Ir para novo

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192 - Dia da Mãe

Aproxima-se mais um Dia da Mãe – e sim, sei que para muitas longevas a data “real”, a única que conta para elas, continua a ser o 8 de dezembro, mas optei aqui pela que está atualmente definida. Bom, por enquanto, esperemos que a brigada woke não comece a implicar e lhe passe a chamar “Dia da Pessoa que Amamenta” ou algo similar.

Para muitas mulheres é um dia muito agradável, quer como mães ou avós quer como filhas. Sim, com o atual prolongar das nossas vidas, podemos muito bem ser as três coisas ao mesmo tempo! E por muito que digam que dia da mãe é todos os dias – e devia sê-lo – acho bem que se selecione um para um tratamento um pouco mais especial. E nem precisa de ser muito complicado, é uma daquelas ocasiões em que estar presente e dar alguns carinhos extras contam muito.

Infelizmente, pode ser, também, um dia bastante deprimente, quer pela ausência – deliberada ou involuntária – dos filhos e netos quer pela sua não-existência. Não me refiro aqui a quem nunca quis ter filhos, é uma opção de vida perfeitamente válida. Mas há quem os quisesse desesperadamente sem alcançar esse objetivo ou, talvez pior ainda, os tenha tido e perdido, entretanto, vítimas de acidentes, doenças ou outras causas.

Temos, também, as ausências neste dia. Com a enorme emigração de jovens que temos, tornou-se quase normal que muitas mães se vejam limitadas a um telefonema neste dia – ou, com sorte, uma chamada vídeo. Mas pelo menos sabem que se lembraram delas e que a não-presença dos filhos se deve aos ditames da vida. Pior ainda é quando os filhos – ou netos – até estão perto mas se “esquecem” desta e de muitas outras datas, com visitas cada vez mais esporádicas e curtas. E, sobretudo para quem vive só, na sua casa ou num lar, isto pode ser um tremendo motivo de depressão.

Já agora, se tem uma mãe ou avó num lar porque sofre de Alzheimer ou outra doença similar, vá visitá-la à mesma nesse dia – ela pode não se recordar ou até saber quem é a visitante, mas, acredite, sente-se uma enorme satisfação moral em saber que se fez tudo o que estava ao nosso alcance enquanto essas nossas familiares estavam vivas. E acima de tudo, sempre achei que o Dia da Mãe é tanto para esta como para os filhos (e netos).

Só um pequeno aparte. Podem ter reparado que nunca falei do Dia do Pai neste blogue e muito menos nestes termos. Não foi por considerar os pais menos importantes, muito pelo contrário, mas, na minha opinião, muitas mulheres veem-se, acima de tudo, como mães ou avós, ou o facto de não o terem sido, muitas vezes apesar de terem carreiras e vidas de sucesso no sentido convencional do termo. Já os homens não veem as coisas do mesmo modo, mesmo os que sempre quiseram ter filhos – e sim, há muitos assim.

Pois bem, passemos ao cerne da questão, ou seja, falemos de quem está só neste dia que se queria especial.

Basicamente, há duas opções: remoer o facto de não se ter ninguém nesse dia ou arranjar maneira de ultrapassar a questão. Quem me lê habitualmente sabe que não sou grande fã da primeira, sobretudo porque não resolve nada, muito pelo contrário, se já nos sentíamos mal isso só irá piorar a nossa disposição. Vamos, pois, à segunda.

Em primeiro lugar, há uma certa tendência de invejar, de certo modo, quem tem com quem celebrar esta data, sobretudo se isso é bem visível – um lar, por exemplo, vizinhas ou conhecidas. Não o faça! Lembre-se, essa felicidade das outras não foi conseguida à custa da sua, tente, pois, ficar contente por ver que há quem passe um bom dia festivo. Sim, pode não ser fácil, sobretudo se o faz há muitos anos, mas acredite, quando ficamos felizes com a felicidade dos outros acabamos, mais cedo ou mais tarde, por nos sentirmos melhor.

Em segundo lugar, algo um bocadinho mais difícil, alargar o conceito do termo “mãe”. Na sociedade atual, com as chamadas famílias misturadas – o bem conhecido chavão de “os meus, os teus e os nossos” em termos de filhos – o Dia da Mãe pode tornar-se um bocadinho confuso, ainda mais quando se trata de lidar com netos.

Mas que tal pensar em termos ainda mais genéricos? E não me refiro a crianças adotadas ou às de famílias de acolhimento. Não, nem sequer têm de ser crianças. Passo a explicar.

O conceito básico de mãe, para além de dar à luz, claro, é ser alguém que cuida de nós, que nos dá carinho, a pessoa com quem, presume-se, podemos sempre contar para estar do nosso lado. Mas porquê restringir isso a crianças, biologicamente nossas ou adotadas?

Olhe à sua volta. Sabe aquele vizinho ou vizinha que mal se governa sozinho e não tem quem o ajude? Um seu conhecido que está a passar por uma fase muito má e não sabe com quem falar sobre isso por medo de receber críticas em vez de apoios? Pois bem, seja essa ajuda, esse apoio. Mas não esporadicamente, só quando lhe dá jeito – se pensar bem, se fosse um filho o seu papel na vida dele seria bem mais permanente.

Ou investigue centros de dia ou lares na sua zona e “adote” um ou mais dos seus utentes, em vez de dispersar os seus esforços e atenções por todos eles. Sim, pode parecer estranho uma pessoa já com uns bons aninhos em cima desempenhar este papel com alguém pouco mais velho ou, até, da mesma idade, mas não deixe que isso a trave, não somos todos iguais e uns precisam mais de ajuda do que outros.

É claro que nada disto lhe dará um clássico Dia da Mãe, com presentes e tudo isso, mas terá duas vantagens: esquecerá que não tem ninguém com quem celebrar e sentir-se-á bem consigo mesma por estar a ajudar alguém.

E um bom Dia da Mãe, convencional ou não.

Para a semana: Reforma e não só. Continua a discutir-se a alteração da idade da reforma: aumentá-la ou reduzi-la?

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