Ir para novo

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79 - Suplementos alimentares

Há usar e abusar...

Começo por lembrar os meus dois posts anteriores sobre nutrição que, lembro, não é sinónimo de alimentação, Nutrição Parte 1 e  Nutrição Parte 2. Isto porque uma alimentação equilibrada e, sobretudo, completa, deverá fornecer todos os nutrientes de que precisamos para nos mantermos saudáveis.

Só que isso nem sempre é possível. Pode haver, por exemplo, algum problema de saúde que impeça o uso de alguns nutrientes. Ou, por ignorância, gostos pessoais ou estilo de vida, a alimentação não é exatamente a mais desejável.

E é aqui que entram os chamados suplementos alimentares, que abundam em tudo o que é parafarmácia, farmácia ou até noutros lados. Há-os para todos os gostos e fins, desde os destinados a atletas, dietas de emagrecimento ou de engorda, antienvelhecimento, enfim, tudo e mais alguma coisa.

Comecemos por definir o que são. De acordo com o Decreto-lei 136/2003, são “Géneros alimentícios que se destinam a complementar e ou suplementar o regime alimentar normal e que constituem fontes concentradas de determinadas substâncias nutrientes ou outras com efeito nutricional ou fisiológico, estremes ou combinadas, comercializadas em forma doseada, tais como cápsulas, pastilhas, comprimidos, pílulas e outras formas semelhantes, saquetas de pó, ampolas de líquido, frascos com conta-gotas e outras formas similares de líquidos ou pós que se destinam a ser tomados em unidades medidas de quantidade reduzida.”

Pois, muito palavreado...

Na prática, estamos mais habituados a vê-los em forma de cápsulas, quer de nutrientes isolados – vitamina D, por exemplo – quer em misturas mais complexas – como compostos multivitamínicos, por exemplo. Mas existem também sob outras formas, sobretudo os destinados a atletas.

Antes de continuar, uns pequenos reparos. Primeiro, o ideal seria só tomar suplementos alimentares por aconselhamento médico. Mas como isso nem sempre é possível e, muito francamente, muitos médicos nem se lembram de os recomendar, no mínimo deve-se indicar na próxima consulta o que se anda a tomar “por fora” – é que pode haver efeitos indesejáveis em combinação com os medicamentos que se tomam. Já agora, caso tenha feito a sua lista de medicamentos como indiquei em Cuidado com a saúde, não se esqueça de os incluir precisamente pela mesma razão.

Último ponto, se vai mesmo tomá-los, cuidado com as “pechinchas”, é um daqueles casos em que é preferível optar por uma marca de qualidade garantida, mesmo que seja um pouco mais cara. E nunca exceda as doses indicadas, é que aqui mais não é melhor, muito pelo contrário, o excesso de certos suplementos pode, até, ter consequências graves para a saúde, os rins, por exemplo.

Com tudo isto, até pode ficar a ideia de que sou contra os suplementos. Muito pelo contrário, acho que quem vai para novo devia começar a tomar um complexo multivitamínico, de preferência um formulado para a sua faixa etária.

Falemos então de suplementos aconselháveis acima dos 45 anos.

- Vitamina D. Com o passar dos anos, o nosso corpo vai perdendo a sua capacidade para “fabricar” vitamina D. Junte-se a isso o facto de haver menos tendência para a exposição ao sol, por razões variadas, e o resultado é que uma boa percentagem da população idosa é deficiente nesta vitamina. Infelizmente, para além de ser essencial para a absorção de cálcio (que aumenta a resistência de ossos, dentes, nervos e músculos), ajuda também a produzir insulina e fortalece o sistema imunológico. Há países em que é automaticamente receitada a quem ultrapassou uma certa fasquia etária, o nosso não é um deles... Mas já há bastantes pessoas a tomá-la, pelo menos a fazer fé na frequência com que esgota. Já agora, existe em peixes como salmão, sardinha e atum.

- Magnésio. Muitíssimo importante para inúmeras funções do nosso organismo. Fortalece o sistema imunitário, regula o transporte do açúcar, reduz o acumular de placas de gordura nos vasos sanguíneos, ajuda a controlar a pressão arterial e auxilia com funções musculares e nervosas. Existe no abacate, nozes, lentilhas, feijão, grão-de-bico, banana e espinafre.

- Complexos multivitamínicos. São os suplementos mais usados e existem em inúmeras variantes. Mas costumam incluir cálcio, vitamina D, vitamina C – sobejamente conhecida – e vitamina E.

- Ómega 3. Também este é um suplemento muito popular. Ajuda a controlar a pressão arterial, regula os níveis de colesterol, tem propriedades anti-inflamatórias e é bom para a vista e o cérebro.

Há, ainda, outro tipo de suplementos à base de plantas, como folhas de oliveira, dente-de-leão, ginseng, enfim, um sem-número deles. Apesar de estarem muitas vezes à venda em farmácias e parafarmácias com uma indicação geral sobre a que se destinam, o ideal é ter uma conversa com o farmacêutico ou a pessoa da parafarmácia e explicar exatamente o que pretende. É que apesar de os suplementos não serem medicamentos, quem tem qualificações para trabalhar num estabelecimento desses estudou-os e pode dar boas indicações. E sim, estas serão sempre melhores e, sobretudo, mais avalizadas do que “a amiga da vizinha da cunhada de fulana toma”... Pequeno detalhe, não se esqueça de referir a medicamentação que toma diariamente, sim, repito, pode haver algumas incompatibilidades.

Quanto a compras pela Internet, bom, a minha opinião é que só devem ser feitas para renovar algo que já andamos a tomar. É que nada substitui uma conversa com alguém que percebe do assunto para saber o que será aconselhável tomar. É que as pessoas não são todas iguais, fisicamente falando, e o que funciona com umas pode não resultar com outras ou ser, até, desaconselhável.

Para terminar, lembre-se que o nome, suplemento alimentar, diz tudo. Ou seja, é um complemento da nossa alimentação e não um substituto...

Para a semana: Chocante! Falemos de ajudas e similares...

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