Já falei anteriormente sobre este tema, em Segurança e Voltemos à segurança, para além de 3 posts dedicados a fraudes de vários tipos: Fraudes, Fraudes “eletrónicas” e Voltemos às fraudes. Mas há sempre “novidades”, infelizmente, nesta área e coisas que ficaram por dizer ou que convém realçar.
Começando pela Internet, temos agora um fenómeno curioso, a proliferação de anúncios de sites onde mulheres com mais de 50 anos poderão conhecer homens com vista a uma futura relação. E os dos anúncios são sempre bonitões e elegantes. O título é sempre “Nunca é tarde demais” ou algo similar, sentimento com que concordo plenamente, sobretudo numa sociedade cada vez mais longeva.
O problema é que a linguagem desses anúncios faz-me ter sérias dúvidas sobre o que realmente se passa. Como mencionei num dos posts acima citados, é muito fácil convencer uma mulher de uma certa idade, pouco experiente nos meandros da Internet, a revelar um monte de dados pessoais a um estranho com quem pensa ter uma relação no mínimo de amizade. Aqui, a ideia a ter firmemente em mente é a velha expressão, “Na Internet ninguém sabe quem és”. Ou seja, o bonitão sensível e interessado pode ser, na realidade, um simples programa para sacar dados ou alguém que “lança a escada” a dúzias de mulheres para ver se caça alguma.
De certo modo, isto pode ser visto como um passo em frente na equidade! É que até agora, estes anúncios e sites atacavam apenas homens...
Passando à segurança em geral, e agora que se aproxima o período usual para tirar umas férias de verão, é altura de referir avisos dados frequentemente pela Polícia e não só mas que continuam, infelizmente, a cair em ouvidos moucos.
Nomeadamente, caso se vá ausentar durante uns dias ou semanas, deixando a sua casa fechada e sem ninguém, não o anuncie aos sete ventos e nunca na Internet – a menos que tenha definições de privacidade altamente restritas e conheça, de facto, todos os “amigos” que tem nas redes sociais, guarde esta novidade para familiares e amigos chegados.
É claro que todos gostamos de falar das férias que fazemos, mas que tal fazê-lo à posteriori? Imite o exemplo do Almirante Américo Tomás, Presidente da República antes do 25 de abril, que era conhecido como o “Sr. Esteve”. É que nunca anunciavam onde ia estar, a notícia era sempre, “esteve em...”
Já agora, recordo o Programa Chave Direta da PSP, que decorre, geralmente, entre 15 de junho e 15 de setembro, em que a polícia vigia a sua residência enquanto está de férias. É um serviço gratuito disponível nas áreas de jurisdição da PSP. Basta inscrever a sua casa, com pelo menos 48 horas de antecedência, o que pode fazer presencialmente numa esquadra ou em ePortugal. E sim, também abrange apartamentos. Para saber mais sobre este Programa, pode ver este vídeo.
Recomendação final, se costuma receber toneladas de correio, peça a um familiar ou vizinho que o recolha – uma caixa cheia pode ser um indicativo da ausência do proprietário.
Quanto à segurança na rua, é, certamente, boa ideia não ter tudo junto, passe de transportes, documentos, dinheiro e cartões Multibanco e de crédito. Separe-os o mais possível em várias bolsas, postas em locais diferentes da carteira. E se não costuma usar o seu cartão de crédito, deixe-o em casa. Último conselho, é boa ideia ter pelo menos uma nota de 20 euros guardada num sito totalmente diferente e improvável – se for roubado, terá pelo menos o suficiente para pagar transportes públicos e voltar a casa.
Passemos à segurança em casa. Tenho recomendado que tenha sempre consigo o telemóvel, de preferência suspenso do pescoço com um fio ou numa bolsinha – esta protege-o mais em caso de uma queda. Leve-o, também, para o quarto de banho quando toma duche ou banho, pondo-o junto à banheira / cabina de duche de modo a ser acessível caso caia e não se consiga levantar – mas sem que corra o risco de cair à água, claro.
Mas há outros objetos que o podem ajudar a pedir ajuda.
Se vive com alguém – ou se tem alguém longevo a seu cargo – há os chamados botões de alarme, em diversas modalidades. Tive em casa, durante anos, um muito simples: um botão que ficava junto aos meus pais e a base, digamos, que ficava comigo. Se precisavam de alguma coisa, premiam o botão e eu ia ver o que se passava. E de noite ficava na cama entre eles – bom, esta solução não é ideal caso a pessoa se mexa muito, virando-se frequentemente, uma vez que pode ir parar em cima do dito botão.
Teoricamente, têm um alcance de 15 a 20 metros, dando, pois, para uma habitação normal. Mas o valor real é de cerca de 200 metros, dependendo da espessura das paredes e outros obstáculos. Ou seja, caso viva sozinho e tiver um vizinho ou vizinha com quem se dá, pode sempre verificar se funciona entre as duas casas e deixar lá a base.
Uma outra solução é contratar um serviço de Teleassistência – ao premir o botão, envia um sinal a uma equipa de assistência. E como tem GPS incorporado, esta saberá onde encontrá-lo caso não responda quando lhe ligam. Encontrei um que fica por cerca de 200 euros por ano. Já agora, as empresas de segurança incluem um botão de pânico quando instalam um sistema numa moradia ou apartamento, mas o de Teleassistência funciona fora de casa.
A hipótese final – e melhor – é a chamada pulseira SOS. Põe-se como um relógio e tem apenas 4 botões: SOS, 2 números programados e alta voz. E inclui GPS. Encontrei uma por cerca de 160 euros e existem outras versões, como ser um pendente em vez de pulseira ou numa versão mais sofisticada (e cara) de relógio com muitas outras funções.
É uma solução ideal para quem tem um familiar com Alzheimer ou similar, caso “escape” de casa, quem o encontrar pode sempre tentar um dos dois números programados, agilizando, assim, o seu regresso.
Quer viva ou não só, talvez não seja má ideia ir estudando estas soluções – e há uma oferta cada vez maior. É que mesmo que viva com um filho ou filha, é inevitável passar uma boa parte do dia sozinho, assim, estará mais protegido em caso de acidente.
Para a semana: Falemos de férias. Sim, são mais em julho e agosto, mas o ideal será evitar as épocas mais congestionadas.