Já tenho falado de férias, sobretudo quando se toma conta dos netos durante uma parte desse período ou quando é a única altura em que se vê a família. E também em viajar quando se vai para novo, nomeadamente em Viajar é preciso e Viajar sem sair de casa – atenção, estes posts já têm algum tempo e os links para sites externos ali indicados já não funcionam. Mais adiante indicarei outros que são válidos neste momento.
Começo por lembrar que o conceito de “férias” tem evoluído muito, tanto no seu significado como na sua abrangência. E quando o setor agrícola era um dos mais pesados em Portugal ocupando uma boa parte da sua população, é claro que isso era, para os que se dedicavam a ela, uma “coisa da cidade”, sobretudo para os que criavam animais.
Hoje em dia significa, para a maioria, sair de casa, nem que seja por uns dias, ir para outro local cá dentro ou no estrangeiro, enfim, viajar. Ou passar os dias numa praia, nem que para isso seja preciso passar horas num transporte e disputar um pedacinho de areal com muitos outros veraneantes.
Mas não tem de ser assim, sobretudo para quem já está reformado. E esqueça aquela ideia, ainda muito divulgada, de que um reformado está sempre de férias – se o termo for sinónimo de “sem ocupação oficial”, então sim, é verdade. Mas o conceito surgiu para criar uma diferenciação entre dois períodos do ano, o do trabalho e o do lazer, e podemos sempre fazê-lo, embora de outro modo.
Se falamos de férias = saída de casa, repito o que já tenho dito anteriormente, a menos que laços familiares a isso o obriguem (férias dos netos em idade escolar, por exemplo), não há qualquer razão para que um longevo tire férias na chamada época alta. Para além de estar mais calor, há multidões por todo o lado – a menos que se tenha muito dinheiro e se possa pagar um local mais isolado, ou seja, de luxo. A época baixa tem muito menos gente, é mais barata e o clima costuma ser mais ameno – mas informe-se, claro, antes de se pôr a caminho.
Mas se não pode viajar, por razões financeiras ou físicas, isso não é um óbice a que tenha umas boas férias. A ideia aqui é olhar para esse período como uma mudança total na sua rotina. Por exemplo, que tal levantar-se mais cedo e ir dar um passeio aproveitando a frescura da manhã, dormindo, depois, uma boa sesta após o almoço? Se costuma deitar-se cedo, arranje uns filmes ou umas boas séries e faça uma maratona – ou esteja atento à programação televisiva, há fortíssimas probabilidades de a arranjarem por si.
O mesmo quanto à alimentação. Escolha comidas diferentes do usual, pode, até, imaginar-se a viajar e encomendar – ou fazer – comida de um outro país. E em vez de fazer as refeições no seu local habitual, seja a sala de jantar ou outro, opte por uma varanda, o jardim, caso o tenha, ou, até, embale-as e leve-as para um parque vizinho para uma espécie de piquenique.
É também uma boa altura para mimar o seu físico – usar e abusar de cremes para o corpo, experimentar máscaras para o rosto (nem precisa de as comprar, não faltam receitas na Internet de versões caseiras à base de fruta e não só) ou, até, frequentar um spa de dia para cuidados mais profissionais, sobretudo se é algo que nunca faz. Lembre-se, apesar de muitos locais estarem a abarrotar, sobretudo de turistas, há outros que estão bastante vazios devido à debandada geral para férias.
Enfim, altere o mais possível os seus hábitos e rotinas. Se costuma ser uma pessoa muito ativa, sempre a mexer-se, opte por repousar uns dias, pouco ou nada fazendo. Se, pelo contrário, tem uma vida muito parada, por inércia e não por razões físicas, tente mexer-se, sair – e, repito, não tem de ir onde todos vão, não faltam recantos e locais pouco visitados, alguns até na sua própria vizinhança.
Passemos, então, a viagens e turismo. Num dos posts acima citados falei em livros, filmes, televisão e sites com interesse para quem queira viajar, nem que seja apenas só em pensamento. E mesmo que isso não esteja nos seus planos, é sempre bom sonhar e não falta informação por aí.
Blogues de viagens, por exemplo. São aos magotes, em todas as línguas e para todos os gostos e feitios, mas eu gosto bastante destes três, são muito informativos e interessantes, com a vantagem de serem obra de casais portugueses: VagaMundos, Alma de Viajante e Viajar entre Viagens. Falam de bastantes locais, nacionais e estrangeiros, e dão todo o tipo de informações práticas, sendo, pois, muito úteis.
Uma coisa que está cada vez mais na moda são as visitas virtuais a locais diversos. Até algumas das nossas Câmaras aderiram, como a de Vila Franca de Xira, Coimbra e Cascais. Há certamente muitas mais e é um bom modo de saber o que há para ver naquela zona, quer tencione ou não ir até lá. Ou a visita virtual a 25 museus de Lisboa, que encontra aqui. E ainda a Muvitur, que só descobri recentemente, que nos leva em várias experiências e visitas.
Passando aos nossos vizinhos, este site tem visitas virtuais a monumentos e museus de Espanha. E este leva-nos a visitar algumas capitais europeias. Enfim, há um pouco de tudo, como as 7 Maravilhas do Mundo Atual e este com 7 destinos muito diferentes.
Quanto a livros de viagens, este site indica 25 muito bons – e há muitos mais, sobretudo se gosta de ler narrativas mais antigas, em particular as muitas que existem do século 19, muito interessantes sobretudo se lermos, antes ou depois, sobre a mesma região nos dias de hoje. Reforço o que tenho dito noutros posts, a sua biblioteca local pode ser um recurso fabuloso aqui e noutras áreas.
Para a semana: É oficial, este país não é para idosos. O uso e abuso de coisas feitas online e não só.