Já citei anteriormente, aqui e ali, alguns bons exemplos relacionados com ir para novo, mas decidi dedicar um post inteiro a referir algumas mudanças em que tenho reparado cada vez mais frequentemente e que me deixam esperançosa de estarmos a ir no bom caminho, deixando cada vez mais para trás a imagem tão querida da nossa esquerda – e não só – do “velhinho, coitadinho”.
Após uma paragem de vários meses por razões diversas retomei a minha caminhada diária, bem cedo, claro está, senão o calor aperta, muitas vezes complementada com outra menor ao fim do dia. E não pude deixar de notar que há agora muito mais pessoas não muito novas, digamos, a fazer claramente o mesmo, sobretudo à tardinha no parque aqui perto de mim.
E não são apenas pessoas cheias de genica e em ótima forma física apesar de se ver claramente que os anos já pesam. Não, há também muitas com bastantes dificuldades de movimentação, com bengalas, até, mas que nem por isso deixam de dar umas voltinhas. Atendendo a tudo o que se tem dito sobre os benefícios da atividade física para a saúde, incluindo a mental, acho que é um movimento a encorajar e a aplaudir.
Ainda na área da atividade física, houve recentemente (24 de junho) na praia de Carcavelos uma manhã de introdução ao surf para pessoas com mais de 65 anos. E a avaliar pelo vídeo publicado, foi muito concorrida! Também me agradou muito ver a quantidade de mulheres que apareceram, é que no nosso país quem já tem uma certa idade cresceu numa sociedade em que desporto era para jovens e para homens. Ou seja, uma mudança de mentalidade a aplaudir. Só é pena ter sido apenas uma manhã...
Para concluir esta parte “física”, não sei se repararam mas nos estúdios de Pilates e ginásios vemos cada vez mais mulheres que já não estão no auge da idade, como se costuma dizer. E o melhor de tudo isto é que não são pessoas que sempre praticaram desporto ou que se exercitavam, não, muitas começaram só recentemente a fazê-lo, precisamente para evitar cair na imobilidade que tão más consequências traz em qualquer idade mas que se agravam quando os anos já pesam e o corpo já não tem o poder de recuperação de antes.
Passemos à alimentação. Em posts anteriores referi que a má nutrição não devida a problemas financeiros afeta sobretudo mulheres idosas que estão sós, uma vez que foram criadas numa época em que “parecia mal” uma senhora ir sozinha a um restaurante. E como nem sempre apetece cozinhar, vivem de “chá e bolachas” uma boa parte do tempo.
Como provavelmente sabem, há agora muitos supermercados que incluíram nas suas instalações uma área de refeições. Pois bem, quando vou às compras perto da hora do almoço tenho visto ali senhoras que deixei de ver no snack perto de minha casa quando ficaram viúvas. E não só. Fica-me a sensação de que como é num supermercado, bom, não conta como restaurante... Pode ser que acabem por perder o preconceito e comecem a comer fora mais vezes noutros locais, o mais importante é dar o primeiro passo.
Passemos agora a novas soluções de habitação. Já falei anteriormente disto em Bons e maus exemplos a propósito da Aldeia de São José de Alcarar. Mas surgiu agora algo similar em Vila de Maçada, Vila Real, com 8 habitações (num total de 17 camas) junto ao lar de idosos. Basicamente, e tal como o exemplo já existente no Algarve, permitem que idosos vivam com autonomia mas, ao mesmo tempo, com o nível de acompanhamento de que precisam. Pode ler a notícia completa aqui.
Já agora, chamam-lhe habitação colaborativa e só é pena que não esteja mais espalhada por todo o país, incluindo as grandes cidades. Mas suponho que podemos agradecer essa falha à culpada do costume, a burocracia. É que também li em tempos que outras tentativas de criar instalações similares, até em estilo cooperativo, saíram goradas porque o seu estatuto não está previsto na legislação...
Finalmente, atividades diversas para as chamada pessoas 65+. Há-as cada vez mais numerosas e diversificadas, patrocinadas por Câmaras, Juntas de Freguesia, Centros Paroquiais – estes são em geral muito ativos – ou outros. Sobretudo no verão, incluindo, muito frequentemente, passeios a preços razoáveis.
Pessoalmente acho tudo isto muito louvável, atendendo a que não vivemos num país onde seja costume as pessoas juntarem-se por iniciativa própria para desenvolver interesses comuns, sejam de artesanato, leitura, arte, atividade física ou outra. Mas já é muito bom haver iniciativas institucionais, digamos, a que podem aderir.
Só um pequeno aparte, sempre que se fala de coisas como habitação colaborativa ou atividades para mais de 65 anos ouvimos muito o comentário, “mas é tudo a pagar!” Isto remete-me ao que disse num post do meu outro blog, Lamento os idosos com dinheiro. É que, muito francamente, a ênfase está sempre nos que têm reformas muito parcas – e que são demasiados, diga-se de passagem – e que passam, por isso, dificuldades.
A questão é que os que têm dinheiro também têm necessidades, não financeiras, mas de tudo o mais, como acompanhamento, atividades, etc. Só que até bem recentemente não havia quem lhes fornecesse esses serviços a pagar, não, estava tudo virado para quem não tinha posses.
Felizmente as coisas estão a mudar e há cada vez mais empresas a oferecer serviços de todos os tipos, desde cuidados a refeições e outros. São, de um modo geral, caras, mas, acreditem, para muitos é um alívio ter-lhes acesso, é que até recentemente ter dinheiro não ajudava em nada quando era preciso algum acompanhamento e a solução acabava por ser um lar, com todos os inconvenientes psicológicos que isso acarreta para quem ainda não se sente pronto para um.
Para a semana: Está-se sempre a tempo de estudar. Também nesta área há cada vez mais opções para as pessoas 65+