Já referi anteriormente a importância da alimentação para quem “vai para novo”, no post Manter ou melhorar a saúde (https://irparanovo.blogs.sapo.pt/05-manter-ou-melhorar-a-saude-2565). Mas para quem não o leu ou já não se lembra do que ali escrevi, irei repetir alguns detalhes que têm uma importância enorme para quem pretende manter-se saudável. Ou, quem sabe, melhorar até o seu estado de saúde, não seria inédito.
É um facto de que, à medida que envelhecemos, precisamos de menos calorias. Mas a grande questão aqui é não confundir calorias com nutrientes. Como veremos a seguir, estes são cada vez mais importantes para colmatar algumas falhas, digamos, do nosso organismo.
Como regra geral, é importante comer muita fruta e vegetais, cereais, leguminosas, laticínios com pouca gordura, certas carnes e peixes. E evitar, sem exageros, as chamadas “calorias vazias” como bolos, doces e álcool. É que com o decréscimo das necessidades calóricas, estas ocuparão o lugar de outras carregadas de elementos bem necessários ao nosso organismo.
Mas, repito, nada de exageros, como eliminar todos os prazeres porque “fazem mal”. É que um regime assim tão rígido poderá fazer bem à saúde física mas será certamente mau para a saúde mental!
Mais do que nunca, tomar um bom pequeno-almoço é importantíssimo. Nada de ficar só com um chazinho, porque é o que fazem há anos. Há cada vez mais variedade de cereais e papas, rápidas de fazer e para todos os gostos, com e sem açúcar, com frutos, chocolate, enfim. E, para uma refeição mais completa, podem sempre acrescentar-lhe alguma fruta fresca.
Também não é recomendável estar mais de três horas sem comer, exceto o período noturno, claro. Também aqui podem variar os “petiscos”, substituindo bolachas e bolinhos por um iogurte, fruta ou, se ainda têm bons dentes, vegetais crus – há umas cenouras pequeninas que vêm mesmo a calhar!
Igualmente importante é a ingestão de líquidos, sobretudo no verão. Todos os anos há, infelizmente, inúmeros idosos com problemas de gravidade variável devido à desidratação.
E agora, passemos aos alimentos desejáveis e porque razão o são.
Como disse no post citado acima, com a idade o nosso corpo vai perdendo a capacidade de converter a luz solar em vitamina D. E uma deficiência nesta vitamina pode causar inúmeros problemas, desde declínio cognitivo e depressão a doenças cardiovasculares, hipertensão e outras.
Para remediar o problema, para além de tomarem um suplemento, poderão comer, por exemplo, peixe-espada, salmão, cavala, truta, sardinhas, cogumelos, ovos e fígado de vaca.
Também referido no post anterior, a anemia, sobretudo a ligada à vitamina B12 e ao ferro, é um problema comum. Alimentos bons são, por exemplo, vegetais de folhas verdes escuras, como espinafres, e fígado.
Passemos agora a assuntos não mencionados anteriormente, ou seja, a potenciais problemas e a alimentos bons para os evitar ou, no mínimo, atenuar.
Com a idade, chega a tendência para a diminuição da massa muscular – a menos que sejam uma daquelas pessoas que continuam a passar horas a fio num ginásio, claro. Alimentos bons: carnes brancas como frango, peru e coelho, peixe, ovos, leguminosas e laticínios (lembrem-se, de preferência meio gordos ou magros).
Nas mulheres, aumenta a tendência para a osteoporose. Para além dos óbvios laticínios, que são uma boa fonte de cálcio, há também as frutas oleaginosas como nozes, amêndoas e avelãs – ora aqui está um bom petisco entre refeições!
Para ajudar a precaver doenças cardiovasculares, as opções são inúmeras: vegetais de folhas escuras, como espinafres, couve, nabiças / grelos de nabo, citrinos, frutos vermelhos, cereais integrais, frutos oleaginosos (ver acima) e laticínios.
Para as capacidades cognitivas, acrescentar também leguminosas como grão, feijão, ervilhas, favas e lentilhas – pouco usadas no nosso país pelos menos novos mas que são um ótimo alimento.
Como o nosso paladar também vai sofrendo alterações e para evitar que “saiba tudo ao mesmo”, o ideal será usar e abusar de ervas aromáticas como salsa, coentros, alecrim, tomilho, orégãos, manjericão. E não se preocupem com tê-las frescas, as secas são perfeitamente boas. Há até misturas de ervas com que salpicar saladas, uma boa opção.
E o alho, além de fazer bem, dá sempre aquele saborzinho tão português a qualquer prato. Se gostam de picante, usem-no sob a forma de pimentas ou piripíri, a menos que haja contraindicações médicas. Para não falar no agora quase omnipresente gengibre, fresco ou em pó, cada vez mais usado em tudo e mais alguma coisa.
Experimentem, também, novos temperos. Como ras-al-hanout, que é excelente em pratos de carne e até de peixe. Ou sumac, um outro tempero do Norte de África, excelente polvilhado em diversos pratos e saladas.
Há cada vez mais temperos de todos os tipos à venda até em supermercados “normais” e não faltam instruções sobre o seu uso – até na própria embalagem. E, acredite, um temperozinho diferente pode despertar a vontade de comer até a refeição até aí mais sensaborona.
E se quiserem evitar o azeite ou moderar o seu consumo, não faltam novas opções, como óleo de grainha de uva ou óleo de linhaça. Vão variando, lá diz o ditado, a variedade é o sal da vida.
Reparem que ainda nada disse sobre “proibições”. É que, muito francamente, sou contra elas, a menos que sejam dadas por um médico. Em vez de cortarem totalmente com pão branco, manteiga, conservas, molhos, bolos e todas essas coisas que nos repetem à saciedade que fazem mal, será certamente bem melhor passarem a usá-las como um “miminho” a comer num dia particularmente mau (ou bom).
E, já agora, há muitas maneiras de substituir coisas “más” por boas.
Por exemplo, em vez de maionese normal (ou a chamada light, que, francamente, na minha opinião não sabe a nada), aprenda a fazer um molho de iogurte. Faço o meu com um natural, magro (ou mais, consoante o número de pessoas) que ponho a escorrer num coador para largar o máximo de líquido e que depois bato (com uma colher) com umas gotas de azeite, sumo de limão, um nadinha de mel, alho moído e ervas a gosto. Fica ótimo e é muito mais leve. E, como gosto de picante, um bocadinho de piripíri e pimenta.
Já agora, como é recomendável reduzir o consumo de sal, experimente pôr um pouco de salva (encontra-a seca em muitos supermercados) dá um sabor quase salgado?
Resumindo, comer alimentos com bons nutrientes, mas sem pânicos quando se dá uma “facadinha”...
Para a semana: Memória, quem te viu e quem te vê! – Será possível manter até bem tarde esta preciosa faculdade?