Ir para novo

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83 - Congelar é o que dá

Sobretudo para quem cozinha para um...

Retomo aqui o que disse no meu post Comer bem vale a pena,  mas desta vez com ênfase na congelação.

Basicamente, pode-se congelar praticamente tudo, com maior ou menor sucesso, mas há coisas que, muito francamente, dão mais trabalho do que valem e outras em que o resultado não é dos melhores.

Comecemos pelos vegetais. Como disse no post citado acima, gosto de ver variedade no meu prato e, se os comprar frescos, ou tenho de me limitar a um de cada vez ou acabo sempre por deitar fora uma parte. Compro, pois, sempre dos congelados, são ótimos e posso variar à vontade. Encontrei, até, recentemente, curgete congelada, cortada às rodelas, ótima para incluir em guisados ou vegetais no wok. Sendo assim, costumo comprar, apenas, beringela, curgete para grelhar e algum tipo de couve.

É claro que podemos congelar os nossos próprios vegetais, mas, muito francamente, a menos que sejam cultivados por nós, oferta de alguém ou uma grande pechincha, não vale mesmo a pena. A exceção, para mim, é a abóbora, costumava branqueá-la em fatias unidose para depois a congelar, mas disseram-me que pode ser congelada mesmo crua – já a congelei assim, mas ainda não lhe calhou a vez, tinha outra mais antiga.

Falemos, agora, de algo mais genérico. Muitos de nós usamos um saco qualquer – como os que há nos supermercados para fruta e legumes – como recipiente, digamos, para o que vamos congelar. Infelizmente, são um pouco finos demais para o efeito, comparem com os vendidos como “sacos de congelação” e verão a diferença. Mas há um modo de os utilizar, assim como os chamados “sacos para sandes”, sobretudo para quem cozinha para um.

É muito simples. Se não quiserem andar “à luta” para retirar de um bloco congelado o que precisam para aquela refeição, poupem trabalho e irritação dividindo tudo muito bem antes de congelar. E lembrem-se, se fizerem “doses” pequenas podem sempre tirar duas ou três se estiverem com fome ou tiverem algum convidado.

Sendo assim, usem esses sacos mais finos para embalar cada dose. Depois, basta meter todos os saquinhos com o mesmo conteúdo dentro de um saco de congelação ou de um ziploc. Para além de ser muito fácil separar as doses, há a vantagem adicional de que, como o saco mais caro, o exterior, não esteve em contacto direto com os alimentos, pode ser alegremente reutilizado.

Já agora, também podemos usar película aderente para os pacotinhos individuais – mas não como invólucro exterior, não foi feita para isso, e a folha de alumínio também não.

Passemos a comida já feita.

Também como disse no outro post, há certas coisas que não compensa ou é complicado fazer só para uma pessoa. Mas a solução é simples, faz-se uma dose maior e congela-se o resto! A minha teoria é que, quanto mais complicado ou moroso for um prato, por exemplo, carne assada em forno lento, maior deve ser o número de doses previstas. É que já que se teve o trabalho, mais vale ficar feito para várias refeições... Feijoada, por exemplo, o que leva mais tempo é cozer as carnes, pois bem, façam-no, separem tudo e pronto, têm a maior parte do trabalho feito, é só fazer o refogado e juntar o feijão – e se gostam de usar do seco, pois, adivinharam, cozam o pacote todo e juntem um saquinho a cada dose de carnes e deixem o resto, também congelado, para outro prato.

É, também, muito útil ter arroz já feito. É que a menos que se queira um arroz malandrinho, faz-se a mais e congela-se. Pequeno detalhe, não vale a pena separá-lo em doses, pode ficar numa embalagem única: umas pancadinhas na bancada e parte-se em blocos, basta retirar o que se quer e guardar o resto. E podemos fazer o mesmo com esparguete ou outro tipo de massa – bom, neste caso, é melhor criar doses, não se separa tão facilmente. E sim, sei que é fácil cozê-la, mas naqueles dias em que não apetece mesmo nada cozinhar, tira-se uma dose do congelador, vai para o wok com molho de tomate e uma lata de atum, por exemplo, e temos almoço em 5 minutos.

Há uma ressalva, no entanto, do meu ponto de vista a batata não congela bem, perde muito sabor e textura. Sendo assim, se for um guisado, convém retirar a parte a congelar antes de introduzir a batata, esta será acrescentada a cada dose guardada quando esta for utilizada. É há ainda a vantagem de que um mesmo guisado passa a poder ter variantes, batata-doce, curgete, abóbora, massa...

Já agora, quando faço carne assada ou peixe no forno e sobra, para congelar separo o molho do resto, pondo-o num saquinho separado que guardo juntamente com a carne ou o peixe em questão. E esses molhos, que são muitas vezes bastante suculentos, também podem ser guardados sozinhos, são um grande adiantamento quando não há muito tempo (ou disposição). Por exemplo, o molho que sobrou de fazer peixe assado dá para iniciar e dar sabor a um bom arroz de peixe.

Só um pequeno detalhe, quando uso algo com molho que congelei, retiro do recipiente, seja saco ou outro, ainda bastante congelado e ponho logo onde o vou aquecer / usar. Assim sai tudo, em vez de ficar muita coisa agarrada ao saco se esperar que descongele totalmente.

Se gostam de bolos e bolinhos e não os fazem porque acabariam por secar antes de os comerem todos, bom, se for um bolo, fatiem-no, embrulhem cada fatia em película aderente e depois em folha de alumínio, juntem tudo num saco de congelação ou ziploc e depois, é só tirar o que se quer e deixar descongelar, por si. O mesmo para queques e similares. Já agora, se gostam de variedade, façam dois ou três tipos diferentes, congelem e pronto, podem variar à vontade.

Só umas últimas notas, a começar pelo que usar para guardar coisas no congelador. Pode-se, claro, pôr tudo em caixas e caixinhas, há-as, agora, de todos os tamanhos e feitios e a preços bem acessíveis. Mas se têm um congelador mais pequeno, ou cheio, os sacos, como podem ser achatados, ocupam muito menos espaço e servem para tudo, até para sopa!

E, finalmente, rotular tudo muito bem para não aparecerem depois pacotes “mistério” que temos de descongelar para saber o que contêm. Mais ainda, tentar manter uma lista atualizada do que se tem no congelador e em que gaveta / prateleira, de preferência com a data de congelação.

Resumindo, usando a congelação como uma ferramenta não há nenhuma razão para que quem cozinha para um não possa ter variedade e miminhos na sua alimentação.

Para a semana: Em vez de “coitadinhos”, agir! Idosos encontrados mortos, desaparecimentos...

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