Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo".

158 - Vegetarianismo ocasional

Como o próprio título indica, este post não é para quem está a pensar tornar-se vegetariano ou vegano, se é esse o seu caso o meu conselho é que se informe devidamente sobre o assunto – não faltam livros e sites para todos os níveis de conhecimentos e experiência. O que não deve, de modo algum fazer é deixar, pura e simplesmente, de comer carne e peixe. É que ser vegetariano é bem mais do que isso, não se podem tirar coisas às cegas, há que substituí-las de modo a manter uma alimentação equilibrada.

Mas também pode ser muito simples, bastando, em muitos casos, substituir ingredientes. Por exemplo, em vez de acrescentar uma proteína animal a uma salada, use favas cozidas. Ou faça um caril de grão-de-bico (muito popular na Índia). Ou inclua favas, feijão ou grão num guisado de legumes, em vez de lhe juntar carne.

Lembre-se sempre, o consumo de proteínas é extremamente importante para o nosso bem-estar e saúde, não têm é de ser proteínas animais. E é precisamente disso que irei falar hoje.

Tenho reparado que muitos dos que vão para novos perdem a apetência por carne, sobretudo, às vezes também por peixe, sobretudo se caem no erro de comer sempre as mesmas duas ou três variedades. Mas, como referi, há excelentes proteínas vegetais que pode passar a consumir com mais ou menos frequência e que terão a vantagem adicional de lhe proporcionar refeições mais variadas.

Comecemos pelo básico. Os principais componentes da cozinha vegetariana são:

- Leguminosas. São a maior fonte proteica e incluem: feijões de todos os tipos, favas, lentilhas, grão-de-bico, tremoços (de que falarei adiante) e ervilhas.

- Cereais com glúten. Incluem trigo, centeio, espelta, cevada, cuscuz (de trigo).

- Cereais sem glúten. Milho, arroz, mandioca, quinoa, tapioca, aveia, araruta, farinha de alfarroba, araruta, farinhas de leguminosas (grão-de-bico, por exemplo).

- Hortícolas, cogumelos, algas. Dispensam comentários.

- Oleaginosas, frutos secos e sementes. Há cada vez mais variedades à venda e muitos deles contêm uma boa quantidade de proteína, como as amêndoas, amendoins e as sementes de abóbora.

Como vê. mesmo sem entrar em coisas mais “exóticas”, já temos uma grande variedade de opções.

Mas não se pode falar de vegetarianismo sem mencionar a soja. Já foi difícil de encontrar, mas é agora bastante usual em muitos supermercados, em grãos secos, edamame, tofu.

Vamos, agora, a algumas dicas, a começar pelas leguminosas.

Encontramos muitas delas à venda secas ou em latas / frascos, neste caso já parcialmente cozidas e muito práticas de usar. Mas se pretende ter uma alimentação realmente saudável, compre as variedades secas, ponha-as de molho e coza-as, depois – não na água da demolha e, de preferência, com um pouco de algas kombu, que as tornam mais fáceis de digerir. É que deste modo poderá controlar a quantidade de sal e terá a certeza de que não incluem conservantes ou outros produtos químicos.

Mas como tudo isto dá mais trabalho, a melhor solução é cozer uma grande dose de cada vez e, depois, congelar – pode ser em doses individuais ou, se lhes for dando umas pancadinhas durante a congelação, num único saco, uma vez que ficam soltas. Já agora, poderá fazer o mesmo a favas congeladas.

Não vou explicar os muitos usos de feijões, favas e similares, são bastante usados na nossa culinária, apesar de que talvez seja boa ideia ir pesquisando algumas receitas diferente... é que é sempre bom variar. Mas vou falar um pouco de algo que associamos a um mero aperitivo, o tremoço, um dos superalimentos que referi no post Superalimentos. É a leguminosa mais proteica, com 16 %, bem acima dos 9 % das lentilhas, sendo, pois, um excelente substituto para carne ou peixe.

Não vou dar receitas, há-as aos montes na Internet e não só, mas sabia que pode fazer almôndegas de tremoços? Ou hambúrgueres? E é um produto tão divulgado no nosso país, está à venda em todo o lado!

Já agora, experimente substituir “tremoços” por feijão-frade, feijão branco ou outros na sua pesquisa de “receitas vegetarianas” e vai ver que terá, certamente, surpresas agradáveis e que lhe darão vontade de se aventurar um pouco neste novo mundo do vegetarianismo.

Passemos, então, à soja. Já quase todos ouvimos falar de tofu, um produto agora bastante divulgado e à venda em muitos supermercados. Tem a enorme vantagem de ter um sabor neutro, mais ainda, absorve facilmente os sabores com que é cozinhado. E não tem glúten, caso tenha problemas com a sua ingestão. Se não gastar o bloco todo de uma vez – para fazer várias refeições para congelar, por exemplo – guarde o que sobrar no frigorífico, mergulhado em água, durante uns 5 dias. Quanto a ser congelado, há quem diga que sim e quem afirme que perde a textura, sendo assim, experimente com um pedacinho.

Mantendo-nos na soja, já se vê em alguns supermercados edamame, que é apenas grãos verdes de soja, congelado ou em latinhas – parece-se com umas ervilhas um pouco maiores e ovaladas. Pode ser usado simplesmente cozido, em água ou a vapor, guisado, etc. Mas atenção, tal como as ervilhas congeladas, coze em menos de nada.

Falemos agora de algo que também se vê já muito à venda, o seitan. É feito a partir da proteína de trigo, contém glúten e pode ser usado como se fosse carne, inclusive grelhado.

Finalmente, se evita adicionar maionese a pratos e saladas por ser um alimento pesado, que tal experimentar variantes veganas, como a de caju? Ou de grão-de-bico, que pode até ser feita com a água da lata? Além do mais têm a enorme vantagem de serem mais proteicas do que as que usam ovo...

E pronto, espero que estas pequenas informações o levem a explorar novos mundos e, acima de tudo, a variar ainda mais a sua alimentação, mas sem descurar as suas necessidades nutricionais. E acredite, ao fim de muitos anos a cozinhar mais ou menos as mesmas coisas, não há nada melhor do que tentar experiências e sabores novos que, ainda por cima, até nem são difíceis de encontrar.

Para a semana: Não temer o ir para novo. É um daqueles casos de remediar o que pode ser remediado e deixar correr o que não pode.

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