Ir para novo

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59 - Doenças

Falemos de algumas das doenças mais comuns em quem “vai para novo”

Esta semana vou falar de algumas das doenças que mais afetam, ou podem vir a afetar, quem vai para novo. O meu intuito não é o de criar alarmismos, é, isso sim, de indicar alguns sinais de alerta e, nalguns casos, mudanças de dieta ou de comportamento que as podem evitar ou atrasar. É que, como nos repetem à saciedade, há muitas maleitas que, detetadas cedo, têm cura ou, no mínimo, efeitos menos perniciosos. Bom, é claro que ajudaria – e muito – haver um verdadeiro SNS com consultas atempadas e, sobretudo, tratamentos a tempo e horas!

Só uma pequena nota, não falarei da doença de Alzheimer uma vez que tenciono, a muito curto prazo, dedicar-lhe um post inteiro, dada a sua importância e o facto de ser um pesadelo para muitos de nós já avançados nesta viagem.

Já agora, as doenças estão por ordem alfabética. E como refiro a alimentação em algumas delas, relembro que em Falemos de alimentos citei alguns que eram bons para ajudar a prevenir alguns problemas de saúde.

Cataratas. São muito comuns a partir de uma certa idade, estima-se que afetem umas 170 000 pessoas em Portugal.

Sintomas: redução da visão, tanto ao longe como ao perto e, sobretudo, à noite; sensibilidade à luz; ver halos em torno das luzes.

Tratamento: bom, o único definitivo é a cirurgia, mas uma alimentação equilibrada e a proteção do sol mediante óculos escuros podem ajudar a minorar o risco. E lembre-se, quanto mais cedo forem detetadas, mais simples é a cirurgia e a recuperação.

Depressão. Como já tenho referido em posts anteriores, a depressão é bastante comum em quem já não é novo, muitas vezes associada à solidão. Não me refiro a ter alguns “dias negros”, acontece a qualquer pessoa por muito cheia e feliz que seja a sua vida. Mas se os sentimentos depressivos perdurarem, é altura de pedir ajuda – é que ao contrário da atitude vigente em certos setores da nossa população, a depressão deve ser levada a sério porque pode vir a ter consequências muito graves.

Sintomas usuais: perda de apetite (mesmo para pratos favoritos), problemas de sono, apatia, perda de gosto pela vida, irritabilidade (no mínimo, mais que de costume), dificuldade em conviver.

Mas, atenção, muitos idosos escondem os seus sintomas na presença de terceiros por receio de serem enviados para um lar ou algo similar ou porque acham que isso só lhes diz respeito, são de uma época em que pouco se falava de sentimentos.

E como, repito, muitos idosos não veem, sequer, que estão deprimidos ou, como disse acima, acham que faz parte de envelhecer, compete a quem os rodeia fazer um esforço para evitar que caiam nela ou para os ajudar a sair desse estado que, não tratado, só irá piorar. Coisas simples, como fazer um esforço para falar mais vezes com o idoso, fazer com que se sinta útil ao atribuir-lhe pequenas tarefas ou pedindo-lhe favores que impliquem ter de pôr a uso as suas faculdades, incentivá-lo a sair e a conviver um pouco mais...

Doenças cardiovasculares. Muitas delas resultam do estilo de vida e de fatores de risco que podemos modificar – outros não, como a nossa genética, claro. São quase todas provocadas pelo depósito de gordura e cálcio nas artérias (aterosclerose) e as mais preocupantes afetam as artérias do coração – angina de peito, enfarte – e as do cérebro – alterações da memória, tonturas, AVC.

Alguns fatores de risco que podemos alterar: diabetes (não tratado), colesterol elevado, hipertensão, excesso de peso, fumo e abuso de álcool, sedentarismo, stress.

O principal problema é que estes fatores de risco não atuam individualmente, a presença de dois ou mais agrava em muito o risco do aparecimento de uma destas doenças. Ou seja, potenciam-se uns aos outros.

Hipertensão. Não é exclusiva de quem vai para novo, é claro, mas é mais prevalecente a partir de uma certa idade. E se não for controlada pode ter graves consequências, nomeadamente uma doença coronária.

Dois grandes fatores de risco são a alimentação – sim, todos sabemos do sal – e a falta de atividade física.

Um pequeno conselho: mesmo que esteja a tomar medicamentação receitada pelo seu médico, meça a sua tensão regularmente – é que às vezes baixa imenso sem razão aparente e isso pode ser perigoso. Ou pode também disparar sem que nada tenha mudado. E agora há inúmeros aparelhos baratos que permitem este controlo em casa.

Infeções respiratórias. Uma simples gripe em alguém de vinte e tal anos pode ser bem mais complicada aos setenta. Muitas destas infeções passam sozinhas – lembro que não há tratamento para a gripe, por exemplo, apenas para os seus sintomas – mas quem vai para novo deve estar atento e “cortar o mal pela raiz”. Ou seja, aos primeiros sinais de febre, dores de garganta, etc., agir prontamente e, se os sintomas se agravarem, tentar um contacto médico.

Mas há algumas precauções que se podem tomar. Por exemplo, evitar contactos com pessoas engripadas, mesmo se vivem na mesma casa. Limpar bem o ambiente doméstico e ventilá-lo, mesmo no inverno, para evitar passar o tempo todo no mesmo local fechado. Enfim, evitar a exposição a situações que possam vir a causar problemas destes.

E se está sempre a ter infeções deste tipo, será boa ideia mencionar esse facto na sua próxima consulta...

Infeções urinárias. São provocadas por micro-organismos no trato urinário. As mulheres são mais afetadas em novas mas, a partir de uma certa idade, os homens passam a sofrer mais disto por causa do aumento da próstata.

Sintomas mais comuns: ardor ao urinar, escassez de urina, dor na região da bexiga e dos rins. E, algo que descobri recentemente, uma infeção urinária pode provocar desorientação e confusão mental.

Infelizmente, em muitos casos o tratamento indicado é a toma de antibióticos e estes têm de ser receitados por um médico...

Há, claro, muitas mais doenças que atacam sobretudo a partir de uma certa idade, como certos cancros, a doença de Parkinson, a osteoporose... Mas estas são as mais fáceis de detetar e, em vários casos, de controlar ou, pelo menos, de tentar minorar a sua gravidade.

Para a semana: Acabaram as férias Sim, um reformado não as tem, mas, para muitos é a única época de convívio familiar (e não só)

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