Em Coisas Vivas já falei em diversos animais de estimação e alguns dos seus prós e contras. Mas, como todos sabemos, infelizmente, o verão é, por excelência, a época do ano com maior abandono de animais, na sua maioria cães. Sendo assim, porque não unir o útil ao agradável e dar a um deles um lar? E uma das grandes vantagens de adotar um deles é que são, geralmente, adultos e já foram, na sua maior parte, “treinados” em termos de higiene. Ou seja, é menos uma preocupação.
Lembro, também, que se for a um abrigo, como o da União Zoófila, convém falar detalhadamente com quem ali trabalha sobre o tipo de casa que tem e o seu estilo de vida para que tentem arranjar-lhe um animal mais adequado a si. É que, muito francamente, cães muito grandes, com grandes necessidades de exercício, não são normalmente ideais para quem vai para novo.
Para quem não leu o post anterior, relembro aqui algumas das vantagens de ter um cão ou um gato para esta camada etária:
- São uma companhia, reduzindo, assim, a solidão em que muitos vivem. Ajudam, assim, a melhorar a saúde mental e são uma fonte de conforto, “alguém” de quem podem cuidar e com quem até, porque não, falar.
- Alívio do stress. Estudos têm demonstrado que acariciar um animal peludo produz as chamadas hormonas do bom humor, como a serotonina.
- Rotinas e estímulo da memória. Já falei anteriormente na vantagem de ter algumas rotinas, nomeadamente em Rotinas, precisam-se! Ora um animal de estimação obriga à criação de várias, em termos de lhe dar água, comida, idas à rua (cão) ou limpeza da caixa de areia, ajudando, assim, a estruturar as longas horas do dia.
- Atividade física. Como sabemos, um cão tem de ser levado à rua duas vezes por dia, faça chuva ou faça sol, não só por razões de higiene mas também para fazer algum exercício. Isso obriga, claro, o seu cuidador a mexer-se mais, uma vez que levar o cãozinho a passear é bem diferente de obrigar-se a sair para dar uma caminhada, seja esta longa ou curta. Até um gato implica um aumento de atividade física, quando está de humor brincalhão quem lhe consegue resistir?
- Mais convívio, no caso de se ter um cão. É inevitável encontrar outros cães e os seus cuidadores quando se leva o animalzinho à rua e, muitas vezes, isso acaba por implicar uma troca de palavras ou até mais, sobretudo se os animais forem muito amistosos.
- Sentir-se protegido. Pode não ser um cão de ataque – ou um gato, já agora – mas qualquer que seja o animal, a sua espécie ou raça há fortes probabilidades de o alertar caso algo não esteja bem. Já agora, se acha que um gato nada tem de protetor, sabia que há templos no Oriente, carregados de ouro e joias, cuja única proteção consiste nos gatos que ali habitam? E há muito ladrão que prefere de longe deparar-se com um cão!
Mas antes de ir a correr buscar uma companhia para si ou para alguém mais idoso da sua família, pense um pouco nos aspetos práticos.
- Despesa. Para além da alimentação – e lembro que dar restos raramente é a solução ideal – há ainda a questão de uma eventual doença do animalzinho, implicando despesas com veterinários e medicamentos não comparticipados. Mas já há algumas clínicas com cuidados a baixo custo, informe-se previamente se há uma na sua zona. Já agora, estudo, também, a opção de um seguro veterinário, sobretudo se é detentor de um seguro médico. Sem esquecer que há raças em que o pelo tem de ser regularmente tosquiado.
- A habitação. Se tem uma casa pequenina e / ou muito cheia, pense muito bem no tipo de animal que irá adotar. Lembre-se que os filhotes, mesmo os de raças conhecidas pela sua pacatez, tendem a ser muito ativos e destruidores. E se tem pouco espaço, será mesmo muito má ideia arranjar um cão grande.
- Capacidade física do futuro cuidador do animal. Se a pessoa em causa tem pouquíssima mobilidade, um cão talvez não seja a melhor opção, a menos que haja alguém que o possa levar à rua diariamente. Ter, também, em conta o esforço exigido pelos cuidados com o animal, como mudar a areia do gato, dar-lhe de comer, dar-lhe banho, etc. E no caso de um animal de pelo longo, escová-lo para que este não fique emaranhado.
Há, ainda, uma outra questão. Muitas pessoas não muito novas têm, também, a preocupação do que irá acontecer ao seu animal de estimação caso este lhes sobreviva. Se já tem um, bom, talvez seja melhor pensar no assunto com alguma antecedência e tomar algumas medidas nesse sentido.
Mas se gostaria de ter um mas não se atreve por causa deste “detalhe”, há instituições que recolhem animais e que usam um sistema tipo “família de acolhimento” por variadíssimas razões, como, por exemplo, ser um animal que precisa de ser sociabilizado sem ser no meio de outros. Terá, assim, todas as vantagens do convívio com um animal de estimação mas sem ter de se preocupar com o que lhe irá acontecer – mas atenção, não se esqueça que o bichinho poderá ser adotado a sério, prepare-se, pois, para ficar sem ele.
Último tema, talvez um pouco polémico, cães e gatos robots. Há-os agora muitíssimo realistas e, à parte a despesa com pilhas, trazem todas as vantagens de um animal a sério e nenhuma das desvantagens. São ideais para pessoas acamadas, por exemplo, ou para as que têm pouquíssima mobilidade e, estando sozinhas uma boa parte do tempo, não podem cuidar de um ser vivo.
Para a semana: Retenção de água. Com o calor, aumentam também os casos de pernas e pés inchados e não só