais se lamenta não é o mobiliário e objetos da casa mas sim o insubstituível, recordações antigas que será impossível reproduzir.
Pequeno detalhe, ponho o saco bem à mão, junto à entrada, por exemplo. É que de nada vale tê-lo preparado se o enfiou no fundo de um armário...
Para a semana: Organizemo-nos. Documentos, receitas e muito mais...