O mito da eterna juventude tem sido um dos grandes sonhos da humanidade, com a ênfase em “eterna”. Até não é para admirar uma vez que quase todas as culturas possuem uma lenda sobre o modo como a morte entrou no mundo. Ou seja, os seres vivos, todos ou apenas os humanos, teriam sido criados imortais, situação que se veio a alterar posteriormente. Surge, assim, a nossa busca pela imortalidade, de textos clássicos como A Epopeia de Gilgamesh, com 4000 anos, à Fonte da Eterna Juventude, procurada pelos espanhóis nas Américas com quase tanto afinco como o El Dorado.
Mais recentemente, a ficção científica tem sido pródiga em exemplos que vão desde instalações médicas que rejuvenescem, de facto, o corpo, permitindo-lhe viver durante séculos, ao uso de clones dotados de todas as recordações de uma pessoa até á data da sua morte, sem esquecer o grande sonho de Sheldon, de A Teoria do Big Bang, de viver o suficiente para poder ter o seu cérebro transplantado para um androide.
Ficção à parte, falemos do que se passa atualmente. Mas primeiro há que destrinçar duas ideias que andam, às vezes, de mãos dadas na nossa mente: viver eternamente – ou pelo menos durante séculos – e viver até ao fim com o corpo e a mente que tínhamos, digamos, aos 30 ou 40 anos. E se a primeira ainda “cheira” um bocadinho a teoria, apesar de já haver empresas a gastar biliões de dólares na tentativa de a concretizar com cirurgia genética e nanotecnologia, por exemplo, a segunda parece já estar ao nosso alcance.
Em vários países, a começar pelos EUA, claro, há médicos especialistas no chamado antienvelhecimento, apesar de muitos não gostarem deste termo e preferirem usar rejuvenescimento. A pessoa interessada – evita-se o termo “paciente” uma vez que não se trata de alguém doente – faz toda uma série de exames médicos e responde a questionários extensíssimos sobre a sua vida toda – ia dizer desde que nasceu, mas vão mais longe e querem saber também sobre pais, avós e outros familiares. E, claro, hábitos alimentares e de exercício, duração e qualidade do sono, etc.
Recolhidos todos estes dados, preparam um programa adaptado a essa pessoa, que a leve a alterar / adotar hábitos que, para além de lhe permitirem manter-se saudável, física e mentalmente, até uma idade avançada, lhe dão, também, um “novo fôlego”, um rejuvenescimento, digamos, caso não estejam em muito boa forma na altura dessa consulta.
É claro que não temos acesso a todas essas coisas – mesmo onde existem não são exatamente baratas – mas há algumas medidas que podemos tomar, por iniciativa própria, que conduzirão, certamente, a bons resultados e à realização do sonho de ter uma vida longa e saudável. É que, muito francamente, quantos gostariam de viver muitos anos cheios de achaques e de todo o tipo de problemas, físicos, psicológicos ou mentais?
Como seria de esperar, fazer exercício é logo o primeiro componente. Mas atenção, fazê-lo “por frete”, só porque “o médico mandou” ou porque se quer perder uns quilinhos não é a melhor abordagem. Exercitarmo-nos deverá, com o tempo, converter-se num fator de bem estar físico e psicológico e não em algo deprimente, que se faz “mal e porcamente” por obrigação.
Sendo assim, não há uma receita única para todos. Vá experimentando vários exercícios e desportos até encontrar algo que lhe agrada. Mas não desista logo ao fim de uns dias, lembre-se que no início é sempre difícil, qualquer que seja a opção escolhida, sobretudo se tem há anos uma vida mais ou menos sedentária e quer agora alterar tudo isso. Persista um bocadinho e, se realmente não gostar, tente outra coisa. E não foi tempo perdido, verá que lhe será bem mais fácil começar uma nova atividade se já tiver feito outras anteriormente.
Acima de tudo, esqueça o exemplo de outras pessoas, vá fazendo ao seu próprio ritmo, ou seja, escute o seu corpo.
O segundo fator é, claro, a alimentação. Mais uma vez, cada um de nós é diferente e o que é bom para uns pode não o ser para outros. Mais ainda, não é boa ideia seguir uma dieta restritiva – a menos que seja por razões médicas, claro está. É que comer sempre a mesma meia dúzia de coisas causa tédio e acaba, inevitavelmente, por levar a excessos.
Já todos sabemos que devemos comer fruta, saladas, verduras em geral e outras coisas “boas” e evitar doces, fritos, etc. Mas a ênfase deve estar em tentar criar, aos poucos, hábitos mais saudáveis, sempre sem exageros, uma “facadinha” de vez em quando não faz mal... E nunca, mas mesmo nunca, seguir a dieta da moda ou outra que uma amiga recomendou – repito, cada caso é um caso e temos é que encontrar o que resulta para nós, em qualidade e, sobretudo, variedade, mais ainda, o que se coaduna com o nosso estilo de vida.
Passemos à mente, outro dos grandes setores do rejuvenescimento. Já falei várias vezes que mantê-la ativa atrasa os sintomas de doenças como Alzheimer e outras similares. Além disso, o facto de termos uma mente ágil faz-nos, por certo, sentir bem mais jovens. Por isso estude, aprenda coisas novas, saia e veja coisas, na sua terra ou mais longe, enfim, não se deixe reduzir à rotina do seu emprego, muitas vezes nada estimulante, ou, se já está reformado, a hábitos muito pouco saudáveis, física, psicológica e mentalmente, como passar o dia todo no sofá a ver televisão.
É claro que quanto mais cedo começarmos a adotar estas medidas melhor será, como sabemos é bem mais fácil atrasar os sintomas do envelhecimento do que revertê-los. Mas nunca é tarde para começar. E lembre-se, poderá não viver até aos 200 (ou eternamente) mas não deixe que nada o impeça de preencher muito bem a duração, longa ou curta, da sua vida.
Para a semana: A próstata. Com o avanço dos anos, acaba quase sempre por dar problemas...