Pois é, mal começa o bom tempo e a correspondente mudança para roupa mais leve e fresca lá surge o velho problema dos quilinhos a mais acumulados durante o inverno, quer por um certo abuso de “comida de conforto” quer por pouca ou nenhuma atividade física ou, quase sempre, por um misto de ambos.
Há também a “promessa” recorrente de “este ano é que vai ser, vou emagrecer a tempo das férias de verão e da praia”. O problema é que dizemos o mesmo há anos, usamos e abusamos de dietas “milagrosas” e o resultado é sempre o mesmo: nenhum – isto quando não engordamos devido às maluqueiras que fazemos e que nos deixam esfaimados e prontos a atacar tudo o que nos apareça pela frente.
Já falei anteriormente deste assunto em Dietas... serão boa ideia?, há mais ou menos um ano, em que foquei vários aspetos: o facto de dietas rápidas, estejam ou não na moda, serem má ideia em qualquer idade mas sobretudo em quem vai para novo; das razões porque com a idade temos mais facilidade em engordar e menos em emagrecer; como mudar hábitos alimentares para uma perda de peso lenta mas segura; e, claro, exercício físico.
Realcei também o facto de que se começarmos a perder peso apesar de não termos alterado em nada a nossa alimentação ou estilo de vida isso pode ser uma indicação de que algo está errado com a nossa saúde – nem sempre, mas é conveniente marcar uma consulta médica para analisar a situação.
Mantenho, claro, todas as indicações que dei ali e noutros posts sobre nutrição, alimentação – sim, não são sinónimos – e atividade física. Mas a questão principal deste post é uma perguntinha muito simples: porquê esta obsessão com perder peso para o verão?
Atenção, se temos bastante excesso de peso, isso pode ter consequências muito graves sobretudo em quem vai para novo, com um risco acrescido de se sofrer um AVC, ter doenças cardiorrespiratórias e outras. Ou seja, a questão aqui não está na necessidade de emagrecer, que pode ser muito real, mas sim na ênfase dada ao verão.
Bem sei que a roupa de inverno esconde muitas maleitas, mais ainda, se parecemos mais volumosos podemos sempre culpar a espessura dos tecidos e as muitas camadas de roupa usadas. Já no verão... não há mesmo desculpas. Pior ainda, se usamos a roupa do ano, ou anos anteriores e engordámos entretanto, ela fica, inevitavelmente muito justa, às vezes até demais, numa clara declaração pública de que pusemos uns quilinhos a mais.
Que tal fazer algo diferente este ano? Se precisa de perder peso, tudo bem, comece a planear fazê-lo, mas lentamente, de modo saudável e sem olhar para o calendário – ou seja, sem prazos, sobretudo irrealistas. Analise os seus hábitos alimentares atuais e veja o que pode modificar para comer de um modo mais saudável – e com o tempo a aquecer, é bem mais fácil optar por saladas e grelhados de todos os tipos e feitios.
Aumente, também, a sua atividade física. Segundo tenho visto, está muito na moda a chamada Caminhada Tai Chi – há inúmeros vídeos e até apps gratuitas dedicadas ao assunto. E, ao contrário das dietas milagrosas tão badaladas nesta época do ano, mal não faz, muito pelo contrário – experimente.
Mas o essencial é alterar o modo como se apresenta. Sim, os tempos estão difíceis e nem sempre é fácil entrar em despesas adicionais e inesperadas. Mas se a roupa do ano passado está realmente muito justa, a ponto de se sentir pessimamente quando se vê ao espelho, que tal investir em duas ou três peças novas, mais à sua medida? Não me refiro a mudar todo o seu guarda-roupa, comece devagar e escolha bem os artigos de modo a poder usá-los em várias combinações.
Mais ainda, analise as peças que lhe estão demasiado justas e veja se é possível alargá-las um pouco – se não está à altura de fazer essas modificações, não faltam locais capazes de o fazerem por si. E se o artigo é de boa qualidade, valerá, sem dúvida, a pena.
Veja, também, modos de usar a roupa que tem de um modo mais adequado ao seu peso atual – cintos muito apertados, por exemplo, não são boa ideia. Em vez de blusas ou camisas enfiadas, deixe-as soltas por fora. É que, à semelhança do que se passa durante o inverno, tops soltos “disfarçam” muitas gordurinhas, sobretudo na área da barriga – atenção, a ênfase aqui é na palavra soltos.
Evite, também, cores muito garridas e padrões grandes, sobretudo nas suas “áreas problemáticas” – a ideia é não chamar a atenção para elas. E se tem zonas que lhe agradam, tente realçá-las, mas não de um modo exagerado.
Atenção, a ideia aqui não é parecer melhor para os outros mas sim não ficar tão desagradada quando se vê ao espelho, aumentando o seu stress e, até, causando ou aumentando o estado de depressão de que muitos “não novos” sofrem.
Evite, acima de tudo, comparações com o passado. Ou seja, não fique a remoer o tamanho que usava aos 18 anos, nem mesmo aos 40 ou 50. Mentalmente e espiritualmente já não é a mesma pessoa, porque o seria fisicamente?
Resumindo, emagrecer, sim, caso precise de o fazer. Mas não para satisfazer uma imagem sua ou de terceiros relativa ao aspeto que “devia” ter. E nunca, mas mesmo nunca, com disparates – sim, é mesmo esse o termo – tendo em vista conseguir o resultado pretendido a alta velocidade e com prazos quase sempre totalmente irrealistas.
Para a semana: Doenças da primavera. O bom tempo não traz só coisas boas, há doenças associadas a esta época do ano, sobretudo em quem vai para novo.