Já falei anteriormente nesta questão, nomeadamente em Distrações – universidades sénior, Universidade Sénior Virtual, atividades práticas (tricô, origami, scrapbooking e outras – e em Regresso às aulas – informática, línguas, fotografia, cursos diversos gratuitos e a pagar.
Começarei por referir novamente as universidades sénior, são cada vez mais numerosas e estão espalhadas por todo o Portugal Continental e Madeira. Se aceder à página da Rutis, a rede das ditas universidades, encontrará um mapa onde poderá procurar as existentes no seu distrito.
Mas também as universidades “normais”, digamos, estão a descobrir a camada etária acima de uma certa idade. Temos, por exemplo, o Programa M50 da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, cursos de formação diversos para pessoas com mais idade no Politécnico de Leiria e o Programa de Estudos Universitários para Seniores da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, entre outros. Vale, pois, a pena contactar (ou visitar o site) de universidades ou politécnicos perto de si para ver o que disponibilizam. E caso nada tenham, pode-se sempre enviar uma sugestão...
Pequeno detalhe, há cursos / formações que não exigem habilitações especiais e outros em que é preciso ter concluído o liceu. E também há os que dão um certificado no final, quem sabe, poderá iniciar uma nova carreira – algo que também pode fazer pela via usual, dependendo dos critérios de admissão aplicados pelo estabelecimento de ensino em causa. E algumas destas formações / cursos podem ser feitos online, ótimo para quem está mais longe ou tem problemas de mobilidade.
Mas quando mencionei “estudar” no título deste post a intenção não era restringir-me ao seu significado tradicional de aprendizagem “livresca”, muito longe disso. É que como já tenho mencionado várias vezes, a curiosidade pelo que nos rodeia é um fator importantíssimo para um envelhecimento saudável e, até, para atrasar os sintomas de doenças como a de Alzheimer.
E como temos a sorte de viver na era da Internet – sim, com todos os seus defeitos e malfeitorias – é muito fácil encontrar respostas para as questões que nos intrigam e para aprender coisas novas.
Por exemplo, o que sabe, de facto, sobre a terra onde vive? Ou sobre a região onde nasceu ou que visitou recentemente ou onde planeia ir? Num dos seus passeios encontrou uma planta ou animal que não conhece? Ouviu um apelido estranho e quer saber mais sobre ele? Alguém mencionou um daqueles termos muito regionais – e para um país com uma área tão pequena temos imensos! – e não faz ideia do que significa?
Pois bem, em vez de encolher os ombros e esquecer o assunto, pesquise, informe-se, “eduque-se”. E sim, sei que poderá encontrar muita informação em livros, mas a vantagem da Internet é que é muito fácil passar de um assunto a outro e depois a outro até que, sem dar por ela, passou várias horas de diversão a aprender coisas novas.
E por falar em livros, referi anteriormente que a Amazon tem imensos livros gratuitos de diversos géneros, incluindo muitos clássicos. Em português não há muitos, mas se anda a aprender um idioma é a oportunidade ideal de começar a lê-lo a custo zero. E se gosta de livros antigos, então dê uma olhadela à Biblioteca Nacional Digital – atenção, nem todos os livros / documentos são consultáveis ou descarregáveis e são mesmo muito antigos. Ou à Biblioteca Digital Camões, que tem um bom acervo sobre diversos assuntos. Entre ambas – e outras indicadas no site da BD Camões – poderá satisfazer o seu gosto por assuntos mais ou menos exotéricos sem sair de casa!
Mas voltando ao tema de uma educação mais prática, menos à base de estudo, que tal aprender a fazer pequenas reparações ou arranjos na sua casa? Para além de se divertir, pode ser muito útil e ainda poupará dinheiro. Mas atenção, vá devagar, não tente proezas que devem ser deixadas para profissionais, como a maior parte do que tem a ver com eletricidade ou gás!
Este página da Deco inclui inúmeros vídeos YouTube sobre coisinhas que pode realmente fazer. Mas não é a única, podemos dizer com segurança que seja qual for o problema haverá pelo menos um vídeo, um site, a explicar o que fazer para o resolver, a dificuldade é quase sempre destrinçar os bons dos maus.
E também aqui entra a tal curiosidade de que falei mais acima, mesmo que prefira pagar a alguém para arranjar o que se estragou ou comprar novo. É que, muito francamente, quantos de nós sabem como funciona um frigorífico? Ou um micro-ondas? Ou, até, um automóvel? Se olhar à sua volta, no aconchego do seu lar, quantas vezes pode fazer a pergunta, “como funciona?”
Mais uma vez, encontrará facilmente a resposta na... Internet! Com a vantagem já mencionada de que, ao ler a descrição, encontrará certamente termos e conceitos que desconhece ou que já esqueceu, o que leva, claro está, a novas pesquisas.
Resumindo, quando digo que se está sempre a tempo de estudar isso significa, de facto, que se está sempre a tempo de aprender. A questão está apenas em ir alimentando a curiosidade inata que todos tínhamos em miúdos – lembram-se da famosa “idade dos porquês”, o pesadelo de muitos pais e adultos em geral?
E deixar de pensar em estudar como sendo algo “sério”, que implica livros e um ambiente estruturado, ideia essa que nos ficou da juventude em que o estudo não era um fim em si mas apenas um meio de atingir um determinado objetivo a fim de se poder ganhar melhor a vida.
Pois bem, está na altura de esquecer isso – é uma das vantagens de ir para novo poderemos fazer coisas apenas pelo prazer de as fazermos – e aprender ou reaprender apenas para espicaçar a nossa mente e alimentar o bichinho curioso que, num mundo perfeito, nunca teríamos deixado estiolar.
Para a semana: A tiroide e outros problemas. Nem sempre é fácil diagnosticar problemas com sintomas similares