Bom, a primavera parece que chegou, finalmente, mas muito instável e com uma quase permanente oscilação de frio e calor, sol e vento. Ou seja, o tempo “ideal” para o tema de hoje.
Muitos, sobretudo os que já têm uns aninhos, veem com grande alívio o fim do inverno com o seu quase confinamento devido ao frio e mau tempo, a ameaça constante de gripes e constipações, sobretudo para quem tem contacto com pessoas que “andam no mundo”, o tempo cinzento a apelar à depressão, enfim, um sem fim de razões para se ansiar pelo bom tempo.
Só que...
Na cidade esquecemos um pouco isso, mas a primavera é a época da floração de inúmeras plantas e, também, da proliferação de insetos e outras criaturas capazes de causarem todo o tipo de problemas. E não é preciso vê-los, muitas das árvores dos nossos passeios florescem de modo tão discreto que nem damos por isso. Mais ainda, o vento cumpre a sua tarefa de espalhar todos os tipos de pólenes, às vezes a enormes distâncias, o que pode não ser nada bom para a nossa saúde.
Como seria de esperar, as principais doenças com surtos na primavera são:
- Alergias respiratórias, nomeadamente sinusite e rinite, provocadas pelo pólen que anda pelo ar. Há até diversos sites que indicam o nível de pó no ar e a sua gravidade para a saúde de quem lhe é suscetível, como este aqui. Os seus sintomas mais comuns confundem-se, facilmente, com os de uma gripe ou constipação, nomeadamente espirros e nariz entupido
- Asma. Quem já sofre de asma, pode ter ataques mais frequentes e agudos durante a primavera, também devido à quantidade de pólen no ar.
- Conjuntivite alérgica. Manifesta-se com olhos vermelhos, lacrimejar e comichão e deve-se, também, ao pólen e poeiras que andam pelo ar.
- Dermatite atópica. Secura e comichão da pele, agravada, nesta época, pelas mudanças sazonais de temperatura.
- Constipações e gripes. As mudanças contínuas – e sobretudo bruscas – de temperatura são muito favoráveis ao aparecimento destas maleitas, precisamente quando pensávamos tê-las deixado para trás com o inverno.
Já falei anteriormente em Alergias e em Dermatites, em que expliquei, também, porque surgem e são mais preocupantes em quem vai para novo. Sendo assim, recomendo a sua releitura para não me repetir demasiado. Direi apenas que os ácaros e poeiras também as podem provocar, sobretudo em quem é mais suscetível a tê-las.
Como recomendações gerais, aqui deixo algumas:
- Se costuma ter sinusite ou alergias fortes nesta época do ano, vigie com regularidade sites com o teor de pólen no ar. E nos dias em que for mais elevado, evite sair e ter janelas abertas, sobretudo em dias de muito vento. Já agora, de manhã cedo e ao final da tarde são precisamente as alturas de maior polinização das plantas, areje, pois, a casa tendo isto em conta. Mas areje-a!
- O uso de óculos de sol pode ajudar com a conjuntivite alérgica, uma vez que são uma barreira adicional para pólen e poeiras. Já agora, se sentir uma comichão, evite esfregar, poderá piorar a situação.
É claro que se os seus sintomas forem graves, deve consultar um médico ou, no mínimo, o seu farmacêutico local, sobretudo se é cliente habitual e a farmácia está familiarizada com a sua medicamentação e problemas de saúde.
Mas há outras questões relacionadas com a primavera e que podem afetar a nossa saúde. A roupa, por exemplo, tanto a de casa como a pessoal. Com o tempo a começar a aquece, muitos guardam a roupa de inverno e põem mais à mão, se não a de verão, pelo menos artigos mais leves e frescos. E para quem usa lençóis de flanela, é a altura em que os trocam pelos normais. Só que,,,
Não se esqueça de que essas roupas estiveram guardadas alguns meses e, por muito limpa que esteja a nossa casa, há sempre poeiras – e não só – que se podem acumular nelas. Por isso, a menos que as guarde em sacos onde fez vácuo, é boa ideia lavá-las antes de as usar pela primeira vez. Bom, não tem de ser uma lavagem profunda, basta “refrescá-las”.
Passemos ao sol. Com o tempo a melhorar, apetece sair, dar umas voltinhas, enfim, arejar – e eu recomendo, vivamente, que se retome a atividade física ao ar livre, caso se tenha parado com ela devido ao mau tempo. Mas, como ainda não é verão, pomos de lado muitas das recomendações feitas para essa estação.
Usar protetor solar, por exemplo. Sim, o sol não está forte, mas lembre-se que a sua pele não lhe esteve exposta durante algum tempo e está mais sensíível. O mesmo é válido para levar um chapéu, pode não parecer mas o sol aquece bastante em certos dias. Quanto aos óculos de sol, talvez seja boa ideia ter uns mais claros para esta época, ajudam, como digo acima, com pólen e poeiras.
E tendo em conta o que disse sobre as horas de maior polinização, escolha outra altura para as suas saídas – isto não quer dizer, claro, que opte pelas horas de calor máximo que, primavera ou não, pode ser feroz nalguns dias.
Lembre-se, também, de que o tempo é bastante instável nesta época – sobretudo este ano... Ou seja, pode sair de casa com sol e sem vento e, passado pouco tempo, arrefecer e o tempo piorar. Sendo assim, para evitar choques térmicos que não são nada aconselháveis, leve sempre um agasalho consigo. Não precisa de ser muito pesado, um casaquinho de malha costuma ser mais do que suficiente e é fácil e leve de transportar. Mas escolha um de malha fechada, que não deixe passar o vento.
Finalmente, a hidratação. Sim, sei que é uma recomendação mil vezes repetida e que é válida para todo o ano, sobretudo em quem vai para novo, mas, caso tenha alergias que lhe causem problemas de nariz e garganta, beber água pode ajudar a aliviar a congestão nasal.
Espero que tudo isto não o impeça de apreciar devidamente esta estação de mudanças e de renovação.
Para a semana: Das intenções ao real. Da Constituição a planos e discursos, não faltam apoios a quem vai para novo...