Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo".

200 - Sismos, como agir

Algumas recomendações para o antes, o durante e o depois

Devido ao acontecido nos últimos dias, refiro-me, claro, aos sismos na Venezuela, decidi alterar o post desta semana. Que é, diga-se de passagem, o primeiro deste blogue que publico na minha nova “casa”. E, contra o costume, este post é muito similar ao que publiquei ontem no meu outro blogue, aqui, em que falei bastante de agregado familiar e família.

Sei bem que sempre que há uma catástrofe destas algures no mundo as nossas televisões enchem-se de peritos de todos os tipos para responderem à eterna pergunta: está Lisboa preparada para uma repetição do terramoto de 1755?

Só que a ênfase tem mais a ver com edifícios, proteção civil e assuntos similares, ou seja, áreas fora do alcance da maioria da população – sim, é muito bonito dizerem, veja se o seu prédio está feito a pensar em sismos, mas... e se não estiver? Mudamos de casa? Com a atual situação da habitação em Portugal, não me parece viável, sobretudo para quem já tem uns aninhos e um grande apego “à sua casinha”. O máximo que poderemos realisticamente fazer em relação ao nosso lar é investigar a hipótese de incluir no seguro a cláusula sismos.

Mais ainda, lembro que apesar de falarmos do Terramoto de Lisboa, quando nos referimos ao de 1755, este afetou muitas outras zonas, na época pouco povoadas, ao contrário do que se passa agora. Por isso, e com exceção de certas zonas do nosso país consideráveis estáveis, não custa nada prepararmo-nos para o caso de acontecer uma catástrofe.

Comecemos pelo ANTES.

É sempre aconselhável ter um plano para este tipo de emergência. É claro que é impossível saber exatamente como as coisas se irão passar, mas há alguns pontos que pode preparar com antecedência.

Como o célebre kit de emergência, de que tanto se falou por altura das tempestades que nos assolaram há uns meses – também eu lhe fiz referência na altura. Não faltam sites da Internet com eles à venda ou, simplesmente, com listas de coisas a incluir.

Mas quero destacar dois pontos. Primeiro, o conteúdo é pessoal, ou seja, há sempre artigos que dependem da pessoa a quem se destinam – por exemplo, se sente muito o frio mal põe o nariz fora da porta, convém incluir algo que o proteja um pouco. Segundo, de nada serve ter um kit súper completo se for pesado demais para si.

Mesmo assim, acho básico incluir uma lanterna (com pilhas adicionais), um rádio, um estojo de primeiros socorros, o carregador do telemóvel (e, mais importante ainda, um powerbank), uma pen com cópias dos documentos mais importantes e os medicamentos que toma diariamente – como vê, tudo isto dá um saco pequeno e leve que pode deixar junto à porta.

Pode, também, incluir os chamados cobertores espaciais, são muito leves e úteis. Também algumas barras energéticas e frutas secas, sobretudo se tem problemas caso passe bastantes horas sem comer. E, se aguentar o peso, uma garrafa de água – nem que seja pequena, sempre é melhor que nada.

Quanto aos medicamentos, veja se tem para pelo menos uma semana. E se lhe são mesmo imprescindíveis, tente ter uma reserva para mais tempo, sobretudo se não são facilmente substituíveis por algo similar. E não se esqueça de os ir mudando, pondo-os a uso e substituindo-os por novos.

Há um outro artigo que nunca vejo referido e que acho, pessoalmente, muito útil: uma bengala, mesmo que habitualmente não a use. Ou, melhor ainda, dois bastões de caminhada. É que, havendo destroços, inclusive nas escadas, é mais fácil passar se tivermos algo a que nos apoiarmos.

Disse acima que não podemos mudar de casa, mas há coisas que podemos fazer. Por exemplo, certifique-se de que não tem coisas pesadas penduradas por cima da sua cama ou do local onde costuma estar sentado. Veja, também, se as estantes que possui estão bem presas à parede e se os objetos pesados ali postos estão nas prateleiras de baixo. E tente garantir que os acessos à porta de saída estão normalmente desobstruídos.

Passemos ao DURANTE.

Se estiver a conduzir, pare mas tente fazê-lo num local seguro – longe de edifícios, sobretudo degradados ou altos, pontes, muros altos, árvores – tentando não bloquear a via de circulação. É claro que se estiver num engarrafamento ou num local com muito trânsito, pare, simplesmente, e tente pôr-se a salvo.

Se estiver na rua, mas a pé, tente afastar-se também de edifícios, árvores, etc., ou seja, coisas que possam tombar-lhe em cima.

Se estiver dentro de um edifício, todas os sites são unânimes, a regra é “Baixar, Proteger e Aguardar. Ou seja, enfie-se debaixo de uma mesa sólida (caso consiga baixar-se) ou ponha-se sob uma viga – são claramente visíveis em muitas casas. Acima de tudo, afaste-se de janelas, espelhos e objetos pesados que possam cair-lhe em cima. E como as coisas acontecem rapidamente, talvez seja boa ideia ver antecipadamente os melhores locais de cada divisória da sua casa.

E tente proteger a cabeça (daí dizerem para se meter sob algo sólido – bom, se cair uma viga pesada ou o edifício desabar, não ajuda muito, mas evita que nos caiam em cima pequenos detritos). Quanto ao aguardar, a recomendação é que se espere até os tremores pararem antes de tentar sair.

Quanto pararem, saia de casa, mas use apenas as escadas – nada de elevadores, nem que viva num vigésimo andar! E antes de sair, feche a água, o gás e a eletricidade – se não o sabe fazer, aprenda e treine com antecedência. E, se vive numa cidade que os tenha, tente dirigir-se a um dos Pontos de Encontro definidos pela respetiva Câmara – só Lisboa tem 86 e pode procurá-los na Internet durante a fase de preparação. São locais considerados seguros e com acesso a assistência.

E mantenha a calma – sim, bem sei que é mais fácil dizê-lo do que fazê-lo, mas este é um dos muitos casos em que entrar em pânico não ajuda, muito pelo contrário.

Último detalhe, se vive num prédio, talvez seja boa ideia ter um plano concertado com os seus vizinhos, sobretudo se tem dificuldades em mover-se. Ou seja, caso ocorra a uma hora em que estão em casa, a ideia é irem ajudá-lo a sair de casa, sobretudo se houver muitas escadas pelo caminho. Já agora, recomendam que não se use o telemóvel ainda dentro de casa.

Para a semana: É oficial, este país não é para idosos. O uso e abuso de coisas feitas online e não só.

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