Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo".

51 - Quedas

Como evitá-las e o que fazer caso aconteçam

Já anteriormente falei neste tema em Quedas e outros perigos, mas o assunto é suficientemente importante para voltar a ele mais detalhadamente.

Como todos sabemos, as quedas são um dos grandes perigos que enfrentamos quando “vamos para novos”, não só porque acontecem mais facilmente mas também porque as suas consequências são mais graves.

Há várias razões para acontecerem mais frequentemente, como uma maior fraqueza muscular, alterações na pressão arterial, problemas de vista e de audição – não nos esqueçamos de que os ouvidos estão ligados ao nosso sentido de equilíbrio – uma menor coordenação entre o cérebro e os movimentos e, até, alguma medicamentação.

Mesmo assim, caso lhe aconteçam com uma certa frequência é certamente boa ideia consultar um médico, pode haver razões mais profundas – e muitas vezes tratáveis – para isso.

Começarei por resumir os conselhos dados no post anterior:

- evitar  tapetes soltos, eliminando-os ou substituindo-os por outros com pelo menos uma face aderente;

- reformular a decoração da sua casa, de modo a criar passagens amplas e livres de obstáculos;

- se possível, substituir a banheira por um duche amplo, com ou sem portas e, acima de tudo, com uma boa barra de apoio e um tapete aderente;

- usar calçado com uma boa sola aderente, incluindo os chinelos de quarto;

- usar bengalas ou outros apoios, como andarilhos, para ter maior segurança ao andar;

- muito cuidado com a cera no chão ou com derrames de água ou outras substâncias.

A estas indicações, juntarei agora mais algumas, antes de passar ao que fazer caso caia.

- iluminação; um ambiente mal iluminado propicia quedas; se acordar de noite, nunca vá ao quarto de banho às escuras – se não está só e não quer acender um candeeiro, use uma lanterna ou, melhor ainda, instale quase ao nível do chão lâmpadas que detetam movimento;

- evite andar de meias pela casa, a menos que sejam das que têm uma “sola” aderente;

- se vive numa casa com escadas, tome precauções redobradas: instale corrimões adicionais, se for necessário; veja se a luz das escadas pode ser acesa no topo e em baixo; se a escada é de madeira, pense em colocar tiras adesivas antiderrapantes na borda dos degraus; se está atapetada com uma carpete com desenhos ou várias cores, pense em substituí-la por uma de cor sólida;

- verifique se não tem fios elétricos ou outros a cruzarem o chão, mesmo que estejam debaixo de tapetes – é muito fácil tropeçar neles, mesmo que estejamos habituadíssimos a passar-lhes por cima;

- evite ter coisas espalhadas pelo chão, quer sejam roupas, caixas ou outros objetos, sobretudo em locais de passagem mais ou menos habitual;

- nunca, mas mesmo nunca, tente subir a cadeiras ou bancos para chegar seja ao que for – tente, isso sim, pedir a ajuda de alguém para pôr mais ao seu alcance as coisas de que precisa habitualmente, seja no quarto, sala ou cozinha; já agora, se é seu hábito agarrar-se a móveis quando se desloca pela casa, verifique se estão bem firmes no seu lugar, sobretudo se forem estantes.

Tudo o que indiquei é para dentro casa e há razões para isso. Primeiro, a maior parte das quedas surgem precisamente no ambiente familiar, talvez porque na rua ou no exterior em geral haja mais cuidado ao caminhar. Segundo, é algo que podemos alterar de modo a reduzir o perigo, ou seja, está de certo modo sob o nosso controlo.

Passemos agora ao que fazer caso dê uma queda, sobretudo como levantar-se de um modo seguro. É que, embora uma queda nem sempre cause ferimentos, pode provocar na pessoa o medo de voltar a cair, levando a diminuir a sua atividade com más consequências para a sua saúde.

Já agora, se vive só, pense em ter sempre o telemóvel consigo – pode, por exemplo, pô-lo numa bolsinha suspensa do pescoço ou num bolso com fecho. É que se cair e não se conseguir levantar, pode não lhe conseguir chegar para pedir ajuda. E ficar caído no chão durante muito tempo pode provocar problemas adicionais ou pior ainda...

A primeira indicação (para quem caiu ou para quem está com essa pessoa) é muito simplesmente esta, não se tentar levantar de imediato. Começar por ver se a queda resultou em ferimentos – e não me refiro, claro, a uns meros arranhões – ou se sente dores fortes em alguma parte do copo, sobretudo braços, pernas, anca e cabeça. Ver também se sente tonturas. Caso se verifique uma destas situações, ligue logo para o 112.

Caso esteja tudo bem, não tenha pressa de se levantar, respire fundo e só comece a tentar quando se sentir com forças para isso.

Se caiu de frente, salte os dois primeiros passos, são para quem caiu de costas:

- comece a rodar o corpo lentamente, começando com a cabeça e avançando progressivamente até aos pés – a ideia é ficar de lado e, posteriormente, de barriga para baixo;

- quando estiver de barriga para baixo, descanse um pouco e veja como se sente;

- se estiver tudo bem, tente pôr-se de gatas;

- olhe à sua volta, localize uma cadeira, sofá, cama ou outro móvel sólido com a altura de uma cadeira e desloque-se até lá, sempre a rastejar de gatas; vá com calma e descanse sempre que precisar;

- uma vez atingida a cadeira (ou outro móvel), apoie as mãos no seu assento, uma de cada vez; ou seja, ficará de joelhos com as mãos apoiadas na cadeira – mas não se aproxime demasiado, terá de deixar espaço suficiente para o passo seguinte;

- todos nós temos uma perna mais forte, digamos, ou em que confiamos mais; pois bem, sempre de joelhos e com as mãos no assento da cadeira, erga essa perna a 90 graus, apoiando o pé totalmente no chão e mantendo a outra perna ajoelhada;

- este é o passo fisicamente mais difícil, mas também quase o último: fazendo força sobre o assento da cadeira e sobre o pé que já está no chão, vá-se erguendo lentamente até ficar totalmente de pé;

- uma vez de pé, vire-se lentamente e sente-se na cadeira que usou como apoio, para descansar um bocado.

Atenção, mesmo que se sinta bem é sempre boa ideia contactar o 112, ou algum serviço médico que use, para ser vista. É que nem sempre uma lesão sofrida numa queda é visível ou tem consequências imediatas.

Já agora, talvez seja boa ideia treinar várias vezes este movimento na presença de outra pessoa que possa dar uma ajudinha caso sinta dificuldades e isto por duas razões. Primeiro, será mais fácil não entrar em pânico caso caia, uma vez que sabe exatamente o que deve fazer. Segundo, caso verifique que não consegue mesmo levantar-se, nem mesmo com a ajuda de um “leigo”, se cair a sério escusa de gastar forças e tempo a tentar levantar-se, ligando pois de imediato para o 112.

Para a semana: Fraudes. Na Internet ou na “vida real”, são um perigo crescente para quem vai para novo

0