Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo".

12 - Memória, quem te viu e quem te vê

Será possível manter até bem tarde esta preciosa faculdade?

Não irei falar da doença de Alzheimer ou de outras que provocam a perda, gradual ou não da memória, mas apenas do que se passa com todos nós apenas devido ao facto de envelhecermos.

Comecemos por falar um pouco do que é a memória e como funciona.

Para começar, não há apenas uma memória, mas sim duas básicas, a de curto prazo e a de longo prazo. Há ainda subdivisões em cada uma delas, mas que não interessam para este tipo de post.

O hipocampo, situado nos lóbulos temporais do cérebro, recebe a informação e passa-a, depois, a várias zonas do córtex cerebral onde fica armazenada. Mas se não conseguir fazer essa transmissão em cerca de um minuto, essa informação perde-se, pura e simplesmente. Ou seja, se a pessoa sofrer danos nessa zona, fica incapaz de “armazenar” novas informações – como se tem visto, por exemplo, em vários episódios das muito populares séries passadas em hospitais em que a vítima de um acidente repete a cada cinco minutos as mesmas perguntas.

Outro tipo de danos cerebrais podem levar a vários tipos de amnésia, que pode ir desde minutos a toda a vida anterior.

Mas isso está fora do âmbito deste post, irei falar apenas da perda gradual da memória como consequência do envelhecimento.

As suas razões são variadas. Por exemplo, o hipocampo, de que falei acima, deteriora-se com a idade e já não transmite tão prontamente o que recebe, deixando, até, “cair a bola” com maior ou menor frequência. As hormonas que protegem e restauram as células do cérebro também vão diminuindo com o passar dos anos. E a memória pode ainda ser prejudicada pela diminuição de fluxo sanguíneo no cérebro.

Nesta época em que vivemos mais tempo e sabemos mais sobre doenças, pequenos esquecimentos que eram normalíssimos até certa idade – quem não passou horas à procura de umas chaves, por exemplo – tornam-se motivo de grande preocupação nos mais idosos. Sobretudo porque paira sobre todos nós o espetro da tão temida doença de Alzheimer.

Mas a boa nova é que, apesar de uma certa diminuição da memória ser normal e inevitável, podemos atrasar imenso o seu desenvolvimento se tomarmos certas medidas. É claro que quanto mais cedo o fizermos melhor será, mas está-se sempre a tempo de começar. E é até muito simples, só temos de exercitar o nosso cérebro, exatamente como o devemos fazer com o nosso corpo!

E há tantos modos de o fazermos, encontrará certamente um – ou mais – que seja do seu agrado.

Comecemos pelos chamados jogos cognitivos. Pois, é um título pomposo para algo tão simples como palavras cruzadas, sudoku ou até o jogo do xadrez.

Se já gosta deste tipo de jogos, parabéns, está no bom caminho para manter a sua memória a funcionar. Se nunca experimentou, aqui ficam dois links, o primeiro para Sudoku (https://www.geniol.com.br/logica/sudoku/) e o segundo para palavras cruzadas (http://cvc.instituto-camoes.pt/jogos-lexicais/palavras-cruzadas.html#.WHz5GRuLSUk) – este é interessante porque, sendo do Instituto Camões, tem temas genéricos para os três níveis propostos.

Mas se não sabe usar a Internet, não há problema, não faltam livrinhos à venda com estes jogos – e outros, como Sopa de Letras. E alguns têm até letras bem grandes para quando a vista começa a fraquejar.

Também é boa ideia exercitar-se a decorar coisas. Sobretudo para gerações mais novas, a ideia de decorar algo é tão estranha como escrever numa lousa. Mas talvez seja altura de retomar esse velho hábito, a sua memória agradecer-lhe-á. E pode ser algo tão simples como decorar a lista de compras que tenciona fazer no supermercado e tentar fazer o máximo dela sem a consultar. Ou ir decorando pequenos poemas, letras de canções, enfim, algo que lhe agrade e desperte o seu interesse.

Um bom estimulante da memória é aprender algo novo. Por exemplo, se nada percebe de informática e isso do Zoom, Internet e quejandos é “chinês” para si, talvez seja uma boa altura para aprender – pode sempre reler as informações que dei em Sejamos ativos. Ou que tal aprender uma nova língua? Não faltam sites da Internet onde pode aprender, gratuitamente. E há muitas Juntas de Freguesia e Centros Paroquiais que também propõem este tipo de ensino.

Como seria de esperar, a leitura também é uma excelente opção para exercitar a memória. Se não tem muitos livros ou quer algo novo, porque não experimentar a biblioteca mais próxima de si? É capaz de ficar agradavelmente surpreendido. E sabia que há audiolivros? São uma excelente opção para quem tem problemas de visão e prefere não a esforçar muito.

É claro que para quem tem acesso à Internet, há a aplicação Kindle, também já referida, e os muitos livros a que pode ter acesso, muitas vezes até sem nada pagar. E apesar de a variedade em português não ser tão grande como em inglês, vale bem a pena explorar o muito que está disponível.

Aposto que este próximo ponto o vai espantar! É que um outro bom modo de exercitar o cérebro é partilhar e ensinar o que se sabe. E, acredite, todos nós sabemos qualquer coisa, não precisa de ser algo digno de um curso universitário. Pode, até, ser muito simplesmente a partilha de histórias “do seu tempo”. Ou algo tão comezinho como reparar uma peça de mobiliário ou fazer pão.

O mais importante é não cruzar os braços e resignar-se à perda da sua tão preciosa memória. E muito menos entrar em pânico só porque esqueceu qualquer coisita – acredite, acontece a todos nós, novos e não novos, e o pânico não ajuda a recordar o que quer que seja que esteja em causa, muito pelo contrário.

Se tem a seu cargo pessoas não muito novas, digamos, que tal começar a realizar com elas algumas destas atividades? Mesmo que a perda de memória já seja um facto, sempre ajudam um pouco. Repito, não estou a falar da doença de Alzheimer, apesar de estar provado que atividades destas podem atrasar imenso a sua evolução se a doença for detetada cedo.

E para os que ainda estão bem no início de “irem para novos”, bom, quanto mais cedo adquirirem o hábito de estimular o cérebro melhor será.

Basicamente, a ideia é não parar, tanto física como mentalmente, com a desculpa de “já estou velho para isso”. Garanto que se nada fizerem, se ficarem muito simplesmente parados numa cadeira à espera do fim, então, sim, ficarão muito rapidamente demasiado velhos para o que quer que seja.

É que lá diz o ditado, parar é morrer!

Para a semana: A recusa da realidade –  Todos envelhecemos, mas nem sempre é fácil aceitá-lo...

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