Ir para novo

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187 - Cãibras

Já lhe aconteceu estar a dormir, acordar e sentir uma dor terrível numa das pernas, tão forte que lhe tira o fôlego, sentindo-se incapaz de se mexer? Ou estar calmamente sentado ou, até, a andar e um dos seus pés ficar “preso? Pois é, uma cãibra pode atacar quando menos se espera e, apesar de não serem perigosas só por si, são sempre bastante dolorosas. E se surgir uma no momento errado, digamos, como ao descer uma escada, por exemplo, as consequências poderão ser mesmo muito más.

Basicamente, uma cãibra é uma contração muscular involuntária súbita. Na nossa mente estão muito associadas à prática de exercício – por exemplo, quem já não sentiu uma quando nadava? Mas podem surgir sem razão aparente, sobretudo durante a noite, sendo mais comuns nas pernas e pés.

O músculo que a sofre fica rígido, duro, podendo, até, ficar saliente – isto no caso de uma cãibra numa perna. Se acontecer num dos pés, os dedos ficam, também eles, rígidos e sentimos que não conseguimos mover o pé ou, até, senti-lo, isto para além da dor intensa. E sim, também podem ocorrer nas mãos, sobretudo se passámos muito tempo com elas na mesma posição – a segurar uma caneta, por exemplo.

Só irei falar das não desportivas, mesmo assim direi que para evitar que surjam durante a prática de exercício – algo que tenho recomendado imenso – é muito importante começar e terminar sempre com alguns alongamentos.

Embora estejamos todos sujeitos ao seu aparecimento, são muito mais comuns em quem vai para novo, sobretudo de noite. Pequena recomendação, se forem muito frequentes e de longa duração – mais de 10 minutos – é altura de consultar um médico, pode haver outras causas para elas.

E por falar em causas, são estas as principais, sobretudo nos longevos:

Desidratação. Pois, cá vem a tão repetida regra de “beba muita água”. É particularmente grave em quem já não é muito novo e por duas razões. Primeiro, com a idade diminui a sensação de sede – é muito comum ouvirmos dizer, “tenho de me forçar a beber porque não sinto sede nenhuma”. Segundo, com a idade diminui, também, a capacidade de retenção de água do nosso corpo. Junte-se a isso o facto de muitos evitarem beber perto da hora de se deitarem para reduzir o número de idas ao quarto de banho e temos a receita perfeita para o desastre.

Sedentarismo. Como seria de esperar, se passamos muitas horas sentados ou deitados e sempre na mesma posição, é muito provável virmos a sentir cãibras quando nos mexemos, finalmente, uma vez que forçamos músculos “frios” a moverem-se.

Sarcopenia. Bom, é só um “palavrão” para a perda de massa muscular, algo que vai acontecendo quando vamos para novos e nada fazemos para a evitar (ou seja, exercício). Os músculos ficam mais fracos e com menor massa, o que gera estímulos involuntários (cãibras).

Medicamentos. Alguns medicamentos, como diuréticos e broncodilatadores, podem aumentar a propensão para cãibras. É, pois, mais um assunto a pôr na sua lista de itens a discutir com o seu médico.

Falta de minerais. Como disse anteriormente, a capacidade de absorção de certos minerais como o cálcio, o potássio e o magnésio diminui com a idade. Mas estes são fundamentais para a contração e relaxe dos nossos músculos. Ou seja, menor quantidade no nosso corpo, maior probabilidade de cãibras.

E o que fazer para evitar ter cãibras ou para lhes diminuir a frequência? Bom, algumas das medidas quase que são indicadas pelas causas...

Hidratação. Beber muita água durante o dia. E se quer evitar idas frequentes ao quarto de banho durante a noite, bom, em vez de cortar na água opte por usar uma cueca fralda. Lembre-se, de tiver uma cãibra súbita no momento em que está sentado na borda da cama e prestes a levantar-se, poderá cair com consequências mais ou menos graves.

Exercício. Já tenho indicado muitas opções, mas para este caso específico até exercícios de baixo impacto, como caminhar ou fazer ioga, podem ajudar a melhorar a sua flexibilidade muscular. Pense, também, em alongar os músculos das barrigas das pernas antes de se deitar. E é muito fácil, vire-se para uma parede, a uma certa distância dela (cerca de 1 metro) e incline o corpo para a frente até apoiar ali as mãos – regule a distância à parede (ou um móvel alto) de modo a ser forçado a esticar os músculos da barriga das pernas ao inclinar-se, isto depende muito da sua altura.

Alimentação. São as recomendações do costume: uma dieta equilibrada e rica em verduras, frutas e alimentos integrais. E ainda alimentos ricos em magnésio, como nozes e sementes, e os ricos em potássio, como batatas e bananas. Já agora, fala-se muito que um suplemento de magnésio ajuda com as cãibras, mas não há estudos que o comprovem definitivamente – mas pode sempre consultar o seu médico em relação a este e outros suplementos.

Cama. Uma boa precaução consiste em não esticar demasiado o lençol de cima da cama, sobretudo na zona dos pés. Se o fizer, perna e pé ficam com poucas hipóteses de mobilidade durante a noite, aumentando a probabilidade de terem uma cãibra por estarem sempre na mesma posição.

Falemos agora do que fazer quando temos uma cãibra. Como disse acima, é normal desaparecerem por si em menos de 10 minutos, mas se quiser acelerar um pouco o evento que é, repito, muito doloroso, há algumas coisas que pode fazer.

Caso tenha uma na barriga da perna, a melhor solução e a mais rápida consiste em forçar o pé a virar-se para si, alongando assim o músculo afetado. Se é este o tipo que sofre mais vezes, pense em ter na mesinha de cabeceira uma tira elástica, das usadas em Pilates, para “laçar” o pé, puxando-o para si.

Outra solução consiste em massajar a zona afetada, usando movimentos circulares.

Se vive acompanhado e a cãibra não passar em poucos minutos, aplicar calor – uma compressa quente, por exemplo – ajuda, uma vez que o calor favorece o relaxar dos músculos.

Último detalhe, há doenças que podem ter como efeito secundário, digamos, cãibras, como diabetes. Daí eu dizer que caso sejam muito frequentes e / ou de longa duração é boa ideia consultar um médico para saber o que poderá estar por detrás delas.

Para a semana: Falemos da Páscoa. Dos seus antigos significados aos novos que lhe podemos dar

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