Com o tempo a começar a aquecer e a proliferação cada vez maior de produtos da época, está na altura de voltar a falar de alimentação e por duas razões principais. Primeiro, com o calor apetece menos – ou nada – cozinhar e surge a tendência de comer coisas que não nos fazem lá muito bem. Segundo, com uma maior quantidade e variedade de frutas e vegetais, é boa ideia abastecer-nos para o verão e, até, para quando são menos abundantes e mais caros.
Sim, já referi várias vezes que os vegetais congelados, nomeadamente couve-flor e brócolos, são uma melhor opção para quem vive só. Mas se os vir com bom aspeto e melhor preço, bom, pode sempre comprar e congelá-los, não faltam indicações online – e em livros e revistas – sobre como fazê-lo.
O mesmo para a fruta, desde que se lembre que a congelada não é muito boa comida assim, costuma mais ser usada em sumos, batidos e similares. O que me leva ao primeiro tema do dia, sumos e smoothies, estes agora muito na moda. E não me refiro ao mero sumo de laranja, pode fazê-los bem alimentícios, capazes de quase substituírem uma refeição. E dá para usar praticamente tudo, de vegetais (beterraba, espinafres e aipo, nomeadamente) a fruta diversa, iogurte, leite, gelado e bebidas vegetais.
O ideal é usar um liquidificador. E se não tem um, há agora à venda uns pequenos destinados a sumos que são muito bons – comprei um e tenho-o usado bastante. Há inúmeras receitas por aí, mas porque não ir experimentando? Por exemplo, eu acho toda a fruta muito doce, por isso uso sempre beterraba (que congelo) ou espinafres, frescos ou congelados, como base, juntamente com um bocadinho de aipo. Como têm sabores fortes, “abafam” os das frutas que junto e permitem-me diversificar mais a minha alimentação. E não precisa de usar sumo de laranja como líquido, nesta época do ano pode muito bem substituí-lo, todo ou em parte, por melancia.
Pode, também fazer os seus sorvetes de fruta, que usam, basicamente, polpa de fruta – só uma ou uma mistura. Há os à venda, mas assim saberá exatamente o que contêm. E não precisa de ter uma máquina de gelados – já agora, o gelado é feito à base de leite ou natas ao passo que um sorvete tradicional não é usual tê-los. Basta, apenas, ir mexendo, de hora a hora, enquanto está a congelar, para desfazer os cristais de gelo e torná-lo mais cremoso.
Com tudo isto, pode aproveitar fruta boa à venda por um bom preço e que não costuma comprar porque se irá estragar antes de a usar toda. E pode sempre deixar um bocadinho para comer simplesmente como fruta nos dias seguintes.
Esta é também uma boa altura do ano para se abastecer de elementos que poderá descongelar e usar rapidamente em pratos frios ou quentes: favas já cozidas, grão-de-bico, milho (o resto de uma lata que abriu, por exemplo), massa fusilli, camarão cozido, tentáculos de pota cozidos, carne assada, leitão, frango assado...
Basicamente, congele tudo, mas já em porções individuais se for, depois difícil de separar – favas, grão-de-bico, milho, arroz cozido, podem ser postos num único saco. Lembre-se, há coisas, como favas, arroz e massa, por exemplo, que demoram a cozer, por isso mais vale fazer logo mais para sobrar.
E vá vigiando a secção de produtos em fim de prazo do seu supermercado, eu, por exemplo, costumo comprar o camarão cozido nessa altura, separando-o mal chego a casa e congelando em doses individuais, umas vezes com casca, outras – se tenho mais tempo – sem ela. A carne assada e o leitão também têm resultado muito bem para mim.
Tendo toda essa variedade, é fácil compor rapidamente um prato quente – ter um wok é particularmente útil para fazer “misturas” – ou frio, tipo salada muito completa a servir de refeição. Ou pode embarcar numa tendência agora muito na moda, as chamadas tigelas poke. Teoricamente devem levar atum ou salmão cru, mas eu faço as minhas próprias versões com o que tenho à mão – ficam uma espécie de versão portuguesa, tigelas “pokesa”... Mas permitem criar arranjos bonitos de cores e texturas e, como sabemos, os olhos também comem.
Para terminar, uma outra tendência da moda que decidi experimentar e de que estou a gostar: saladas em frasco. Há imensas referências e receitas por todo o lado, eu optei por usar frascos herméticos pequenos e não incluir carnes nem peixes, só a salada em si, acrescentando depois o que tiver ou me apetecer.
Preparo 3 a 4 de uma vez e fico com outras tantas refeições para essa semana – bom, a ideia era serem para o jantar, mas às vezes uso-as ao almoço. Há alguns ingredientes que incluo sempre, como tomate, cebola, cenoura ripada, azeitonas cortadas, pimentinhos e salada (costuma ser uma mistura de alfaces e rúcula). E há um elemento que varia: grão-de-bico, favas, lentilhas, quinoa, massa fusilli ou outra...
Crio uma espécie de linha de montagem e, em menos de nada, tenho tudo feito. A vantagem é ter várias refeições prontas e, também, fazer um molho como deve ser uma vez que é uma quantidade maior.
São muito fáceis e versáteis, basta respeitar as regras de colocação das várias camadas: primeiro o molho; depois, elementos mais duros como tomate, pepino, cenoura, grão, etc.; segue-se a proteína, caso a queira incluir, frango, queijo, atum de conserva ou outro., etc.; depois elementos mais macios, como milho, fruta, caso a inclua, azeitonas, sementes; finalmente, a salada em si. Calca-se e enche-se muito bem o frasco para não deixar uma camada de ar em cima. E vai para a geleira.
Pode-se comer diretamente do frasco, pessoalmente prefiro virá-lo para um prato ou taça, fica mais bonito e permite-me pôr por cima queijo feta, ervinhas diversas, uns croutons e, caso o queira, misturar-lhe outros elementos como frango desfiado, e camarão.
Tal como com os sumos, siga a sua inspiração e tente variar alguns elementos, pelo menos nas que faz para a mesma semana. E tendo-as, poderá, até, decidir ir até um parque vizinho e fazer uma espécie de piquenique...
Boas refeições!
Para a semana: Mais sobre segurança. De botões de pânico a cuidados a ter.