Chegámos àquela época do ano em que uma boa parte do país está de férias, uns porque têm filhos em idade escolar, outros porque querem aproveitar o tempo quente para frequentarem uma praia ou, até, por mero hábito. É, também, quando muitos emigrantes portugueses vêm passar uns dias “à terra”, dando nova vida a muitas aldeias quase desertas o resto do ano.
Para os longevos, esta pode ser uma altura boa – rever a família, mesmo que seja só por um breve período – ou má, se estão sós e sentem mais marcadamente essa solidão ao verem famílias inteiras a divertirem-se em tudo quanto é sítio.
Começarei, precisamente, por estes.
Já falei anteriormente em aproveitar épocas de menos balbúrdia e também de menos calor para passear, visitar locais, enfim, fazer o equivalente a umas feriazinhas. Mas, sim, há sempre um mas, em julho e agosto multiplicam-se festas de todos os tipos, ofertas variadas, enfim, há muito para ver e fazer que não está disponível nos restantes meses.
Sendo assim, ponha de lado pensamentos tristes e, em vez de ficar em casa a remoer o estar só pesquise o que há à sua volta. As páginas da sua Câmara são um bom ponto de partida e, se vive em Lisboa ou no Porto, a Time Out é sempre muito informativa – e tem, também, coisas noutros pontos do país.
Mas a ênfase deverá estar em coisas que só há nesta época, não é muito boa ideia competir por espaço numa praia apinhada – mais os transportes até lá – a menos que costume banhar-se e queira aproveitar o mar mais quentinho deste período. O mesmo se aplica a monumentos e museus, para quê vê-los agora se o pode fazer quando há menos gente? A menos, claro, que haja alguma mostra ou evento especial.
Mas não precisa de andar sempre fora, aproveite para pôr em prática projetos há muito adiados ou para experimentar coisas novas – como tenho dito, graças à Internet pode-se aprender de tudo! O importante é manter um espírito positivo e divertir-se o melhor que pode.
Já agora, atendendo a que as férias dos progenitores são inferiores às dos filhos, caso tenha saudades de ter crianças à sua volta, pode sempre voluntariar-se para tomar ajudar a minorar esse problema de vizinhos ou conhecidos, quanto mais não seja propondo algumas atividades adequadas à idade – a deles e também a sua...
Passemos agora aos longevos para quem verão é sinónimo de ver a família que está longe e, sobretudo, os netos. Há a tentação, muito humana, de imaginar que vai ser um período perfeito, cheio de aconchego familiar, boas conversas e momentos ainda melhores. Bom, não se esqueça de raras vezes a realidade está à altura do que a nossa mente engendra. E se, ano após ano, as coisas não são bem assim, talvez seja melhor pôr a fasquia um pouco mais baixa e deixar-se, muito simplesmente, apreciar o momento.
O que pode fazer é meditar nas causas dos problemas usuais que surgem e tentar evitá-las. Sim, tem os seus hábitos e costumes e filhos e netos criaram outros, mas lembre-se, é uma visita curta, valerá realmente a pena entrar em confrontos? Mas atenção, isso não significa apagar-se e concordar com tudo, mesmo quando sabe que não é do seu interesse fazê-lo. Mais ainda, se filhos e netos mudaram durante a ausência, não aconteceu o mesmo consigo? Sobretudo se começou a ser mais ativo e a abrir-se a novos interesses.
Quanto aos netos, separemos as situações, pequenos e adolescentes.
Estes, bom, há fortes probabilidades de arranjarem a sua própria diversão e saídas. Mesmo assim, há algumas coisas que pode preparar previamente. Como já tenho dito, a genealogia está muito na moda, por isso, que tal organizar e separar fotos antigas e tomar nota de alguns nomes e dados? Depois, sem forçar, pode simplesmente indicar que tem esse material, caso o queiram.
Se vive numa aldeia que ainda mantém certos costumes e tradições, de culinária ou outros, puxe a carta do suposto interesse dos jovens por culturas diferentes e proponha algumas visitinhas “de estudo” – e sim, para jovens criados em cidades, de cá ou de outros países, a vida rural portuguesa é mesmo um mundo diferente, quase alienígena!
E caso não se sinta à vontade com Smartphones, computadores e similares, que tal pedir umas lições? Passa tempo com os netos e adquire novas aptidões que lhe virão a ser muito úteis quando partirem.
Quanto aos netos mais novos, se há mais longevos na sua zona que também recebem familiares nesta época, talvez seja boa ideia planear algumas atividades ou saídas em conjunto. E, mais uma vez, se vive numa zona rural, lembre-se que coisas mais do que corriqueiras para si são uma autêntica novidade para crianças criadas numa cidade, envolva-as, pois, nas suas atividades.
E sabia que começa a haver cada vez mais crianças que trocam os ecrãs por brinquedos e jogos mais clássicos? Há cada vez mais jogos de tabuleiro virados para camadas etárias mais baixas e pululam os anúncios de brinquedos mais “manuais”, alguns deles bem antigos exceto no material de que são feitos.
Há também todo o tipo de trabalhos manuais em que os pode iniciar – já agora, não me refiro apenas a malhas, rendas ou isso, se gosta de se dedicar à carpintaria, mecânica, olaria ou outra atividade qualquer, encoraje-os a verem como é e a experimentarem.
Mas também aqui sem forçar, apresentar apenas várias opções, tentar que as façam ao menos uma vez e se não gostarem ou não mostrarem o menor interesse, tudo bem, não leve a peito, cada um é como é.
Resumindo, quer esteja só ou com os seus familiares, tente divertir-se, relaxar e, acima de tudo, esmagar a negatividade e os pensamentos negros que assolam tantos longevos.
Para a semana: Pilares da felicidade 1. Inspirado por uma série da natureza, "The Savannah: Wild Happiness (A Savana: Felicidade Selvagem)" e os seus quatro pilares da felicidade animal...