Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo".

194 - Sejamos flexíveis

Perante o tempo instável que temos tido nos últimos dias – e que, segundo parece, vamos continuar a ter – decidi alterar o tema desta semana, até porque iria falar sobretudo de alimentação de verão.

Aposto que, atendendo ao calendário e ao país supostamente de clima ameno em que vivemos, muitos de nós já tínhamos arrumado as nossas roupas mais quentes e o calçado mais forte, confiantes de que só voltariam a ser precisos daqui a uns meses. Mas afinal... lá tivemos de voltar atrás, pelo menos parcialmente.

E para quem tinha planos para aproveitar o bom tempo antes da chegada do máximo do calor e das enchentes de verão, este percalço climatérico é ainda mais exasperante. Sobretudo porque, com esta autêntica montanha-russa de dias quentes seguidos de outros mais frescos, ventosos e com chuva, ficamos muito mais atreitos a apanhar uma valente gripe ou constipação, isto numa altura em que também pensávamos já estar livres disso.

É claro que a reação natural, como seres humanos que somos, é bramar contra este azar, logo agora que tínhamos tantos planos de saídas e passeios. Mas isso não nos leva a lado nenhum, ou antes, só piora a situação: continuamos a não poder realizar esses projetos e ainda ficamos com má disposição, o que acaba de estragar o dia.

Pois bem, como o título deste post indica, talvez não seja má ideia enfrentar este tipo de situação com alguma flexibilidade. E, a menos que tenhamos comprado bilhetes para algum local ou espetáculo, não há, certamente, qualquer problema em mudar de intenções perante a situação meteorológica, ir para novo significa, precisamente, podermos dispor mais à vontade do nosso tempo.

A minha sugestão é que faça duas listinhas – sim, bem sei que já está a pensar, lá vem esta com a sua mania das listas, mas, acredite, pôr as coisas no papel pode ajudar muito a ter uma visão mais clara e facilita tomar uma decisão. Duas listas, pois, uma para o caso de o tempo não estar convidativo e a outra caso esteja.

E de manhã, ao levantar-se, consulta as previsões meteorológicas para esse dia e, perante elas, decide, então, o que irá fazer. Sim, não basta olhar lá para fora e decidir que vai estar sol ou chuva, quantas vezes o dia começa bem e acaba mal e vice-versa, em termos do tempo que faz, bem entendido. Mesmo as previsões nem sempre acertam a cem por cento, apesar de toda a tecnologia que envolvem hoje em dia.

A grande ênfase aqui é aproveitar bem o seu tempo e divertir-se, faça chuva ou faça sol. Já agora, um dia chuvoso, mas não em demasia, pode ser ideal para ir visitar a fundo um museu, em vez de desperdiçar um dia soalheiro passando-o entre quatro paredes, por muito atraente que seja o seu conteúdo. Ou seja, não estar bom tempo não significa, necessariamente, ficar em casa, há inúmeras coisas que pode fazer e locais a visitar, a menos que a sua saúde não o permita, bem entendido.

Resumindo, faça planos fluidos, que possa ir alterando e “baralhando” de acordo com as circunstâncias. E, acima de tudo, evitar programas de pedra e cal, a cumprir à risca, poderá perder, assim, muitas coisas boas – por exemplo, imagine que decidiu ir a um certo sítio mas descobre que há uma festa / atividade interessante noutro, não será bem melhor alterar os seus planos em vez de os manter apenas porque estão feitos?

Mas este é o tipo de atitude que seria desejável ter, também, face à nossa vida em geral. Lá diz o velho ditado, “o homem põe e Deus dispõe”. Quantos dos que vão para novos olham para a reforma que se aproxima e pensam, vai ser tão bom, vou finalmente fazer isto ou aquilo, viajar, estudar, enfim, um sem número de projetos de coisas que fomos adiando para quando estivermos livres de obrigações. Mas quando chega a altura, as coisas nem sempre correm como esperávamos, quer por contratempos externos quer por razões internas.

Pode surgir uma doença, dificuldades financeiras, ser preciso prestar ajuda a um familiar – sobretudo no caso da tal geração sanduíche, a que já está reformada mas ainda tem os pais vivos e a precisarem de apoio. Ou aquilo que planeámos quando tínhamos 40 ou 50 anos já não parece tão apetecível agora que chegou a altura prevista para o fazermos.

Também aqui temos duas opções: lamuriarmo-nos da nossa pouca sorte ou alterar o que tínhamos projetado, ou seja, sermos flexíveis e mudarmos conforme a nossa vida e as suas circunstâncias mudam. Não podemos viajar fisicamente, pelas mais variadas razões? Bom, pode não ser a mesma coisa, mas há cada vez mais locais do mundo de que há vídeos e documentários completíssimos, isto para não falar no Google Earth e nos muitos museus que têm visitas virtuais.

Não podemos frequentar uma Universidade Sénior, por exemplo, ou uma aprendizagem? Tudo bem, não faltam cursos e vídeos instrutivos ao nosso dispor na Internet e bem mais variados dos que os proporcionados em estabelecimentos de frequência presencial.

O importante é a nossa atitude nestas situações. Em vez de cruzarmos os braços e desistirmos de tudo, porque “não vale a pena”, não será bem melhor tentar arranjar uma alternativa que possa fazer? E quem sabe, até poderá ser algo em que nunca tinha pensado mas que acaba por lhe agradar bastante.

Em suma, espírito aberto e flexível para sermos como a cana e não como o carvalho da fábula: dobrar com o vento em vez de quebrar devido a uma rigidez excessiva.

Para a semana: Voltemos à alimentação. Com a chegada do bom tempo, algumas sugestões para comer bem e sem muito trabalho.

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