Poder-se-á pensar que, com tanto tempo livre a “cair-nos do céu” quando nos reformamos não haveria grande necessidade de procurar e seguir dicas que nos facilitem a vida e nos deixem desocupados durante uma boa parte do dia. Mas há boas razões para o fazermos.
Primeiro, em vez de passar o tempo a limpar e a tratar da casa, roupas, etc., não será preferível ocupar essas horas a ler, com um passatempo, em saídas, enfim, em mil e uma coisas que nos divirtam? Segundo, por muito boa que seja a nossa forma física atual, talvez seja boa ideia começar a tomar medidas que nos permitam continuar a ser independentes quando isso começar a mudar.
Já dei, anteriormente, algumas destas dicas, mas sempre em posts mais específicos de alimentação, cuidados pessoais, etc. Desta vez decidi reunir algumas que abranjam os aspetos principais da nossa vida. Atenção, não digo que tenha de as cumprir – eu própria nem sempre o faço – mas passe uma vista de olhos e veja as que se coadunam mais com o seu estilo de vida e modo de ser.
Comecemos pela roupa de casa.
Quando se chega a uma certa idade, é normal ter uma boa coleção de lençóis e toalhas de mesa. O problema é que muitos são de tecidos mais antigos e quase sempre pouco práticos. O ideal, mesmo se tiver quem lhe faça umas horas em casa a cuidar dos trabalhos mais pesados, é investir em peças que não exijam ser passadas a ferro.
Sim, é uma despesa adicional, mas não precisa de uma grande quantidade: dois conjuntos de verão e dois de inverno (se optar por lençóis de flanela, o que recomendo vivamente) e duas toalhas de mesa para o seu dia-a-dia. Há agora uma enorme variedade, a dificuldade poderá estar na escolha.
E faça o mesmo tipo de vistoria à sua roupa pessoal, pelo menos a que usa mais frequentemente, tendo em conta a facilidade de lavagem e, sobretudo, de secagem. Há, também, um outro aspeto a ter em conta, a dificuldade em vestir uma determinada peça.
De que serve ter uma blusa linda, se tem inúmeros botões minúsculos e leva uma eternidade a apertá-los (ou a desapertá-los)? Ou saias que exigem quase movimentos de contorcionista para as apertar? Lembre-se, em termos de vista e de agilidade corporal e de mãos, as coisas não melhoram à medida que se vai para novo.
Quanto ao calçado, mais uma vez, pense na sua comodidade. Aos 20 ou 30 (ou mais) sacrifica-se, muitas vezes, de boa vontade o conforto ao que está na moda, equilibrando-nos em saltos quilométricos ou enfiando à força os pés em sapatos estreitinhos. Mas uma das vantagens de ser longevo é podermos esquecer tudo isso e vestirmo-nos e calçarmo-nos como queremos, sem olhar ao “que se usa”. É claro que, como já o tenho dito, isso não significa desleixo, podemos estar confortáveis e com um ar arranjado.
E não se esqueça, em relação ao calçado o mais importante é usar algo que seja seguro: solas com aderência e sapatos que nos deem um bom equilíbrio.
Passemos à casa. Uma vida longa significa, muitas vezes, o acumular de muitos objetos e móveis, todos eles a precisarem de ser limpos. Como sugeri anteriormente, pense em guardar a maior parte deles expondo só alguns, que vai mudando regularmente. Este sistema tem duas vantagens: facilita a limpeza e, como só tem meia dúzia de coisas à vista, é mais fácil apreciá-las.
Quanto aos móveis, não espere até ter problemas de mobilidade para melhorar a circulação na sua casa. Estude os que tem: adora-os, são-lhe mesmo indispensáveis? Ou estão ali apenas por estar? Mais ainda, serão os ideais para si? Por exemplo, em vez dos sofás atuais, que tal substituir um deles por um bom cadeirão confortável? Ou, em vez de uma estante aberta, onde entra facilmente poeira, uma fechada, nem que seja com portas de vidro?
Acima de tudo, analise a sua casa sob o ponto de vista de evitar coisas em que possa tropeçar ou escorregar – pernas de móveis, tapetes soltos, banquinhos e mesinhas que tem de contornar nos seus percursos usuais. E se gosta de tapetes de quarto e sempre os teve, lembre-se que são um dos maiores causadores de quedas em longevos. Troque-os, pois, por outros mais pesados e com maior aderência – por exemplo, eu pus um tapete de exterior que era impossível deslocar acidentalmente.
Finalmente, a cozinha. Para além de pensar em usar “engenhocas” que lhe facilitem, de facto, a vida – como uma air fryer, de que me tornei grande fã – há inúmeras coisas que pode fazer para não ter de passar horas a cozinhar – a menos que seja esse o seu passatempo favorito, claro – e que têm, muitas delas, a vantagem adicional de reduzir os desperdícios.
Olhou recentemente para a secção de congelados de um supermercado de tamanho razoável? A variedade aumenta constantemente. Já não há apenas legumes congelados, por exemplo, vemos agora misturas interessantes, como feijão-verde e cenoura. E para um longevo que viva sozinho, são ideais uma vez que permitem variar imenso uma vez que duram imenso tempo.
E há outras coisas. Como cebola picada congelada, uma opção fantástica para quem só gasta um bocadinho de vez em quando – também pode congelar a sua, mas, a menos que tenha acesso a cebolas muito baratas e boas, não compensa o trabalho que dá.
Lembre-se, também, que há muitas coisas que dão o mesmo trabalho quer se faça muito ou pouco, por isso mais vale fazer bastante e congelar o que sobra para uma futura refeição sem muito trabalho. Faço-o sempre com massas (esparguete, fusilli...), favas, arroz branco...
Ou seja, sempre que cozinhar ou que vá a um supermercado, olhe para as coisas em termos de como lhe podem facilitar a vida. E lembre-se, estão sempre a aparecer novidades, algumas até bastante interessantes.
Para a semana: É bom ser longevo. Pôr de parte ideias e estereótipos que já nada têm a ver com os novos longevos.