Ir para novo

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155 - A tiroide e outros problemas

A tiroide é uma glândula situada no pescoço que produz hormonas que têm funções indispensáveis para o bom andamento do nosso organismo, como a regulação do metabolismo – a conversão do que comemos em energia – e também a regulação da temperatura do corpo. Infelizmente, está sujeita a dois tipos opostos de mau funcionamento, produção em excesso das ditas hormonas – hipertiroidismo – ou a sua produção insuficiente – hipotiroidismo.

Há também uma outra doença, que raras vezes vemos atualmente no Ocidente, o bócio – pessoas de uma certa idade lembram-se certamente disso, é uma deformação, por vezes enorme, no pescoço devido ao aumento de volume da tiroide e que está relacionada, na maior parte das vezes, com uma deficiência em iodo.

Tanto o hipotiroidismo como o hipertiroidismo podem afetar-nos em qualquer idade, estimando-se que 10 % da população portuguesa sofra de uma destas maleitas. Infelizmente para quem vai para novo, nem sempre são bem diagnosticadas, sobretudo porque os seus sintomas se confundem facilmente com os de outras doenças ou problemas.

Pior ainda, manifestam-se de modo muito mais subtil em idosos do que em pessoas mais novas, dificultando ainda mais a sua deteção que, ainda por cima, só pode ser feita com análises específicas. E embora os sintomas de ambas sejam bem diferentes nos mais novos, podem surgir nos mais idosos de um modo diferente e, ainda por cima, muito mais semelhante.

Vamos, pois, compará-las.

Alguns sintomas de hipertiroidismo:

- perda de peso com aumento do apetite

- aumento da frequência cardíaca (palpitações)

- suores

- intolerância ao calor

- ansiedade e irritabilidade

Nos idosos surgem, sobretudo, confusão mental e arritmias cardíacas.

Alguns sintomas de hipotiroidismo:

- cansaço

- aumento de peso

- pele cansada, cabelo quebradiço

- esquecimentos

- depressão

- intolerância ao frio

É mais comum nos idosos do que o hipertiroidismo, mas o número de sintomas tende a ser mais reduzido, o que complica a sua deteção.

Como vemos por esta lista, é muito fácil atribuir a maior parte dos sintomas do hipotiroidismo a uma simples depressão, que, como referi anteriormente, é muito comuns em idosos ou, bem mais usual, como devendo-se simplesmente ao envelhecimento, ficando, pois, por diagnosticar e, consequentemente, por tratar. Só que é uma daquelas doenças que tende a piorar se não for tratada, com graves consequências para a saúde e qualidade de vida da pessoa afetada.

Há, até, uma recomendação de testes regulares à tiroide a partir dos 65 anos, sobretudo nas mulheres, mais propensas a serem afetadas. Há vários tipos de tratamentos, que só podem ser definidos por um médico face ao quadro clínico da pessoa afetada, ou seja, não há uma solução única para toda a gente.

Infelizmente, as doenças da tiroide não são as únicas suscetíveis de terem um diagnóstico incorreto, há várias outras em que os sintomas que apresentam levam a que sejam atribuídos a outras doenças, atrasando, assim, a sua deteção e começo do tratamento, com consequências mais ou menos graves.

Aqui ficam algumas, umas mais conhecidas do que outras:

Ataque cardíaco

Não me refiro aos fulminantes que levam logo a fazer uma chamada para o 112. É que há ataques mais suaves, digamos, que não são vistos como tal em por quem os sofre nem por quem assiste. Ora vejamos alguns sintomas que podem originar essa confusão: desconforto ou dor no peito; transpiração; vómitos e náuseas; tonturas; falta de ar; sensação de indigestão.

Perante estes cenários, é muitas vezes confundido com: indigestão ou a velha azia; ansiedade – aliás, não faltam pessoas que foram parar ao hospital com o que lhes parecia ser um ataque cardíaco e era, afinal, um mero ataque de pânico, sim, a situação oposta também acontece, ou seja, o que parecia grave ser, afinal, algo bem mais simples e fácil de resolver.

Doença de Parkinson

Já falei anteriormente dela precisamente em Doença de Parkinson, em que mencionei sintomas, causas (desconhecidas) e tratamento – não a cura, que ainda não existe. Resumindo, os seus sintomas principais são: tremores nas mãos, braços, pernas ou cabeça; rigidez muscular; problemas de equilíbrio; lentidão ao caminhar: e, com o passar do tempo, problemas cognitivos.

Como a sua deteção é complicada, exigindo um exame neurológico completo, os seus sintomas são frequentemente atribuídos a outras doenças, como Alzheimer, acidente vascular encefálico e, sobretudo, o chamado tremor essencial – só que, apesar de esta ser também uma doença neurológica e de se caracterizar por tremores, como o nome indica, é algo totalmente diferente, uma vez que os ditos tremores surgem quando a pessoa está em movimento e na doença de Parkinson aparecem com a pessoa em descanso.

Lúpus

Embora apareça sobretudo entre os 18 e os 55 anos – e seja oito a dez vezes mais comum nas mulheres do que nos homens – pode surgir em qualquer idade, incluindo em quem vai para novo. Alguns dos seus sintomas, nem sempre todos presentes, são: cansaço; perda de apetite; emagrecimento; manchas vermelhas ou rosadas na pele da cara; sensibilidade à luz; as pontas dos dedos das mãos e dos pés podem ficar brancas ou azuladas devido ao frio; e dores nas articulações, sobretudo de manhã.

Para além de estes sintomas serem, muitas vezes, vistos como meras maleitas da idade, pode ser diagnosticado erroneamente como artrite reumatoide, problemas digestivos, depressão.

Dissecção aórtica

Muito pouco conhecida para quem não é da área médica, trata-se de um rompimento da aorta – o nosso maior vaso sanguíneo. Basicamente, o sangue perfura uma das suas camadas, forçando a sua separação. Alguns dos seus sintomas são: dor súbita no peito; falta de ar; transpiração; pulso mais fraco num dos braços; perda de consciência.

Perante esta lista, não admira ser frequentemente confundida com um ataque cardíaco ou, se os sintomas forem suaves, azia. É mais frequente em homens acima dos 60 anos, só pode ser detetada com exames complexos e a tensão arterial elevada pode ser uma das suas causas.

Para a semana: Rejuvenescer. Ficção científica ou mera futurologia?

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