Ir para novo

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20 - Apoios a sério

Teremos o tipo de apoios realmente necessários?

Segundo parece, ainda somos um país que acredita que há dinheiro para todo o tipo de apoios e ajudas, sem se analisar devidamente a sua real necessidade e consequências. Mas, como o dinheiro é finito, acabamos por ignorar camadas da população e situações que, essas sim, precisavam realmente de alguma ajuda ou, no mínimo, de apoio.

Começo por dizer que sou totalmente contra “benesses” dadas às cegas, mais especificamente apenas porque uma pessoa chegou a uma determinada idade. Sempre me fez confusão que alguém com a pensão mínima tenha direito aos mesmos descontos e gratuitidades de quem recebe três, quatro, cinco mil euros por mês ou mais.

De acordo com o que se passa atualmente, se o dono da cadeia Pingo Doce, passe a publicidade, decidir usar transportes públicos, tem direito ao mesmo desconto no passe de quem pouco mais recebe do que 300 euros!

Como, repito, os recursos de que um país dispõe são finitos, por muito rico que seja, não seria melhor concentrarmo-nos em quem menos tem? Quem leu os meus posts anteriores sabe que isto não significa deixar os reformados “ricos” à sua sorte, muito pelo contrário. Devemos, sim, proporcionar-lhes todo o tipo de apoios e serviços... mas a pagar.

Mas este “bodo aos pobres”, perdão, aos idosos, dado sem olhar a quem, não é a única situação que critico.

Para o Orçamento de 2023, o PS aceitou a proposta do PAN de subsidiar produtos para a menstruação para minorar a “pobreza higiénica”. Fantástico! Ou seja, vamos passar todos a pagar produtos a pessoas em boa idade de trabalhar e que, descontando crianças e idosas, serão talvez um quarto da população.

Mas... e as fraldas e outros produtos para idosos? Sim, um pacote de pensos para incontinência custa mais do dobro de um dos outros, isto se for de marca branca. E as fraldas, então... Quem usa estes produtos ou os compra para algum familiar sabe bem quanto custam e a enorme “renda” que representam todos os meses.

E, sejamos francos, são bem mais importantes para o bem estar e saúde dos idosos do que os tais produtos menstruais – é que para estes há alternativas, sim, os célebres panos usados antes de estes existirem e que até são bem melhores para o ambiente! Sei que também há fraldas de pano, mas acham mesmo que um idoso, muitas vezes com problemas de mobilidade, as consegue usar e lavar?

Mas os idosos tendem a ignorar eleições, não votando, vamos pois gastar os nossos impostos em medidas custosas, inúteis mas que dão votos.

Voltando ao PAN, este desdobra-se em propostas de proteção de animais, nomeadamente contra o seu abandono e maus tratos. E eu até concordo que são atividades criminosas. Mas, mais uma vez, e os idosos? Os hospitais têm sempre uma série deles, sobretudo no verão e época do Natal, a quem não podem dar alta porque ninguém os vai buscar ou responde sequer a tentativas de contacto. Ou seja, foram abandonados como um qualquer animal à beira da estrada. Quantos idosos, com filhos “bem na vida”, vivem miseravelmente e estão sozinhos porque a família não quer saber deles?

Mais o imenso aumento de casos de maus tratos a idosos, não só em lares, onde pelo menos acabam por ser notícia, mas muitas vezes no suposto aconchego do lar? O grande argumento é que “os animais não se podem defender”. E os idosos podem? Mesmo que tenham a coragem de apresentar queixa, neste país de brandos costumes o agressor voltaria logo a casa, ainda mais enraivecido. E se o idoso quiser sair daquele inferno, vai para onde? E com que dinheiro?

E a habitação? Temos bairros sociais cheios de traficantes de droga e outros criminosos a pagarem uma renda ridícula, quando a pagam, e que nem se pensa em expulsar dali porque vem logo o BE e outros similares a berrarem que é discriminação e fascismo e tudo isso – não estou a brincar, aconteceu num bairro do Porto com pessoas que faziam a vida negra aos restantes habitantes.

Mas temos idosos de parquíssimos recursos em casas sem condições e a única “solução” é berrar contra os senhorios... Que tal reservar alguns apartamentos desses prédios para esses “não novos”, para que possam ter um resto de vida em melhores condições? E se o argumento é que “sempre viveram naquela zona e não querem ir para outra”, bom, curiosamente o Estado anda a fechar lares privados com boas condições e a mandar os residentes para outras terras, bem distantes. Por exemplo, aos de um lar dos arredores de Lisboa foi-lhes dada como única opção um perto de Santo Tirso!

Temos ainda as cantinas universitárias, com refeições subsidiadas por todos nós para todos os estudantes. A sério? Quem enche a vida noturna? Quem gasta várias vezes esse valor numa tarde num café? Ou seja, é mais um apoio dado às cegas e que nos custa bem caro. Que tal criar, em vez disso, senhas dadas a idosos com reformas abaixo de um determinado valor e que pudessem gastar num café, supermercado ou restaurante? Era certamente dinheiro mais bem empregue.

Como último ponto, falemos de apoios ao andar. Sabem quanto custa um andarilho? Uma boa bengala, das que têm uma base estável? Uma cadeira de rodas? Sim, bem sei que supostamente a Segurança Social analisa os pedidos e até lhes dá provimento... ao fim de vários anos, mais uns tantos à espera de receber a autorização de compra. E, entretanto, que qualidade de vida têm essas pessoas?

Mas não há problema, a eutanásia está em vias de ser aprovada, com esta continuada falta de apoios e de qualidade de vida, ainda há fila para a pedir, com a consequente diminuição do montante gasto em pensões!

Para a semana: Família não há só uma. Sim, família não tem de ser apenas biológica...

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